sábado, 15 de setembro de 2007

Aquecimento global: Uma mentira conveniente

por Andrew Marshall

Recentemente foi apresentado no Canal 4 do Reino Unido o documentário The Great Global Warming Swindle (A grande burla do aquecimento global) que afrontou o discurso político oficial de que o "aquecimento global" e as "alterações climáticas" são causados pelas actividades humanas. O documentário, com o testemunho de muitos cientistas e especialistas do clima, que crescem em número avassalador contra aquela teoria oficial, apresenta como causa principal das alterações climáticas as variações da actividade solar. É, apesar de tudo, uma teoria [que se contrapõe a outra, mas que não esgota o assunto]. Assim que se começou a dizer, estranhamente, que o "debate está concluído", porque em ciência o debate nunca está concluído, começaram a aparecer perguntas, que deviam ser respondidas, e a surgir novos temas que conduzem a avanços da ciência [climática].

Primeiramente, é muito importante considerar que a Terra não é o único planeta do nosso sistema solar que passa por um período de aquecimento. De facto, muitos astrónomos anunciaram que Plutão tem experimentado um aquecimento global que se trata de um fenómeno sazonal já que, como as variações das estações na Terra, alteraram as condições hemisféricas com a variação da inclinação em relação ao Sol. Devemos recordar que é o Sol que determina as nossas estações e que tem verdadeiramente o maior impacto no clima do que poderíamos alguma vez supor. Em Maio de 2006, um relatório revelou que ocorreu em Júpiter uma tempestade, semelhante a um furacão, que deve ter causado uma alteração climática no planeta com um aumento de temperatura de 10 graus Celsius. A National Geographic News publicou um relatório que afirma ser a simultaneidade dos aumentos de temperatura na Terra e em Marte uma indicação de um fenómeno climático natural em vez de provocado pelo Homem. O relatório acrescenta ter a NASA afirmado que os mantos gelados de dióxido de carbono de Marte derreteram há poucos anos. Este fenómeno soa a algo familiar? Um observatório astronómico da Rússia declarou que "estes factos observados em Marte são uma prova de que o aquecimento global terrestre está a ser causado pelas alterações verificadas no Sol". Afirmou ainda que tanto Marte como a Terra, através das suas histórias, têm conhecido idades de gelo periódicas quando o clima muda de forma contínua. A NASA tem observado também tempestades maciças em Saturno que indicam alterações do clima que estão a acontecer naquele planeta. O telescópio espacial Hubble, da NASA, tem registado alterações climáticas maciças em Tritão satélites [meteorológicos] que medem a temperatura solar têm registado um aumento da sua temperatura , significando que a radiação solar está a aumentar. O London Telegraph noticiou em 2004 que o aquecimento global era devido ao aumento da temperatura do Sol que está mais alta do que nunca desde há mil anos . A notícia referia que esta conclusão fora obtida em investigações conduzidas por cientistas alemães e suíços que afirmaram ser o aumento da radiação solar a causa das alterações climáticas.

