quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Desastres naturais atingem seis milhões de pessoas no Brasil

Cerca de seis milhões de pessoas foram afetadas por desastres naturais este ano no País, segundo dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil – Sedec, do Ministério da Integração Nacional. Entre janeiro e setembro deste ano, foram registrados 730 desastres naturais no Brasil, entre inundações, deslizamentos, vendavais, tempestades, estiagens, secas, pragas e incêndios florestais. Pelo menos 146 mil ficaram desalojadas e 40 mil desabrigadas.


A estiagem atingiu 285 municípios brasileiros localizados em oito Estados. Para amenizar o sofrimento causado a 3,4 milhões de pessoas pela falta de chuva, o Ministério da Integração Nacional gastou cerca de R$ 71 milhões com a operação Carro Pipa - Programa Emergencial de Distribuição de Água nos municípios atingidos pela estiagem no Nordeste.


Entre os desastres naturais que afetam o Brasil estão, ainda, as enchentes ou inundações graduais e as enxurradas ou inundações bruscas. Este ano, as enxurradas afetaram 2,2 milhões de pessoas e a as enchentes, 534 mil.


Para o secretário Nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, a maior parte destes desastres poderia ser evitada com ações preventivas. "É o caso dos deslizamentos dos morros. Se for feito um trabalho preventivo com a participação da população local, muitas vidas serão poupadas", afirma Guimarães.


O Ministério da Integração Nacional distribuiu, desde o início do ano, 161 mil cestas básicas, que beneficiaram 1,3 milhão de moradores das regiões atingidas.


Fonte: Estadão Online.



Fonte: Ong AMDA
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Indonésia planeja plantar 79 milhões de árvores

A Indonésia, que está perdendo suas florestas numa velocidade muito maior do que qualquer outro país, espera plantar 79 milhões de árvores em um único dia, antes do encontro de mudanças climáticas da ONU deste ano – foi o que anunciou o porta-voz do ministro de Florestas na última sexta-feira.


As árvores, na sua maioria eucalipto e teka, serão plantadas ao longo do quarto maior país do mundo no dia 28 de novembro, dizo porta-voz. «Nosso objetivo é tornar a Indonésia mais verde o mais rápido possível e reduzir a degradação florestal ao máximo», ressalta.


Segundo o Greenpeace, a Indonésia perde o equivalente a 300 campos de futebol a cada hora. Cerca de 4.5 milhões de acres de floresta foram destruídos a cada ano entre 2000 e 2005, uma taxa de 2% ao ano, declarou o grupo ambientalista. O Ministério de Florestas não contestou a declaração.


Além do corte de madeira para o comércio, as florestas indonésias também estão sendo dizimadas pelo fogo e pelo desmatamento devido às plantações para óleo de palma. Em 2003 o país assinou uma série de iniciativas conservacionistas, incluindo acordos com o Japão e com a União Européia para banir a importação de produtos do desmatamento ilegal.


Em dezembro, a Indonésia sediará o encontro da ONU sobre mudanças climáticas. Ministros do Meio Ambiente de 80 países irão se encontrar na ilha de Bali para iniciar as discussões sobre as ações que o mundo deve tomar após o final do primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto, em 2012.




Traduzido por Fernanda Muller, CarbonoBrasil


Fonte: Carbono Brasil / Yahoo News/AP



Fonte: Carbono Brasil
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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Mitos e Reflexões Sobre o Meio Ambiente

Muitos são os mitos que fazem parte do nosso relacionamento cotidiano com o meio ambiente. Tais situações podem ser prejudiciais e impedem-nos de rever nossas atitudes.

Mitos e Reflexões Sobre o Meio Ambiente


Muitos são os mitos que fazem parte do nosso relacionamento cotidiano com o meio ambiente. Tais situações prejudicam o nosso relacionamento com a natureza e impedem-nos de rever nossas atitudes.

Mito

... tudo o que faz mal ao homem deve ser morto e erradicado. Por que Deus teria criado certas plantas e certos animais que não servem para nada ?...

Reflexão

... o ser humano precisa desenvolver um comportamento ético com relação à natureza, adotando modelos de desenvolvimento sustentável. Nenhum ser vivo existe por acaso. Os conceitos de útil e nocivo, baseados unicamente nos interesses do ser humano, fazem com que a criança cresça achando que ela pode matar ou destruir tudo aquilo que ela passa a considerar não útil ao seu próprio interesse. No ciclo da cadeia da vida, todos os seres vivos são úteis a seu modo. Cada ser vivo é necessário para a continuidade da vida na terra e, assim, deve ser compreendido e respeitado.

Mito

... a miséria das pessoas favorece e estimula a degradação ambiental; as comunidades localizadas nos bairros e nas favelas provocam a destruição e estimulam mais a miséria.

Reflexão

.... Quando se fala em meio ambiente, a discussão passa pelo modelo de desenvolvimento econômico, pela distribuição de renda, pela especulação imobiliária, que obriga as massas humanas menos favorecidas a se deslocarem para as áreas mais afastadas, muitas vezes invadindo e destruindo florestas e reservas naturais.

Mito

... a questão ecológica ou ambiental deve restringir-se à preservação dos ambientes naturais intocados e ao combate à poluição; as demais questões, envolvendo saneamento, saúde, cultura e qualidade de vida são situações que fogem à alçada dos educadores ambientais.

Reflexão

...A questão ambiental envolve o ambiente em todos os seus aspectos. Tratá-la implica tratar toda a complexidade da ação humana; por isso é um tema transversal, interdisciplinar, e só se consolida quando tratada como um todo, pois afeta e é afetada diversas áreas: educação, saúde, saneamento, agricultura, transportes, etc.

Mito

... como manter as necessidades sempre crescentes da população sem prejudicar a natureza ? Pantanal, Floresta Amazônica, Mata Atlântica, Cerrado, restingas, mangues e Caatinga deveriam ficar intocados eternamente para preservar os seus segredos e garantir a sobrevivência das futuras gerações ?

Reflexão

... a chave da conservação ambiental não é o assistencialismo preservacionista. A natureza não pode ser tratada como uma parceira inerte e passiva, como uma peça de museu, protegida e imune à ação do tempo e dos seres humanos. A natureza é dinâmica e reativa, que merece ser tratada como uma força viva e dadivosa, uma parceira. Sempre disponível, mas sem perder a noção de seus limites. O ser humano precisa perceber que é uma das espécies da natureza e que depende da natureza para sobreviver.

Mito

... os que defendem o meio ambiente são pessoas radicais, fanáticas, poetas, efeminados, inocentes-úteis que se mantêm alienadas da realidade, sonhadores com um paraíso inexistente. Tais pessoas ignoram as necessidades para manter o desenvolvimento e defendem posições que só perturbam quem realmente produz.

Reflexão

... é consenso entre os ambientalistas a necessidade de se promover um desenvolvimento sustentável. Por certo, os que defendem o meio ambiente se preocupam com o modelo de desenvolvimento, com o crescimento econômico, mas, principalmente, com a exploração racional e responsável dos recursos naturais, de forma a garantir a sobrevivência das futuras gerações. Todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente saudável, respirar ar puro, beber água limpa, enfim, ter uma qualidade de vida saudável. Defender esses direitos é dever de todos e não uma questão de privilégio.

Mito

... é um luxo e um despropósito defender a vida do mico-leão dourado e da baleia, enquanto milhares de criancinhas morrem de fome em todo o mundo.

Reflexão

... tal argumento seria válido se, para salvar a vida de inúmeras criancinhas, fosse necessária a extinção de algumas espécies. A situação das crianças famintas e a sobrevivência dos animais não é competitiva nem conflitante. O problema e as soluções para a desnutrição são de outra ordem e a sua importância não diminui a preocupação com as espécies em extinção. Além disso, aqueles realmente interessados na preservação dos micos geralmente também se preocupam com a melhoria das condições de vida das populações carentes; também denunciam as condições sociais injustas e indignas.