Claude Allègre, cientista francês de nomeada [ex-ministro da Ciência], que foi dos primeiros cientistas a chamar a atenção da opinião pública para os perigos do aquecimento global, há 20 anos, afirma actualmente que "existem provas crescentes de que a principal causa do aquecimento global é originada por fenómenos da Natureza" . Allègre disse que "não existem quaisquer bases para afirmar, como faz uma maioria, que a «Ciência [do aquecimento global] está acabada» ". Está convencido que o aquecimento global é uma variação natural e não vê na ameaça anunciada de "grandes perigos" mais do que enormes exageros. Também, recentemente, o presidente da República Checa, Vaclav Klaus , ao falar sobre o relatório do IPCC [4º Sumário para os Decisores Políticos, do Intergovernmental Panel on Climate Change, aprovado em Fevereiro de 2007] considerou que " O aquecimento global é um falso mito como dizem [já] muitos cientistas e pessoas sérias. Não é correcto consultar o IPCC. O IPCC não é uma instituição científica: é uma organização política, uma espécie de organização não-governamental de cor verde. Não é um fórum de cientistas neutros nem um grupo equilibrado de cientistas. São cientistas politizados que atingem lugares cimeiros com uma opinião preconceituosa e um objectivo pré-definido." E ao perguntar-se-lhe qual a razão por que não aparece nenhum outro político a dizer o que ele afirma, Klaus respondeu que "outros políticos de alto nível não exprimem as suas dúvidas sobre o aquecimento global por que a disciplina politicamente correcta estrangula-lhes a voz". Nigel Calder, ex-editor da revista New Scientist, escreveu um artigo no Sunday Times, do Reino Unido, em que afirma: "quando os políticos e os jornalistas declaram que a ciência do aquecimento global está estabelecida [definitivamente] mostram uma ignorância lamentável sobre como se aplica o método científico". Disse ainda que "Há vinte anos que a investigação científica do clima se politizou a favor de uma hipótese particular." E, relativamente àqueles que os media consideram dissidentes da teoria oficial, Nigel disse: "Imagina-se que quem apresenta dúvidas acerca do aquecimento global deve estar a ser pago pelas companhias petrolíferas". Foi exactamente o que eu acreditei até investigar as suas verdadeiras razões. Acrescentou: "O alarmismo do medo do aquecimento global promove cabeçalhos [nas primeiras páginas] dos media sobre as ondas de calor, que têm origem diferente [do aquecimento global], e relega para páginas interiores, dedicadas à economia, os milhões de dólares perdidos nas colheitas de Inverno da Califórnia devido à geada anormal".

Para aqueles que viram o documentário de Al Gore, aquilo era muito convincente quanto à hipótese do aquecimento global ser um fenómeno desencadeado pelo Homem com o potencial de matar toda a gente e acabar com a humanidade. Apesar de tudo, o filme foi preenchido com gráficos e mapas, de modo a parecer verdadeiro. Comecemos por algo que é indiscutível. Al Gore não é um climatologista, meteorologista, astrónomo ou um cientista de qualquer ramo. Ele é um político. E como todos sabemos, os políticos dizem "sempre" a verdade. No entanto, como a popularidade de Al Gore cresceu com o recente prémio da Academia [de Hollywood] pelo seu filme, o tema subiu em espiral com um impulso forte para uma acção rápida e um debate acalorado, forçando muitos cientistas a falar e a questionar a política do status quo. Um grupo de cientistas disse recentemente que o que está por trás do filme de Al Gore, como o conceito do aquecimento global provocado pelos gases com efeito de estufa, era "uma fraude" . Afirmam, de facto, que existe uma prova muito fraca para sustentar aquela teoria e que a prova [forte] aponta actualmente para o aumento da actividade solar como causa das alterações climáticas. No filme de Al Gore apresenta-se a prova dos cilindros de gelo retirados do Antárctico como demonstrativa da teoria de ser o [aumento da concentração do] CO 2 a causa do aumento da temperatura. No entanto, este grupo de cientistas afirma que "períodos mais quentes na história da Terra sucederam 800 anos antes do aumento da concentração do dióxido de carbono", significando que o crescimento da concentração se atrasa em relação ao da temperatura. Isto é, as emissões [naturais] crescem com um atraso de 800 anos em relação ao aumento da temperatura. O grupo salienta também que "após a Segunda Guerra Mundial verificou-se um aumento significativo de emissões de dióxido de carbono [acompanhando a explosão económica da reconstrução europeia] e, contudo, a temperatura média global baixou durante [cerca de] quatro décadas seguidas, a partir de 1940." Chamam ainda a atenção para o facto de a ONU [IPCC] reivindicar a participação de 2000 cientistas líderes internacionais na redacção de um relatório [sumário editado em Fevereiro de 2007], o que é uma fraude, quando se sabe que a lista contém nomes de cientistas que pediram para serem retirados dela por não estarem de acordo com as conclusões [apresentadas publicamente].