Mito

... a natureza é idealizada como uma situação de harmonia e de equilíbrio. Como concordar com tais premissas se os animais se atacam e se devoram ou se existem vulcões, terremotos, vendavais etc. ?

Reflexão

... A harmonia é um conceito dinâmico e, não, estático. Se bem percebermos, existe harmonia nos movimentos, nas contínuas transformações. Todo movimento, todo crescimento, toda transformação, em princípio, caminha para um estado de equilíbrio. O impulso de sobrevivência que leva um animal a matar outro favorece a manutenção desse equilíbrio na natureza. Os animais predadores matam para se alimentar ou se defender. Quanto aos fenômenos naturais, entende-se como um processo que está em contínua transformação, na busca incessante do equilíbrio.

Conteúdo da Univ. Livre da Mata Atlântica

Fonte: http://www.vivernat ural.com. br/ecologia/ mitos.htm

BRINQUEDOS ECOLOGICAMENTE CORRETOS ESTIMULAM E SENSIBILIZAM CRIANÇAS PARA

Os brinquedos têm um papel importante na vida de uma criança, pois eles
ficam com ela grande parte do tempo. Por mais que os pais e a escola as
eduquem, as crianças vêem nos brinquedos um exemplo e um tipo de relação com
o mundo - inclusive reforçar as notícias da televisão, pois os brinquedos
reproduzirem o cotidiano. Uma das formas de estimular as crianças a ter uma
postura ética com o meio ambiente natural é presenteá-las, no próximo 12 de
outubro, com brinquedos ecologicamente corretos como jogo da velha, jogo das
cinco marias e jogo da memória que são produzidos pelo grupo de costureiras
“Frutos do Futuro”, de Biritiba-Mirim (SP) e formado pelo projeto Comunidade
Produtiva.

O projeto Comunidade Produtiva tem a finalidade de propor alternativas de
renda a partir do uso múltiplo das florestas de eucalipto para as
comunidades que vivem no entorno das fábricas da Suzano. O Instituto
Supereco, em parceria com a empresa Suzano Papel e Celulose, vem
desenvolvendo o projeto em três cidades: Helvécia e São José de Alcobaça
(BA) e em Biritiba-Mirim (SP). Por meio da Educação Ambiental (EA) e da
criação de produtos artesanais sustentáveis, a ong Supereco promove novas
visões sobre cada região. Para tanto, sensibiliza e estimula as pessoas nas
diferentes maneiras de se relacionar com o mundo e consigo e da Educação
Ambiental.

Leia matéria na íntegra em
http://www.corredores.org.br/?pageId=noticias&docId=2881.

sábado, 6 de outubro de 2007

Atençao , sempre bom

Isso eu nao acredito , para mim é estrategia politica barata.

MT: Maggi radicaliza e propõe moratória de plantio por 5 anos na Amazônia

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, propôs uma moratória para a plantação de qualquer cultura na Amazônia por cinco anos. Ele sugere que sejam paralisadas todas as atividades agrícolas, até mesmo os 20% que são autorizados por lei, com exceção do setor madeireiro de base, com plano de manejo florestal já aprovado. A sugestão do governador foi feita ontem durante o lançamento do Pacto Nacional pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados.


Maggi ainda destacou que, apesar de ter sido chamado de "Nero da Amazônia", seu estado vai assinar o pacto. Ele defendeu que os estados compreendidos na região invistam na ampliação das estruturas de fiscalização. "Vamos arrumar tudo o que tem para arrumar e depois voltar a discutir a expansão de cultivos nessas áreas", afirmou.


O pacto tem como meta reduzir o desmatamento em 100% nos próximos sete anos de forma gradual. A queda seria de 25% nos dois primeiros anos até chegar 100% no fim do período. Para alcançar a meta, as nove organizações não-governamentais que propõe o pacto sugerem que anualmente sejam investidos R$ 1 bilhão. Esses recursos seriam destinados a um fundo de gestão e viriam do orçamento público e da iniciativa privada.


De acordo com a ambientalista Mara Régia, o pacto propõe a criação de instrumentos normativos e econômicos de valorização das florestas em pé. Ela explica que a população responsável pela preservação e aqueles que tiram seu sustento da terra passariam a contribuir através do chamado pagamento por serviços ambientais. Além disso, o pacto sugere a criação de incentivos para utilização de áreas que já foram desmatadas, proposta que vai ao encontro do zoneamento da cana-de-açúcar, que será anunciado em junho de 2008 pelo Ministério da Agricultura.


As ações de fiscalização e controle da mata também seriam fortalecidas. "Nossa proposta prevê a atração de investimentos nacionais e internacionais, por isso, o BNDES é fundamental para criar as estruturas para receber esses investimentos", disse Mara Régia.


A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que há quatro anos as preocupações com a Amazônia eram básicas, "mas devido às mudanças implementadas pelo governo", foi possível chegar à elaboração do pacto. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, declarou apoio à iniciativa.




Fonte: Amazônia.org.br / 24 Horas News
Local: Cuiabá - MT
Link:
http://www.24horasnews.com.br/



Fonte: Amazônia.org.br
Contato (newslwtter@amazonia.org.br)

Perdigão multada por contaminação em Goiás

A empresa Perdigão recebeu recentemente uma multa de R$ 500 mil da Agência Ambiental do Estado de Goiás e outra de R$ 7, 2 milhões da prefeitura da cidade de Rio Verde (GO). Uma falha no sistema de bombeamento na unidade industrial da empresa no município causou a contaminação de um manancial do córrego Abóbora, onde é feita a captação de água para a rede de abastecimento público da cidade. A falha comprometeu o abastecimento de água da população e rejeitos de animais, como gordura e pele, foram jogados no rio.

O problema agravou-se porque a Saneago, empresa responsável pelo tratamento de água, foi avisada somente cinco horas depois do acidente e não conseguiu suspender o abastecimento a tempo. A secretaria municipal de meio ambiente estima que aproximadamente 90% da população da cidade tenha ingerido esta água, pois constatou o aumento de casos de infecção intestinal após a contaminação. A Saneago, que também foi responsabilizada e terá que indenizar a população, promete cobrar ressarcimento judicial da Perdigão.

Em 2005 a empresa já havia causado um vazamento para o mesmo córrego e foi notificada pelo Ministério Público. Segundo a promotoria de meio ambiente do município, até hoje o inquérito instaurado na época não foi concluído. O problema é a dificuldade de fiscalização, pois existem apenas dois fiscais do órgão para realizarem perícias como essa.

De Brasília, da Radioagência NP, Gisele Barbieri

04/10/07

Assassinos do Jornalismo Ético

Dessa ves quero postar esse email q recebi , por que acho que deve ser divigado verdades e nao noticias armadas e com uma propaganda destruidoras.
Não me assusta a Veja ter tentado destruir a imagem da Che, mas a quetao é que foi um grau muito baixo que se chegou a reportagem, coisas como a Veja tinha que ser proibidas.

Irei postar como veio ao meu email

Subject: Enc: Assassinos do Jornalismo Ético> From: KFAVARO@rodobens.com.br> Date: Wed, 3 Oct 2007 09:25:16 -0300>> [http://gfx2.hotmail.com/mail/w2/pr02/ltr/i_safe.gif]> ----- Repassado por KFAVARO/GVerdi em 03/10/2007 09:24 -----> LROCHA> 03/10/2007 09:19> Para:> cc: (cco: KFAVARO/GVerdi)> Assunto: Assassinos do Jornalismo Ético> A matéria de capa desta semana do semanário Veja superou os limites. A agressividade, a histeria e o panfletarismo são típicos das publicações da Abril e do jornalista que assinou o artigo sobre os 40 anos da morte de Che Guevara.> Desta vez, porém, os vícios habituais da editora não foram suficientes para a produção do texto. Para redigi-lo, recorreram a manipulações factuais, distorções históricas e mentiras escancaradas. O intuito evidente era enxovalhar a memória do Comandante Ernesto Guevara e seguir a obsessiva toada, já cansativa, sobre os supostos desacertos da Revolução Cubana.> Contestamos aqui apenas alguns pontos da reportagem, com o perdão da má palavra. Aqueles que, em nosso ponto de vista, não poderiam ficar sem resposta. Veja, embora tente, não será jamais dona da verdade.> “Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha(...) Por isso, apesar do rancor que PODE apimentar suas lembranças, os exilados cubanos SÃO VOZES DE MAIOR CREDIBILIDADE".> Ou seja, está dada a desculpa para o amontoado de parcialidades e acusações rasteiras que surgem ao longo do texto. Vejamos algumas fontes da revista:> - Napoleón Vilaboa, exilado em MIAMI, que ganhou dinheiro explorando a saída de cubanos pelo porto de Mariel, em 1980, no rastro de um acordo firmado entre Cuba e Estados Unidos;> - Pedro Corzo, do Instituto de Memória Histórica Cubana, sediado em, pasmem, MIAMI! É tão arraigadamente estadunidense que, em seu e-mail de contato, nega até seu nome latino para adotar petercorzo@msn.com;> - Jaime Suchlicki, historiador cubano, da Universidade de MIAMI, é claro;> - Hubert Mattos, exilado em MIAMI, ex-comandante do exército rebelde, condenado a 20 anos em Cuba por traição. Não se sabe por que razões o tirânico regime deixou-o emigrar para os EUA. Segundo a lógica do doentio jornalista, o destino mais certeiro para Mattos deveria ser a morte.> Como se vê, não foram ouvidos cubanos residentes na ilha. O argumento de Veja? Com a repressão em Cuba, eles não sairiam da ladainha oficial. Para Veja, não há pensamento próprio na ilha, apenas fantoches que reproduzem discursos oficiais. Visão mais tacanha é impossível. Os cubanos de Miami são lúcidos e imparciais. Já os da ilha são teleguiados pelo aparelho repressivo. Então tá.> Sugerimos a Schelp e a seus patrões um passeio de uma semana por Havana. Veja talvez tenha receio de visitar Cuba e descobrir que a ilha não é nada do que sustenta a revista em sua cruzada doentia contra a Revolução. E, para desespero maior de seus algozes ideológicos, está em absoluta normalidade desde o afastamento de Fidel Castro do poder, há 14 meses.> Sim, espera-se um dia a morte do líder, inegavelmente debilitado e já com 81 anos. Mas supor que sua desaparição física eliminará a revolução é um exercício de futurologia típico da revista e do jornalista. Ou, pior, um desejo indisfarçável de Diogo Schelp, a pena de aluguel mais furibunda a serviço dos controladores da Abril.> Prossigamos.> "Centenas de homens que ele (Che) fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários que não passavam de dez minutos".> Quais? Que homens? Qual a fonte de Schelp?> Uma das primeiras decisões do novo governo rebelde, e isso é fato, foi a criação de juízos revolucionários como parte de um processo conhecido como Comissão Depuradora. Todos aqueles apontados como criminosos de guerra ou associados ao regime de Batista foram levados a julgamento. Entre janeiro e abril de 1959, aproximadamente mil colaboradores do antigo regime foram denunciados e julgados por meio dos tribunais revolucionários. Cerca de 550 deles foram condenados à pena de morte.> Ernesto Guevara, na condição de comandante de La Cabaña durante os primeiros meses da Revolução, teve sob seu comando os julgamentos e as execuções das penas daqueles que estavam detidos na fortaleza. Para disciplinar os juízos, estabeleceu um sistema judicial com tribunais de primeira instância e um tribunal de apelações. As audiências eram públicas e se desenvolviam como em um tribunal qualquer, com promotores de acusação, advogados de defesa e depoimentos de testemunhas, tanto arroladas pela acusação como pelos réus. A biografia de Jon Lee Anderson, citada, mas não lida por Schelp, a julgar pelo conteúdo de seu texto, mostra isso com nitidez.> As críticas dirigidas a Cuba por conta das sentenças de morte, à luz dos acontecimentos de então, são mais ideológicas do que movidas por razões humanitárias. Tratava-se de um período pós-guerra, com o país convulsionado e que, ademais, convivia com a possível reação das forças que desejavam a volta de Batista ao poder, minoritárias entre a população, mas poderosas economicamente.> Os principais algozes de Cuba, os Estados Unidos e seus aliados da Europa, vencedores da 2ª Guerra Mundial, não julgaram os criminosos nazistas de modo distinto daquele que foi adotado na Cuba revolucionária. Nem por isso houve insinuações de parcialidade contra o tribunal de Nuremberg ou o clamor mundial para que algum acusado deixasse de ser executado.> Entre os condenados aos fuzilamentos em La Cabaña figuravam notórios assassinos, torturadores das forças de Batista e outros criminosos que haviam enriquecido às custas de corrupção e da exploração da miséria da maioria da população cubana.> “Houve um golpe comunista dentro da revolução.”> Em que data isso aconteceu? O jornalista, um obstinado porta-voz da direita reacionária, é tão tresloucado em seus ataques sistemáticos à Revolução Cubana, que deve ter misturado períodos históricos. Houve um golpe de estado comunista na Revolução Russa, em 1917, quando os bolcheviques assumiram o controle do Estado e deram início a criação da União Soviética. Em Cuba, não. Fidel Castro sempre foi o líder máximo da Revolução, desde 26 de julho de 1953, quando atacou o quartel de Moncada, até tomar o poder, com amplo apoio popular (ignorado pela revista), em 1º de janeiro de 1959.> "Na versão mitológica, Che era dono de talento militar excepcional".> Não é verdade. Nem o próprio Guevara acreditava nisso. Um exemplo está em seu diário de campanha da guerra no Congo. Ele começa o livro com a frase "Esta é a história de um fracasso". Além do mais, tendo ou não talento militar excepcional, foi a Batalha de Santa Clara, em dezembro de 1958, comandada e vencida por Guevara, que desencadeou a queda de Fulgêncio Batista. Santa Clara era a última grande cidade antes de Havana e também a última esperança do regime em conter o avanço rebelde.> "Em seis meses de comando em La Cabaña, duas centenas de desafetos foram fuzilados".> Mais uma mentira. Na verdade, foram cerca de 550 condenados à morte e não eram "desafetos" ou apenas "gente incômoda", como diz Veja. Eram, principalmente, corruptos e torturadores do antigo regime. A matéria não diz, mas Che proibia tortura e fuzilamentos de soldados feridos ou já rendidos. Isso conta o biógrafo Jon Lee Anderson, utilizado por Schelp como escora para dar algum peso a seu texto imundo.> "Che descreve como executou Eutímio Guerra, "acusado" de colaborar com os soldados de Batista".> Guerra, segundo descreve a brasileira Claudia Furiati, autora de uma das principais biografias de Fidel, recebeu uma arma do exército e a ordem de executar Castro enquanto este dormia. Não o fez porque sempre havia sentinelas de plantão nos acampamentos rebeldes. A cada deslocamento da guerrilha, porém, a Força Aérea Cubana atacava o local, coincidentemente sempre que Eutímio deixava o acampamento.> Os rebeldes desconfiaram de seu comportamento, interrogaram-no e ele acabou confessando que era agente do exército. Foi julgado, no meio da selva, e condenado à morte, como ocorreria com um traidor em qualquer outra guerrilha do mundo. A justiça guerrilheira nada mais é que uma corte marcial adaptada às circunstâncias do momento. Guerra pediu que os rebeldes, caso triunfassem, educassem seus filhos. Hoje, seus descendentes são oficiais das Forças Armadas Revolucionárias.> Fidel não determinou quem executaria a tarefa de execução do traidor. Che Guevara realmente assumiu a incumbência, fato incontestável e, entre tantas linhas, um dos poucos acertos de Schelp.> Apenas deve se registrar que ele não matou um pobre camponês, mas um homem que pôs a vida de centenas de outros em risco. Por que, segundo a lógica de Schelp, os guerrilheiros podem e devem ser bombardeados por conta de uma delação e correr risco de morte e o responsável pela traição não pode ser executado?> "Ernesto Guevara Lynch de la Serna nasceu em uma família de esquerdistas ricos na Argentina".> Mais uma atrocidade de Schelp, que sequer conhece o nome da vítima de sua caneta. O nome de Che era simplesmente Ernesto Guevara e seus pais não eram ricos nem esquerdistas. Nenhum deles tinha filiação partidária, eram abertamente contra o governo Perón, que seduziu a esquerda argentina com seus projetos voltados aos descamisados, como a primeira-dama Eva Perón costumava se referir aos segmentos mais humildes da população argentina. Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna, os pais, tampouco eram ricos. Viviam como um típico casal de classe média alta, se tanto. Moraram na Recoleta, o bairro mais elegante de Buenos Aires, quando a avó de Che morreu e lhes deixou como herança um apartamento. Claro que Veja não conta tudo em detalhes. Informar não é função do jornalismo da Abril.> "Para se livrar de Che, Fidel o mandou à Assembléia-Geral da ONU".> Delírio absoluto. Che era o segundo nome do estado cubano, o principal porta-voz da revolução, depois do próprio Fidel. Guevara viajou a inúmeros países e assinou diversos tratados de assistência econômica e militar com outras nações socialistas. Era perfeitamente normal que representasse Cuba em uma Assembléia da ONU.> "Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria".> Texto vago, até impede um comentário mais elaborado sobre algo tão pobre. Registramos apenas que Che NUNCA foi embaixador de Cuba.> "Che propôs a seus comandados lutar até a morte no Congo, mas foi demovido do propósito pela soldadesca".> Mentira deslavada. Che organizou a retirada da tropas cubanas, quando uma das facções congolesas entrou em acordo com o governo que até então combatia. Isso abriu caminho para avanço das tropas mercenárias financiadas por conglomerados mineradores da África do Sul, lideradas por Mike Hoare.> Diante do iminente massacre, Che ORDENOU a retirada de todos os cubanos do Congo. Claro, Veja cria sua própria versão da história.> E mais: dois soldados cubanos não conseguiram chegar a tempo ao barco, às margens do lago Tanganica, que os levaria à Tanzânia e ficaram perdidos em território congolês. Che mandou um destacamento da inteligência cubana em busca dos dois, que foram encontrados vivos, quatro meses depois, quase em território ruandês. Comportamento estranhíssimo para um louco sedento de sangue, egoísta e assassino até de seus próprios homens.> "Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro, a morte prematura, que eternizou sua imagem jovem(...) a pinta de galã".> Ridículo. Diogo Schelp deveria procurar ajuda terapêutica. Acreditar que a aparência física de Che Guevara é responsável por sua irreversível entrada na História é algo que Freud pode explicar.> "A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem os cubanos, dá uma idéia do que PODERIA ter acontecido com Che".> O jornalista não diz que o isolamento é, essencialmente, fruto do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há quase 50 anos, naquela que talvez seja a maior agressão não militar já sofrida por uma nação em toda a história humana. Quanto à decadência política de Castro, trata-se, mais uma vez, de um desejo de Schelp. Uma viagem a Cuba rapidamente o convenceria do contrário. Fidel é idolatrado pela população, que vive, sim, em um país pobre e com problemas, admitidos até pelo governo cubano. Já a decadência física de Fidel é inevitável. Todos são mortais e não podemos nos esquecer que ele tem 81 anos e se recupera de grave doença. E em relação ao que PODERIA ter acontecido com Che, Pai Schelp de Ogum revela que tem predileção pelas ciências ocultas, pela futurologia. Talvez fizesse melhor em deixar o jornalismo.> "Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara".> Raciocínio deplorável. O sujeito é capturado, rendido e assassinado, mas é ganhador. Pela mesma lógica, se alguém ganhou a 2ª Guerra Mundial, foram os judeus. Afinal, há 60 anos se fala em Holocausto e eles conquistaram o direito ao Estado de Israel, não importando o custo de seis milhões de mortes.> “Fidel se desmancha lentamente dentro daquele ridículo agasalho esportivo”.> Tenha calma, Schelp. Segundo a ordem natural das coisas, você terá o imenso prazer de ver Fidel morto. Temos certeza de que até o obituário de Veja já está preparado. Agressivo, virulento, histérico, panfletário, como é de seu estilo.> Você terá seu instante momentâneo de deleite, assim como a máfia cubano-americana de Miami, ávida por retornar à ilha e transformá-la de novo em um grande cassino.> Mas daqui a 50, 60 anos, o mundo continuará relembrando o aniversário da morte de Che Guevara e, infelizmente, para os que acreditam em outra ordem social, outros tantos anos da morte de Fidel Castro.> Quanto a você, terá sido devidamente esquecido e jogado na lata de lixo reservada para os assassinos do jornalismo ético. Ninguém lembrará de sua triste passagem pelo mundo.> [http://gfx2.hotmail.com/mail/w2/pr02/ltr/i_safe.gif]> [http://gfx2.hotmail.com/mail/w2/pr02/ltr/i_safe.gif]> ------------------------------
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