Timothy Ball, um dos primeiros canadianos doutorados em climatologia, escreveu recentemente um artigo onde se admira de ninguém escutar os cientistas que afirmam que o aquecimento global NÃO É devido ao Homem . Começa por dizer "Acredite-se ou não, o aquecimento global não é devido à contribuição humana para a concentração atmosférica do dióxido de carbono. Estamos perante o maior erro da história da ciência." Continua "Desperdiçamos tempo, energia, e milhares de milhões de dólares e criamos medo e consternação desnecessários num tema sem justificação científica." Menciona os milhares de milhões gastos em propaganda pelo Departamento do Ambiente do Canadá que defende "uma posição científica indefensável, enquanto ao mesmo tempo fecha estações meteorológicas e falha na legislação de medidas contra a poluição". O Dr. Ball levanta uma questão interessante, que todos deveriam ter em consideração, quando há cerca de 30 anos, nos anos 1970, [os mesmos] falavam no "arrefecimento global", alarmavam com a implicação deste nas nossas vidas, nas de outras espécies, e na própria sobrevivência que estava ameaçada. É interessante como se parece com o actual alarido dos políticos canadianos. Ball continua a explicar que as alterações climáticas ocorrem como sempre ocorreram devido [essencialmente] às variações da temperatura do Sol. Explica que estamos ainda a sair do que se designa por Pequena Idade do Gelo e que a história da Terra é fértil em alterações do clima. O que o clima faz actualmente é o que sempre fez, isto é, altera-se. O Dr. Ball afirma que "não há nada de incomum no que está a acontecer" e que "é contrário ao alarmismo que se anunciava com o arrefecimento global e ao que se anuncia agora com o aquecimento global."

O Dr. Timothy Ball escreveu mais tarde, ao comentar os problemas que se levantam aos cientistas que são contra o discurso oficial, que "Infelizmente, a minha experiência mostra que as universidades se tornaram dogmáticas e repressivas dentro da nossa sociedade. Esta posição tem-se vindo a tornar cada vez pior na medida em que elas recebem cada vez mais subsídios governamentais por defenderem o ponto de vista oficial". Menciona ainda que "foi acusado, pelo ambientalista canadiano David Suzuki, de ser pago pelas petrolíferas". Conclui apontando autores que se afirmam continuadamente contra o mito do aquecimento global de origem humana. É o caso de Michael Crichton [que se interessa também, embora médico, pela ciência climática] que escreveu o livro «Estado de Pânico» onde explica a imprecisão científica que está por de trás do mito. Um outro proeminente cientista apontado é Richard Lindzen, físico da atmosfera, professor de meteorologia do MIT, que fala frequentemente em público contra a teoria do aquecimento devido aos humanos mesmo que não o queiram escutar.

Um artigo do Washington Times, publicado em 12 de Fevereiro de 2007 discute como os cépticos do Aquecimento Global são tratados como "párias" . O artigo começa "Os cientistas cépticos das teorias do aquecimento global dizem que são cada vez mais alvo de ataques – tratamento de certos analistas a quem apresente visões que contrariam o efeito de estufa [antropogénico]". É citado um exemplo deste género ao referir um climatologista de Oregon ser descartado da sua posição pelo Governador ao falar [publicamente] contra as origens [invocadas] do aquecimento global. A maioria dos cépticos não afirma que o aquecimento global não esteja a acontecer. Eles discordam apenas quanto às causas. Mesmo assim são chamados de traidores. [Apesar de tudo], um estudo financiado pela NASA em 2003 afirma que "alterações no ciclo solar – e a radiação solar – são reconhecidas como causas possíveis de mudanças do clima na Terra, a curto prazo".

Numa tempestade de cientistas falando contra o filme de Al Gore, um Prof. [ Bob Carter ] australiano do Laboratório de Geofísica da Marinha afirmou publicamente que "Os argumentos circunstanciais de Al Gore são tão fracos que chegam mesmo a ser patéticos . É simplesmente inacreditável que tenham, juntamente com todo o filme, atraído atenção do público". Em resposta à utilização das imagens, no filme de Al Gore, sobre os glaciares que recuam, o Dr. Boris Winterhalter, Prof. de geologia marinha e antigo investigador da Marinha na Geological Survey da Finlândia, disse que "A parede do glaciar a quebrar [Perito Moreno, na Patagónia] é um fenómeno cíclico normal que ocorre devido ao avanço natural do glaciar [sobre um lago]". Esse avanço tem sentido, como o passado histórico nos mostra, porque aquele glaciar se move continuamente, auxiliado pela inclinação do vale [devido à acção da gravidade], desde o final da última glaciação de há cerca de 10 mil anos. Talvez a minha memória não seja boa, mas penso que há 10 mil anos ainda não existiam SUV [Sport Utility Vehicle – jipe americano] … Um outro uso inteligente das imagens para manipulação dos factos é o do urso polar que parece atrapalhado com uma placa de gelo para indicar que os ursos polares estão em extinção por causa do aquecimento global. No entanto, existem coisas erradas nesta avaliação. Primeiramente, de acordo com um artigo publicado pelo Prof. Igor Poliakov , da Universidade do Alasca, "A região do Árctico onde se verificou uma subida da temperatura [parte oriental, devido às depressões que levam ar quente] que se supõe fazer perigar os ursos polares mostra flutuações desde 1940 sem nenhuma tendência marcada pela subida". Seguidamente, se os ursos polares estivessem em perigo, conforme Al Gore, como se justifica que uma avaliação recente feita pelo governo canadiano conclui que a espécie não está em declínio mas em número crescente ? Em terceiro lugar, a ideia apresentada de um urso polar aflito como argumento de Gore, é verdadeiramente peregrina pois eles são excelentes nadadores de acordo com a Sea World [cadeia de parques temáticos dos EUA] "capazes de nadar durante várias horas seguidas em distâncias que podem atingir cem quilómetros" . O Prof. Carter [referido anteriormente], falando sobre Al Gore e a sua cruzada pessoal, disse "O homem é um embaraço para a ciência dos EUA e os seus muitos assessores (esconderam-se no anonimato, mas são sobejamente conhecidos) ensinaram-lhe apenas junk-science [lixo científico] para a sua cruzada de propaganda". Mesmo que Al Gore dissesse verdades sobre causas do aumento da temperatura, ou das alterações climáticas, e a maior parte das provas que aponta não são verdadeiras, mas mesmo que fossem, ele não deixava de ser um hipócrita. Revelou-se recentemente que ele não pratica o que diz nos seus sermões, nem quanto ao que disse no discurso de aceitação do prémio da Academia [de Hollywood]: "Povo de todo o Mundo, necessitamos de resolver a crise do clima. Não é um assunto político; é um assunto moral". Bem, neste caso, um recente estudo do Tenesse Center for Policy Research mostra que Al Gore apenas numa das suas mansões consome 20 vezes mais energia do que a média dos americanos. Provou-se também que Al Gore consome mais electricidade num mês do que o americano médio num ano!

Ao verificarmos que existem mais provas de que as alterações climáticas estão mais relacionadas com o aumento da temperatura do Sol do que com o comportamento dos povos de todo o mundo, devemos perguntar porque são abafados os esforços para explicar que se trata de um mito e são atacados os que se esforçam nesta missão. De facto, são conhecidos casos de cientistas que receberam ameaças de morte [Telegraph] por se manifestarem contra a teoria oficial do efeito de estufa antropogénico. Há mesmo a tentativa de relacionar aqueles que se manifestam contra o discurso oficial com os que negam a existência do Holocausto. Numa recente op-ed [opinião individual] do Boston Globe comentando o recente relatório emitido pela ONU [IPCC], Ellen Goodman escreveu "Digamos adequadamente que os negadores do aquecimento global estão a par dos autores do negacionismo [dissonância dos conceitos evolucionismo e criacionismo] do Holocausto, embora estes neguem o passado e aqueles neguem o presente e o futuro". Este comentário é muito perturbante, não somente porque existem razões científicas para duvidar da base teórica do aquecimento global, mas também porque é um vil ataque à liberdade de pensamento e de expressão que é o mais vital e importante de todos os direitos e liberdades do Homem.