SACOS PLÁSTICOS - André Trigueiro

[..] Quem recusa a embalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico. Outro dia fui comprar lâminas de barbear numa farmácia e me deparei com uma situação curiosa: a caixinha com as lâminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automático,a funcionária registrou a compra e enfiou rapidamente a mísera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez [...]

SACOS PLÁSTICOS - André Trigueiro

Pós-graduado em meio ambiente, jornalista, redator e apresentador do Jornal das 10, da Globonews, desde 1996.

Creio que um dos primeiros presentes que recebi de meus sogros em Viena foram 2 bolsas de algodão para ir ao Supermercado. Depois compreendi". No Brasil os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanho do produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embalado num saquinho plástico. O pior é que isso já foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plástico. Nossa dependência é tamanha que quando ele não está disponível costumamos reagir com reclamações indignadas.
Quem recusa a embalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico.Outro dia fui comprar lâminas de barbear numa farmácia e me deparei com uma situação curiosa: a caixinha com as lâminas cabia perfeitamente na minha pochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gesto automático,a funcionária registrou a compra e enfiou rapidamente a mísera caixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez.


Pelas razões que explicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem.A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o inglês Alexander Parkes inventou o primeiro plástico, em 1862. O novo material sintético reduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista da civilização moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminado de plásticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de um desastre ambiental de grandes proporções. Feitos de resinas sintéticas originadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e levam séculos para se decompor na natureza.


Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos são feitos de cadeias moleculares inquebráveis, e é impossível definir com precisão quanto tempo levam para desaparecer no meio natural. No caso específico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matéria-prima é o plástico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que já representa 9,7% de todo o lixo do país. Abandonados em vazadouros, esses sacos plásticos impedem a passagem da água, retardando a decomposição dos materiais biodegradáveis, e dificultam a compactação dos detritos.


Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, já justificou mudanças importantes na legislação - e na cultura - de vários países europeus.
Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar à sacolamania (cada um levando sua própria sacola). Quem não anda com sua própria sacola a tiracolo para levar as compras é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plásticos. O preço é salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade. A guerra contra os sacos plásticos ganhou força em 1991, quando foi aprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens a aceitar de volta e a reciclar seus produtos após o uso. E o que fizeram os empresários? Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Além de antiecológico, ficou bem mais caro usar sacos plásticos na Alemanha.
Na Irlanda, desde 1997 paga-se um imposto de nove centavos de libra irlandesa por cada saco plástico. A criação da taxa fez multiplicar o número de irlandeses indo às compras com suas próprias sacolas de pano, de palha e mochilas.


Em toda a Grã-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a atenção dos consumidores com uma campanha original e ecológica: todas as lojas da rede terão seus produtos embalados em sacos plásticos 100% biodegradáveis.


Até dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede serão feitos de um material que, segundo testes em laboratório, se decompõe dezoito meses depois de descartado. Com um detalhe interessante: se por acaso não houver contato com a água, o plástico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza.


Não há desculpas para nós brasileiros não estarmos igualmente preocupados com a multiplicação indiscriminada de sacos plásticos na natureza. O país que sediou a Rio-92 (Conferência Mundial da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente) e que tem uma das legislações ambientais mais avançadas do planeta, ainda não acordou para o problema do descarte de embalagens em geral, e dos sacos plásticos em particular.


A única iniciativa de regulamentar o que hoje acontece de forma aleatória e caótica foi rechaçada pelo Congresso na legislatura passada. O então deputado Emerson Kapaz foi o relator da comissão criada para elaborar a "Política Nacional de Resíduos Sólidos". Entre outros objetivos, o projeto apresentava propostas para a destinação inteligente dos resíduos, a redução do volume de lixo no Brasil, e definia regras claras para que produtores e comerciantes assumissem novas responsabilidades em relação aos resíduos que descartam na natureza, assumindo o ônus pela coleta e processamento de materiais que degradam o meio ambiente e a qualidade de vida. O projeto elaborado pela comissão não chegou a ser votado. Não se sabe quando será.


Sabe-se apenas que não está na pauta do Congresso.
Omissão grave dos nossos parlamentares que não pode ser atribuída ao mero esquecimento. Há um lobby poderoso no Congresso trabalhando no sentido de esvaziar esse conjunto de propostas que atinge determinados setores da indústria e do comércio.
É preciso declarar guerra contra a plasticomania e se rebelar contra a ausência de uma legislação específica para a gestão dos resíduos sólidos.
Há muitos interesses em jogo. Qual é o seu?
Vamos fazer a nossa parte, vamos repassar a mensagem.

Fonte: http://geografia- dicascuriosidade s-2srie.blogspot .com/

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A vitória dos enlatados

Pessoas tambem é meio ambiente
Comida tambem é meio ambiente



imagem775-a.jpgGoverno troca mistura nutricional consagrada há décadas por produtos industrializados


HUGO MARQUES


PIONEIRA Há mais de três décadas Clara Brandão criou um composto alimentar que revolucionou a nutrição infantil

A cena foi comovente. O vice-presidente José Alencar preparava-se para plantar uma árvore em Brasília quando foi abordado por uma nissei de 65 anos e 1,60 m de altura. Era manhã da quinta-feira 6. A mulher começou a mostrar fotografias de crianças esqueléticas, brasileiros com silhueta de etíopes, mas que tinham sido recuperadas com uma farinha barata e acessível, batizada de "multimistura". Alencar marejou os olhos. Pobre na infância no interior de Minas, o vice não conseguiu soltar uma palavra sequer. Apenas deu um longo e apertado abraço naquela mulher, a pediatra Clara Takaki Brandão. Foi ela quem criou a multimistura, composto de farelos de arroz e trigo, folha de mandioca e sementes de abóbora e gergelim. Foi esta fórmula que, nas últimas três décadas, revolucionou o trabalho da Pastoral da Criança, reduzindo as taxas de mortalidade infantil no País e ajudando o Brasil a cumprir as Metas do Milênio. E o que a pediatra foi pedir ao vicepresidente? Que não deixasse o governo tirar a multimistura da merenda das crianças. Mais do que isso, ela pediu que o composto fosse adotado oficialmente pelo governo. Clara já tinha feito o mesmo pedido ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão – mas ele optou pelos compostos das multinacionais, bem mais caros. "O Temporão disse que não é obrigado a adotar a multimistura", lamenta Clara.

Há duas semanas a energia elétrica da sala de Clara dentro do prédio do Ministério da Saúde foi cortada. Hoje, ela trabalha no escuro. "Já me avisaram que agora eu estou clandestina dentro do governo", ironiza a pediatra. Mas ela nem sempre viveu na escuridão. Prova disso é que, na semana passada, o governo comemorou a redução de 13% nos óbitos de crianças entre os anos de 1999 e 2004 – período em que a multimistura tinha se propagado para todo o País.

Desde 1973, quando chegou à fórmula do composto, Clara já levou sua multimistura para quase todos os municípios brasileiros, com a ajuda da Pastoral da Criança, reduto do PT. Os compostos da multimistura têm até 20 vezes mais ferro e vitaminas C e B1 em relação à comida que se distribui nas merendas escolares de municípios que optaram por comprar produtos industrializados. Sem contar a economia: "Fica até 121% mais caro dar o lanche de marca", compara Clara.



Quando ela começou a distribuir a multimistura em Santarém, no Pará, 70% das crianças estavam subnutridas e os agricultores da região usavam o farelo de arroz como adubo para as plantas e como comida para engordar porco. Em 1984, o Unicef constatou aumento de 220% no padrão de crescimento dos subnutridos. Dessa época, Clara guarda o diário de Joice, uma garotinha de dois anos e três meses que não sorria, não andava, não falava. Com a multimistura, um mês depois Joice começou a sorrir e a bater palmas. Hoje, a multimistura é adotada por 15 países. No Brasil só se transformou em política pública em Tocantins.

Clara acredita que enfrenta adversários poderosos. Segundo ela, no governo, a multimistura começou a ser excluída da merenda escolar para abrir espaço para o Mucilon, da Nestlé, e a farinha láctea, cujo mercado é dividido entre a Nestlé e a Procter & Gamble. "É uma política genocida substituir a multimistura pela comida industrializada", ataca a pediatra. A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, reconhece que a multimistura foi importante para diminuir os índices de desnutrição infantil. "A multimistura ajudou muito", diz. "Mas só ela não é capaz de dizimar a anemia; também se deve dar importância ao aleitamento materno." ISTOÉ procurou as autoridades do Ministério da Saúde ao longo de toda a semana, mas nenhuma delas quis se pronunciar. "O multimistura é um programa que não existe mais", limitou-se a informar a assessoria de imprensa.


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Fonte: Redação do Portal do Meio Ambi
Contato (noticias@rebia.org.br)

Tristeza e lamentaçao nao adianta mais , tem que ser feito algo...

Brasil começa a vender suas florestas

Carlos Rangel



A primeira mata pública a ser licitada para a iniciativa privada dentro do programa que o governo federal chama de manejo sustentável fica na Floresta Nacional (Flona) do Jamari, em Rondônia. A unidade de conservação tem 220 mil hectares e quase metade (90 mil hectares) será entregue como concessão. A responsabilidade por essa medida é do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), que vai gerenciar o programa.


Mesmo com milhões de hectares degradados principalmente por pastagens, incluindo a Amazônia, o governo optou por entregar floresta em pé para exploração, que prevê pagamento pelo uso dos recursos naturais e manejo sustentável, que é retirar do local uma quantidade de produtos que não prejudiquem sua recuperação. Nos 90 mil hectares podem ser explorados frutos, madeira, sementes, resinas, óleos, entre outros produtos.


A concessão de florestas públicas pode ser liberada por 5 a 40 anos e poder á ser feita a empresas instaladas no País, independentemente da origem do capital. A área do Jamari será dividida em lotes de pequeno, médio e grande porte, que serão licitados separadamente e com regras distintas. O contrato de concessão da Floresta Nacional do Jamari tem assinatura prevista para março.


A concessão de áreas públicas para manejo sustentável deveria privilegiar áreas desmatadas, para reflorestamento, e não as já preservadas, afirmou Vanderleide Ferreira de Souza, do Conselho Nacional de Seringueiros. em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia. Em entrevista à Agência Brasil, o geógrafo Aziz Ab¿Saber, presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor emérito da USP, também criticou a medida: "Tenho absoluta certeza de que o exemplo, mais uma vez, mostra que o Brasil continua não sabendo gerenciar sua floresta. Estão, agora, privatizando a floresta".



Fonte: Luiz Braga
Contato (bsal2884@terra.com.br)

Isso é extremamente uma vergonha , fico triste com isso , é o inicio de uma desconstruçao do Brasil.