Tal como o IPCC, os políticos ocidentais são rápidos a declarar que o debate está fechado e que a acção deve ser imediata. Qual é a acção que estes planeiam executar? O Chanceler do Tesouro do Reino Unido, Gordon Brown , previsto sucessor de Tony Blair, apelou publicamente a uma "nova ordem mundial" para combater a ameaça das alterações climáticas. Vejamos qual seria a "nova ordem mundial" a ser implementada para esse combate. Uma das medidas principais que se avança seria a imposição proposta pelo IPCC de uma taxa global de emissões de gases com efeito de estufa . A maioria dos povos ao ouvirem esta proposta pensam "bom, os poluidores que paguem a factura". Bem, isto significaria que quem conduz automóveis teria de pagar [mais] um imposto, já que, de acordo com Al Gore, ao se conduzir um veículo está-se a provocar o aquecimento global. Isto não é um gracejo, visto que um artigo do jornal Guardian do Reino Unido afirma já que "O governo está a preparar o lançamento de um plano em que os condutores seriam obrigados a pagar £ 1,30 por milha para serem autorizados a conduzir no Reino Unido nas estradas mais congestionadas". Significa aproximadamente USD 3,00 [€ 3] por milha. Um estudo conduzido por um especialista em transportes e infra-estruturas calculou que "Um viajante de Birmingham pode ter de pagar cerca de £ 1500 por ano para percorrer 19 mil milhas" . Isso equivale a aproximadamente USD 3000 [€ 3000] por ano [num percurso anual de 30 mil quilómetros]. Não sabemos o seu caso, mas não conhecemos muitos povos com recursos para pagarem aquele imposto. Na União Europeia, planeiam-se aumentos de impostos para o diesel . A Comissão Europeia propôs recentemente "aumentar os impostos para o diesel comercial até 20 % nos próximos sete anos". Seria, segundo ela, para proteger o ambiente porque actuaria como um entrave à mobilidade das pessoas. Esta é precisamente uma daquelas notícias excelentes porque qualquer um que tenha conduzido nos dois anos recentes sabe como os preços dos combustíveis líquidos estão demasiado baixos… Outra preocupação se levanta fora do conceito de aplicar impostos às pessoas que têm de se dirigir para paragens distantes. De acordo com a secretária dos Transportes do Reino Unido, "Todo veículo teria uma caixa negra para permitir que um sistema de satélites siga os movimentos das suas deslocações" . Esta ideia tem levantado grande celeuma no Reino Unido na perspectiva do aumento do uso da tecnologia Big Brother [controlo da movimentação dos indivíduos] nos programas governamentais. No Canadá, as propostas actualmente em cima da mesa recomendam que "Os canadianos devem pagar um suplemento de 10 cêntimos por litro [€ 0,007/litro] de combustível abastecido na bomba de distribuição" , copiando os programas da União Europeia. O mayor de Toronto , no Canadá, pensa também na aplicação de portagens regionais para combater as alterações climáticas .

A União Europeia pensa banir as lâmpadas convencionais de filamento substituindo-as por lâmpadas de menor consumo. Esta substituição estaria completada dentro de dois anos, obrigando 490 milhões de cidadãos dos Estados-membros a efectuar a mudança. Entretanto alguns problemas se levam para este plano [faraónico] já que existem lâmpadas de menor consumo "com toxinas banidas e outras que não encaixam nos suportes que deveriam ser igualmente substituídos". Contudo, a Europa (e Gordon Brown) fala que as lâmpadas "verdes" têm de substituir todas as outras. O Daily Mail afirma que aquelas são 20 vezes mais caras do que as lâmpadas convencionais . Além disso, produzem uma luz mais áspera e descontínua, com uma cintilação de 50 períodos por segundo [frequência da rede eléctrica]. Estas lâmpadas "eficientes" também necessitam mais ventilação do que as normais, o que significa que não servem para ambientes fechados. Estou seguro que estes inconvenientes não incomodarão alguns dos 490 milhões de cidadãos que são forçados à substituição. No Canadá, discute-se se a proibição da utilização das lâmpadas convencionais está incluída na lei Stephen Harper da poluição atmosférica. Esta discussão foi recentemente levantada pelo facto de a Austrália proibir o uso de lâmpadas convencionais a partir de 2010. . Do mesmo modo, a Califórnia aprovou uma lei de proibição a aplicar apenas em 2012 tal como em Nova Jersey. A Royal Phillips Electronics, uma das principais multinacionais que produzem as lâmpadas de substituição, anunciou que vai deixar de produzir lâmpadas convencionais em 2016. Esta decisão vai provocar um custo elevado aos consumidores que deixarão de ter alternativas de utilização dos seus rendimentos [entre custos fixos e de exploração] para ajudar o ambiente. Terão esperança de sobrevivência sem comprar lâmpadas à espera que os governos o façam por si? Boa sorte. Um relatório recente apontava para o Reino Unido ter a pretensão, através de planos agressivos, de vir a ser a primeira economia "verde" do Mundo. Parte deste plano prevê que cada habitação do Reino Unido será "isenta de carbono" dentro de 10 anos, tornando-as em padrões "verdes" exemplares. O governo inglês prometeu fornecer as substituições, o que levou muitos a temerem que seja um método de espionar os donos das casas para garantir que eles se tornem "verdes". Blair Gibbs, membro da Taxpayer's Alliance [organização de contribuintes], crítico do programa governamental, afirmou "É bastante mau que os políticos queiram levar tanto dinheiro em impostos. É inaceitável que eles se queiram introduzir nas nossas casas para se habilitarem a penalizar ainda mais os contribuintes."