Secos e molhados - Arthur Soffiati

Desde que o clima se estabilizou no norte-noroeste fluminense, nos últimos quatro mil anos, é normal o ciclo de chuvas e estiagens no que poderíamos chamar de verão e inverno. No entanto, ultimamente, as chuvas e as secas têm aumentado sua intensidade nas respectivas estações. Parece que esta presumível mudança na estrutura climática está sendo considerada por técnicos, ruralistas, governantes e sociedade como algo natural. Como uma fatalidade diante da qual devemos nos resignar, tentando conviver com ela e tomando providências de curto e médio alcance para atenuar seus efeitos. É como se colocássemos sacos de areia nas portas de nossas casas toda vez que as águas sobem, em vez de barragens permanentes ou de transferência da moradia para um lugar seguro.


Sendo mais claro, ninguém cogita, ao que eu saiba, a possibilidade — ao menos a possibilidade — de estes fenômenos extremos serem já manifestações do aquecimento global. Em vez de se pensar em soluções de longo prazo, continua-se a empilhar sacos de areia nas portas das casas quando chove e carregar água em baldes quando vem a seca.


Se tomarmos o ano de 2007 até aqui, o comportamento do clima deveria levar os cientistas, os ruralistas, os governantes e as pessoas em geral a pelo menos suspeitar de que alguma mudança está ocorrendo ou pode ocorrer. Senão, vejamos. Segundo a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, nunca houve um janeiro tão chuvoso quanto o deste ano, desde que a medição da precipitação pluviométrica começou a ser feita. As chuvas torrenciais prolongaram-se fevereiro adentro. Esperava-se que chovesse no mês de março, mas ocorreu uma pequena estiagem. As temperaturas caíram mais durante o outono e o inverno está quente e seco.


Moro no norte-noroeste fluminense desde 1970 e nunca vivi um ano tão atípico em termos climáticos como o de 2007. Segundo informações fornecidas pelo pesquisador Elias Fernandes de Souza, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, normalmente, o regime pluviométrico da região não é propício ao cultivo de cana. O desenvolvimento pleno deste vegetal requer uma precipitação pluviométrica anual em torno de 1500mm, mas a média gira em torno de 1000mm, mesmo assim com distribuição extremamente irregular: muita chuva no verão e pouca chuva no inverno. Ainda segundo a Uenf, o volume de chuvas nos meses de junho e julho ficou 71% abaixo do esperado para esta época. Por que não levantar a hipótese de que estas oscilações extremas indicam mudanças na estrutura climática dos últimos quatro mil anos? É melhor ter cautela do que insensatez.


Desde janeiro, só ouvimos a choradeira dos ruralistas. O governo precisa urgentemente construir um muro de lamentações para eles. Reclamam por chover demais ou de menos. Pressionam os governos municipais, estadual e federal a desviar dinheiro público para seus negócios, alegando que eles são também nossos negócios, pois geram empregos e tributos. Rios de dinheiro (com duplo sentido, por favor, já que estamos falando em excesso e escassez de água) que poderia ser aplicado em empreendimentos ambientais e sociais vão para uma atividade antiga, atrasada e danosa do ponto de vista ambiental e social.


Parece que os ruralistas vão passar o ano de 2007 com muita agressividade. Com o alagamento das partes baixas pelas copiosas chuvas de janeiro e fevereiro, eles passaram a idéia de que só o problema deles é importante e exigiram limpeza e dragagem de canais. Conseguiram que a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas criasse o bastardo Grupo de Ação Integrada, com suas forças-tarefa para atacar o meio ambiente, em vez de contribuir para ativar o Consócio da Região Hidrográfica 09, a instância legal e legítima para gerenciar as bacias do baixo Paraíba, da Lagoa Feia e dos canais. Para aparentar legitimidade, convidaram alguns pescadores a integrarem o grupo.


O nível do rio Paraíba está tão baixo que suas águas não conseguem entrar pelos canais. Então, eles já estão reivindicando bombas para fazer o que a lei da gravidade não está conseguindo a fim de obter o mínimo de água para irrigação. Para comover a opinião pública, os presidentes do Sindicato Rural, da Asflucan e da Coagro tentam comover a opinião pública acenando com o risco de extinção da agroindústria sucro-alcooleira na região. Chegam mesmo a declarar que plantam cana e produzem açúcar e álcool por amor à atividade.


Ao mesmo tempo, estão preocupados com as próximas chuvas. Para tanto, querem a limpeza do canal da Flecha justo no Durinho da Valeta, que motivou dois levantes de pescadores na Lagoa Feia quando o DNOS tentou removê-lo. Espero que “limpeza” não signifique “remoção”. Espero também que os pescadores fiquem muito atentos a esta “limpeza”. Por sua vez, o presidente da Asflucan informa que o Fundecana só liberará recursos para os plantadores nas áreas de risco (leia-se, áreas subtraídas às lagoas) depois das chuvas de verão. Como o assunto dá pano pra mangas, voltarei a ele.


Depois de promover duas reuniões democráticas em favor do Consórcio do baixo rio Paraíba do Sul — na Fundenor e em Quissamã — e da definição da Região Hidrográfica 09, a Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) tomou duas ações autoritárias e atrasadas. A primeira foi criar o Grupo de Ação Integrada (GAI) reunindo apenas os ruralistas, que tentaram dar-lhe uma camuflagem de legitimidade convidando alguns pescadores para assistirem às decisões em prol da cana e do gado, sabotando, assim, o Consórcio legal e legitimamente criado. A outra foi adotar uma orientação técnica retrógrada, rasa e parcial na gestão dos canais que interligam o rio Paraíba do Sul à lagoa Feia e ao rio Guaxindiba.


Estas duas decisões conspiraram contra a ativação e o fortalecimento do Consórcio bem como imprimiram uma direção pobre, pragmática, imediatista e subalterna ao trato da rede de canais. Foi a Serla, pressionada pelos ruralistas e usineiros, que levou os ecologistas a ingressar com uma representação contra o GAI (o que significa contra a Serla) nos Ministérios Públicos Federal e Estadual.


A sofreguidão dos ruralista e usineiros em conseguir ganhos ou a não sofrerem perdas a qualquer custo e a ambição da Serla de atuar sozinha, enquanto órgão não governamental de meio ambiente, numa Região Hidrográfica subordinada ao Comitê da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), pelo menos em metade dela, representa um golpe. Certamente, acarretará conseqüências danosas do ponto de vista ambiental, econômico, social, político e institucional. Para colocar as coisas no seu devido lugar, vislumbro, em caráter de ensaio, as seguintes atitudes:


1) Admitir a possibilidade de mudanças geográficas por conta do aquecimento global. Se o nível do mar subir e os fenômenos climáticos extremos se acentuarem, haverá perda de território, alterações de salinidade do solo, prejuízos ambientais, econômicos e sociais.


2) Formulação de um zoneamento ecológico-econômico regional. Este zoneamento separa as áreas de valor ecológico daqueles destinadas ao extrativismo, à agropecuária, à indústria e às cidades. Delimitando-se as áreas de preservação permanente, as unidades de conservação, as destinadas a proteção futura e as reservas legais, define-se a zona ecológica. Promovendo-se o zoneamento edafo-climático, estará estabelecida a grande zona econômica rural. O presidente da Associação Fluminense dos Plantadores de Cana (Asflucan) já deu entrevista sobre o assunto na imprensa local, mas não esclareceu o que entende por plano diretor. Este plano não pode mais ser apenas municipal. Ele tem de, no mínimo, aplicar-se às áreas dos tabuleiros, da planície aluvial e das restingas. De pronto, reconhecemos três grandes zonas para a agropecuária até definição científica minuciosa: a mais alta destinar-se-ia à cana, entre outras culturas, pois a mono-atividade é sempre perversa para o ambiente e para o trabalhador. A diversificação daria mais estabilidade à economia regional. Agora, os plantadores de cana e os usineiros tentam nos comover com a possibilidade de extinção da agroindústria sucro-alcooleira, como se fôssemos chorar copiosamente. Numa economia diversificada, a crise de uma atividade é compensada com o funcionamento normal de outra. A segunda zona é constituída pelas terras baixas. Depois de demarcados os rios e as lagoas com seus leitos maiores, as terras baixas destinar-se-iam às culturas de ciclo curto, também diversificadas, praticadas entre os períodos chuvosos. Haveria espaço para o gado, que pode se deslocar nas cheias. O ideal é a agricultura familiar de alimentos. A terceira zona compreende terras salinizadas ou que se salinizam, apesar de todo o esforço do Departamento Nacional de Obras e Saneamento em expulsar o sal para o mar. A melhor opção para elas é a pesca.


3) Delimitação precisa da Região Hidrográfica 09. Ao sul, ao norte e a oeste, esta RH já está delimitada. A leste, proponho o rio Guaxindiba, que está ligado ao Paraíba em sua foz. Como manda a norma, esta RH só pode ter um comitê de bacia, reunindo representantes dos governos federal, estadual, municipais, dos produtores e da sociedade civil. O órgão deliberativo máximo da RH estará vinculado ao Ceivap, incluindo a bacia da Lagoa Feia. Assim, dissolve-se o nefando Grupo de Ação Integrada.


4) Gestão das bacias da RH 09. O plano de gestão da bacia deve ter orientação ecológica, inclusive para o uso econômico dos ecossistemas aquáticos. Fala-se muito em desenvolvimento sustentável como fachada. No entanto, ele nunca é praticado. Este plano deve distinguir ações a curto prazo (emergenciais) e a médio prazo, sem nunca perder de vista o longo prazo, que pretende a sustentabilidade de todos os sistemas incluídos na RH 09.


Mais uma vez, suspeito estar pensando alto no meio de broncos.



Fonte: Folha da Manhã (Arthur Soffiat
Contato (xxx@uol.com.br)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O caminho para Samarra

Um soldado da antiga Bassora, na Mesopotânia, cheio de medo, foi ao rei e lhe disse:"Meu Senhor, salva-me, ajuda-me a fugir daqui; estava na praça do mercado e encontrei a Morte vestida toda de preto que me mirou com um olhar mortal; empresta-me seu cavalo real para que possa correr depressa para Samarra que fica longe daqui; temo por minha vida se ficar na cidade". O rei fez-lhe a vontade.

Mais tarde o rei encontrou a Morte na rua e lhe disse:" O meu soldado estava apavorado; contou-me que te encontrou e que tu o olhavas de forma estranhíssima". "Oh não", respondeu a Morte, "o meu olhar era apenas de estupefação, pois me perguntava como esse homem iria chegar a Samarra que fica tão longe daqui, porque o esperava esta noite lá".

Essa estória é uma parábola da aceleração do crescimento feito à custa da devastação da natureza e da exclusão das grandes maiorias. Ele nos está levando para Samarra. Em outras palavras: temos poquíssimo tempo à disposição para entender o caos no sistema-Terra e tomar as medidas necessárias antes que ela desencadeie consequências irreversíveis. Já sabemos que não podemos mais evitar o aquecimento global, apenas impedir que seja catastrófico. A nivel dos governos, não se está fazendo nada de realmente significativo que responda à gravidade do desafio. Muitos crêem na capacidade mágica da tecno-ciência: no momento decisivo ela seria capaz de sustar os efeitos destrutivos. Mas a coisa não é bem assim. Há danos que uma vez ocorridos produzem um efeito-avalanche.

A natureza no campo físico-químico e mesmo as doenças humanas nos servem de exemplo. Uma vez desencadeada, não se pode mais bloquear uma esplosão nuclear. Rompidos os diques de Nova Orleães nos USA, não é mais possível frear a invasão do mar. Na maioria das doenças humanas ocorre a mesma lógica. O abuso de alcool e de fumo, o excesso na alimentação e a vida sedentária começam a princípio prudizindo efeitos sem maior signficação. Mas o organismo lentamente vai acumulando modificações, primeiramente funcionais, depois orgânicas e, por fim, atingindo certo patamar, surge uma doença não mais reversível.


É o que está ocorrendo com a Terra. A "colonia" humana em relação ao organismo-Terra está se comportando como um grupo de células que, num dado momento, começa a se replicar caoticamente, a invadir os tecidos circundantes, a produzir substâncias tóxicas que acaba por envenenar todo o organismo. Nós fizemos isso, ocupando 83% do planeta.
O sistema econômico e produtivo se desenvolveu já há três séculos sem tomar em conta sua compatibilidade com o sistema ecológico. Hoje nos damos conta de que ecologia e modo industrialista de produção que implica o saque desertificante da natureza são contraditórios. Ou mudamos ou chegaremos à a Samarra, onde nos espera algo sinistro.

A Terra como um todo é a fronteira. Ela coloca em crise os atuais modos de produção que sacrificam o capital natural e as formações sociais construidas sobre o consumismo, o desperdício, o mau trato dos rejeitos e a exclusão social.

Três problemas básicos nos afligem: a alimentação que inclui a água potável, as fontes de energia e a superpopulação. Para cada um destes problemas não temos soluções globais à vista. E o tempo do relógio corrre contra nós. Agora é o momento de crise coletiva que nos obriga a pensar, a madurar e a tomar decisões de vida ou de morte.


Leonardo Boff - Teólogo

Fonte: lboff
Contato ( lboff@leonardoboff.com)
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Privatização da Amazônia é lamentável, afirma Aziz Ab’Saber

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou nesta segunda-feira (24) numa conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, a privatização de áreas da floresta amazônica. A primeira área a ser licitada fica na região do Jamari (RO). A unidade possui 220 mil hectares, dos quais 90 mil hectares serão privatizados.

A Ministra alega que a privatização terá como alvo a exploração sustentável da floresta por meio de empresas nacionais e ressaltou que a medida ajuda no combate à grilagem de terras na região.

O geógrafo Aziz Ab’Saber criticou a medida.

“É lamentável que no momento em que o país inteiro faz um movimento para quebrar a questão da eleição da companhia Vale do Rio Doce que redundou numa privatização absurda, alguém lá do Ministério do Meio Ambiente, assessorado por idiotas, resolve fazer uma primeira concessão de áreas florestais para [uso de] particulares”.

Para ele, a exemplo do que aconteceu com a Vale do Rio Doce, a privatização trará renda apenas para os intermediadores do comércio dos produtos da floresta com o mercado nacional e estrangeiro.

Aziz afirmou que o argumento de evitar grilagens é precário e que o Ministério do Meio Ambiente não terá controle sobre a extração de produtos, porque nunca desenvolveu nenhum projeto de exploração sustentável na região.

“Dizer que ao invés de possibilitar grilagens na floresta, é melhor fazer uma privatização parcial, significa dizer que o ministério não tem condições de fazer uma fiscalização de áreas florestais mais contínuas. Eles dizem sempre que vão conceder desde que haja uma ocupação auto-sustentada, só que nem eles sabem como fazer uma ocupação auto-sustentada piloto na Amazônia”.

De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

Fonte: http://www.radioagencianp.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3036&Itemid=1

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Artigo: A floresta em Brasília - Danilo Pretti Di Giorgi

Enquanto escrevo este texto, a Aliança dos Povos da Floresta promove, em Brasília, o 2º Encontro Nacional dos Povos das Florestas. O encontro anterior – ocorrido em março de 1989, meses depois do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, um dos principais entusiastas do encontro e da formação da Aliança - foi um evento histórico.

Chico Mendes tornou-se mártir da luta pela preservação da Amazônia e as questões ambientais têm recebido atenção crescente da imprensa. Apesar disso, os grandes veículos de comunicação praticamente ignoram o acontecimento. Por quê? Mais: o que índios e seringueiros têm em comum, além de tradicionalmente ocuparem a região amazônica e lutarem contra um inimigo comum, representado pelo capitalista dos setores da mineração, da pecuária e da agricultura industrial? O que pode sair de realmente novo de um encontro destes grupos na capital federal, sede do poder estabelecido daquele mesmo capitalista, e financiados, em última instância, pelo capital?