Não digo que não seja uma boa ideia tomar iniciativas para melhorar o ambiente. Mas peço-vos para terem em consideração o seguinte: se, de facto, a maioria dos dados científicos aponta para o Sol como causa do aquecimento global, um imposto de emissões de carbono ajudará a travá-la? Como é que nós que conduzimos veículos [na Terra] somos capazes de provocar alterações climáticas em Marte, Júpiter, Plutão, Neptuno e Tritão? Pode Al Gore, por favor, explicar-me isto? Se [a concentração] do CO 2 aumentar como RESULTADO do aumento da temperatura, podemos nós resolver alguma coisa com as taxas de emissões? Isso é o mesmo que tentar impedir o processo de embranquecimento dos cabelos dos seres humanos quando envelhecem. Não é o cabelo branco que causa o envelhecimento, ele é um efeito do envelhecimento. E não há nada a fazer para impedir o embranquecimento enquanto for vivo. Este é um processo natural que não pode ser evitado e que acontece sempre, acontece sempre. Tão certo como as alterações climáticas.

Parece inquietante que políticos estejam demasiado ansiosos para agarrar neste mito do aquecimento global antropogénico a fim de nos tornar receosos e culpados. Culpados bastante para o desejarmos mudá-lo e receosos bastante para abdicarmos da nossa liberdade e submetermo-nos a despesas financeiras maciças a fim de fazer o que eles pretendem. Deste modo, esta mentira empurra-nos para aceitarmos mais gastos de dinheiro e para aceitarmos governos maiores e mais fortes. É, na realidade, uma mentira conveniente para aqueles que querem exercer o controlo da nossa vida e do nosso dinheiro. No entanto, é uma mentira inconveniente para a quantidade maciça de povos que estão já a sofrer problemas de uma classe média em desvanecimento.

Se os problemas que nos estão a ser apresentados são baseados em mentiras, então que esperança temos de encontrar uma solução verdadeira para ajudar o ambiente? Um imposto global não limpará o óleo derramado pelo Exxon Valdez que ainda está a poluir as águas do Alasca 18 anos após o desastre. Um imposto global não impedirá que a Shell continue a fazer do delta do Níger um dos sítios mais perigosos do Mundo . Não. Temos de ser realistas em primeiro lugar. Maduros nos debates sobre os problemas que enfrentamos. Então, e somente então, podemos ter esperança de conseguir encontrar qualquer sorte de solução [que interesse a a todos].
, o maior satélite lunar de Neptuno. Tritão, cuja superfície já foi constituída por azoto gelado, roda agora envolvido em gás. A Associated Press relatou que os

[*] Estudante da Universidade Simon Fraser, Vancouver, Colúmbia Britânica, Canadá.

O original encontra-se em globalresearch.ca . Tradução de MCP.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

América do Sul: 45% das espécies do continente estão ameaçadas


imagem_677.gifA Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas foi divulgada nesta quarta-feira (12) pela União Mundial para a Natureza (UICN) com um grave alerta para a região mais biodiversa do planeta: 45% das espécies da América do Sul estão incluídas nela. São 10.930 espécies, das quais 29 já estão extintas, outras seis estão extintas em estado silvestre (o que significa que só restam poucos exemplares e em cativeiro), 619 possuem perigo crítico, 1.280 têm estado de perigo e 2.219 são espécies vulneráveis.