A Aliança, rede composta pelo Grupo de Trabalho Amazônico, pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e pelo Conselho Nacional dos Seringueiros, representa mais de 1.100 organizações das florestas brasileiras e esteve desarticulada durante todos estes anos. Não são muito claras as razões deste longo intervalo. Possivelmente a falta de outras afinidades, além da luta contra aquele inimigo genérico comum, explique esta desarticulação. Talvez a pulverização e o grande número de entidades, somados às dificuldades de deslocamento na região amazônica sejam outros fatores.

De toda forma, pelas declarações de seus líderes, os integrantes aparentam ter compreendido, ao menos no discurso, a importância de somar esforços "em defesa da preservação das florestas, sobretudo para as gerações futuras". Resta-nos perguntar então: serão todos esses grupos realmente preservacionistas? Ou a união é simplesmente o resultado inevitável da luta desigual contra o enorme poder do capital, carecendo, assim, de um embasamento mais sólido que sustente uma ideologia comum? O que fariam estes mesmos povos de posse de recursos materiais comparáveis aos dos capitalistas do sul? Seria injusto dizer que repetiriam a história de devastação atual?

Os porta-vozes do encontro apontam como uma grande preocupação o avanço da monocultura de soja e da pecuária sobre o Centro-Oeste e o Norte do país. Incluem na lista também as obras de infra-estrutura previstas para a região pelo PAC. Os temas a serem discutidos incluem ainda conhecimento tradicional, comércio justo, biodiversidade, redução da pobreza e aquecimento global.

Chamou-me a atenção, no site oficial, o texto com os objetivos do encontro, que reproduzo a seguir, na íntegra:




  • Plantar conhecimento para fazer reencontrar o destino das florestas brasileiras com o coração esperançoso dos que lutam e trabalham pela continuidade da vida no nosso planeta terra.



  • Gerar diálogos entre nossas gentes, nossas sociedades, nossas empresas e nossos governos para fazer crescer o fio d'água que haverá de reinventar as vertentes de um modelo de desenvolvimento socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente sustentável.


  • para fazer brotar na Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e no Pantanal - no que sobra de florestas no chão do Brasil - uma geografia da razão voltada para manter vivas as nossas florestas para as gerações presentes e futuras.




    Testemunhamos hoje os principais líderes mundiais perdidos com as notícias sobre as conseqüências do aquecimento global. Muitas reuniões, muita tentativa de acordo sobre os valores das reduções na emissão de carbono, mas muito pouco (ou nada) de propostas concretas sobre como promover essa redução na prática, que é o que realmente interessa. Terão estes povos propostas originais e novas respostas para o grande desafio da humanidade?

    Escutar com carinho e atenção o que será debatido neste encontro e conceder um olhar cuidadoso aos frutos das reuniões agendadas seria uma decisão sábia. Frutos que esperamos serem realmente novos, que possam ir além do óbvio que já se sabia antes do encontro, e que fujam das generalidades como as apontadas acima. Se não, corremos o risco de que a simples realização do encontro seja apenas mais um argumento do poder constituído, que teria mais uma desculpa para se auto-afirmar como uma democracia de fato, onde todos teriam direito a voz. Em outras palavras, um resultado inócuo de um encontro com um significado tão forte pode fortalecer aqueles que insistem na perpetuação do modelo atual.

    Espero que as reuniões possam trazer novas pistas que nos indiquem caminhos para sair deste labirinto onde estamos metidos e do qual ninguém até agora parece ter a mínima idéia de como sair. Aguardemos os resultados.


    Danilo Pretti Di Giorgi é jornalista.
    Email:
    digiorgi@gmail.com




  • Fonte: Ambiente Cidadania
    Contato (ambiente.cidadania@gmail.com)

    MG: Expedição registra aspectos naturais e culturais na bacia do Mucuri

    Conhecer profundamente cada município da bacia hidrográfica, seus valores naturais e culturais, mobilizar a sociedade local para ser parceira na construção do desenvolvimento sustentável da região e discutir e incentivar a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica. Estes são os principais objetivos da Expedição Mucuri, que começa no dia 21 de setembro e percorre, durante dezessete dias, os 321 quilômetros de extensão do rio principal, seis afluentes e os 17 municípios da bacia. A promoção é do Movimento Pró Rio Todos os Santos e Mucuri, com o apoio do Sistema Estadual de Meio Ambiente (Sisema) e prefeituras municipais.


    A viagem exploratória terá início no município de Águas formosas, a 615 quilômetros de Belo Horizonte, por onde passa um dos principais afluentes do rio Mucuri, o Pampã. No dia 30 outro grupo sairá da nascente do rio Mucuri do Sul, no município de Malacacheta. No mesmo dia, uma terceira equipe iniciará a viagem pela nascente do rio Mucuri do Norte, no município de Ladainha. Música, teatro e danças regionais marcarão as aberturas em todos os três municípios. Ao longo do dia, as equipes visitarão córregos da região e comunidades ribeirinhas.


    Os grupos que descerem os rios Mucuri do Norte e Mucuri do Sul se encontram no município de Teófilo Otoni e seguem, no dia 1º de outubro, para o distrito de Mucuri, onde serão realizadas exposições de arte, apresentações culturais e escolares, plantio simbólico de mudas e atividades como rapel e tirolesa. Nesse dia, às 15h, será promovida reunião pública e discutidos os desafios ambientais da bacia. No dia 4 de outubro, todos os grupos se encontram no município de Carlos Chagas, onde acontecerá outra reunião pública.

    Durante a expedição, haverá equipes percorrendo o rio em barcos e caiaques e a outra, viajando por terra, utilizando veículos e, em alguns trechos, também bicicletas e cavalos. Os grupos que descerão o rio serão responsáveis pelo levantamento da qualidade e vazão da água; da degradação ambiental da região; da conservação dos biomas, das formações geológicas e dos principais afluentes. As equipes que descerão por terra farão o levantamento socioambiental, econômico, histórico e cultural das comunidades, por meio de reuniões e entrevistas.



    Também estão no roteiro da expedição os municípios mineiros de Caraí, Catuji, Crisólita, Fronteira dos Vales, Itaipé, Nanuque, Novo Oriente de Minas, Pavão, Serra dos Aimorés, Umburatiba, Poté e Padre Paraíso. A viagem será concluída no dia 07 de outubro, no município de Mucuri, no Extremo Sul da Bahia, com a solenidade de encerramento agendada para as 10h, na Praça do Peruá.



    Registro
    As imagens e os dados coletados durante a expedição serão publicados em livro e vídeo documentário sobre a bacia hidrográfica e no site
    www.institutomucuri.com “O levantamento socioambiental da bacia do rio Mucuri será um instrumento estratégico para o desenvolvimento local sustentável”, afirma a presidente do Movimento Pró Rio Todos os Santos e Mucuri e coordenadora da comissão pró-comitê da bacia, Alice Godinho. “Acreditamos que o envolvimento das comunidades locais no evento também é fundamental para a construção de uma consciência ambiental, socioeconômica e cultural em cada município que a expedição visitar”, complementa.



    Conhecendo a bacia
    O rio Mucuri nasce com a junção dos rios Mucuri do Norte e Mucuri do Sul, no município de Ladainha, em Minas Gerais, e deságua no oceano Atlântico no município de Mucuri, na Bahia, em um percurso de 321 quilômetros.


    Seus principais tributários são os rios Todos os Santos e Preto, pela margem direita, e os rios Pampa e Marambáia, pela margem esquerda. Além destes, a bacia é formada por mais de 8 mil cursos de água, entre córregos, rios e ribeirões.


    A bacia hidrográfica do rio Mucuri drena uma área de 18.177 km², envolvendo, total ou parcialmente, 22 municípios. Considerando aqueles que têm mais de 10% de sua área drenando águas para o rio Mucuri, são 17 municípios.



    Mais informações


    Movimento Pró Rio Todos Os Santos
    Telefone: (33) 3522-1402 // (31) 8797-7063 (Caroline)
    E-mail:
    expedicaomucuri@gmail.com // caroline.correia@igam.mg.gov.br



    Fonte: Assessoria de Comunicação do S
    Contato (ascom@igam.mg.gov.br)