A atual situação dessas espécies é conseqüência da perda do habitat, condições de pobreza e uso não sustentável dos recursos naturais, espécies invasoras e a mudança climática. Tudo influência direta das depredadoras atividades humanas.

"A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN nos põe em contato com a realidade da extinção das espécies provocada pelos seres humanos e nos leva a promover ações urgentes para evitar a perda de biodiversidade e o detrimento dos meios de vida das populações locais" disse Robert Hofstede, diretor regional ad interim do escritório da UICN para a América do Sul.

Na América do Sul, um de cada quatro anfíbios estão ameaçados. Assim como 15% dos mamíferos e 10% das aves. Algumas espécies da região estão pela primeira vez na lista, como os Galápagos. O coral de floreana e o de Wellington estão em perigo crítico, suas populações declinaram drasticamente desde 1982, em razão da mudança climática e do fenômeno do El Niño.

Na Argentina, 1.684 espécies estão incluídas na Lista Vermelha 2007. Dessas, 194 se encontram ameaçadas, 12 em perigo crítico. Há 49 espécies de aves ameaçadas, 30 de peixes, 29 de mamíferos e 29 de anfíbios. A conífera endêmica da Venezuela, Podocarpus pendulifolius, foi avaliado como "dados insuficientes" em 2006, e agora está como em perigo. Outras espécies de árvores do país, como a mogno ou o cedro (Cedrela odorata), também se encontram como vulneráveis, devido à alta pressão comercial.

Austrolebias cinereus, um breu de água doce que só existe em um pequeno rio temporário na bacia baixa do rio Uruguai entrou pela primeira vez na lista da UICN de 2007 como espécie em perigo crítico. No Brasil, espécies marinhas, como o breu guitarra (Rhinobatos horkelii), estão em estado mais grave que em 2006. De "em perigo" passaram a "em perigo crítico", devido às capturas



Fonte: Ecopress / Envolverde / Adital)



Fonte: Ecopress
Contato (xxx@rebia.org.br)

Sociólogo alerta para riscos sociais e ambientais trazidos por interesses internacionais na Amazônia


Professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), o sociólogo Luiz Fernando Novoa alerta: as grandes obras na Amazônia, patrocinadas com dinheiro de multinacionais, estão passando sobre os direitos humanos de quem mora na região para criar poderosos nichos de mercado onde os beneficiados serão os próprios investidores. O processo ganhou o aval dos governos sul-americanos em 2000, com a assinatura da Integração da Infra-Estrutura Regional na América do Sul (Iirsa) é e entusiasticamente defendido pelo governo Lula.

Para Novoa, o desenvolvimento sustentável tornou-se a mais nova investida desse capital internacional, velho conhecido dos movimentos sociais e que tenta há décadas instaurar o mesmo ciclo de miséria, violência e descontrole ambiental que ameaça a sobrevivência no resto do planeta.

Veja uma breve entrevista com o integrante da Rede Brasil, que em Rondônia faz grande mobilização popular sobre as hidrelétricas do Madeira exatamente pela falta de clareza nas conseqüências dessas obras.

O que é e como nasceu o Iirsa?
Iirsa quer dizer Integração da Infra-estrutura Regional na América do Sul e vem sendo discutido desde 2000 a partir da Cúpula de Presidentes de América do Sul, realizada em Brasília, entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro de 2000, a convite do então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Algumas pessoas reclamam que as críticas ao desenvolvimento não levam em conta a necessidade dos povos da região. Não é isso o que o Iirsa propõe, desenvolvimento, apenas?
O Iirsa é um megaprojeto centrado essencialmente nos setores de transporte, energia e telecomunicações que pretende criar grandes canais, multimodais, construindo e interligando a utilização de hidrovias, rodovias, aeroportos e portos.

Desculpe, o que significa "multimodais"?
São chamados "multimodais" exatamente por fornecerem múltiplos "modos" de transporte. Quando observamos o mapa do Iirsa, vemos que se trata de um projeto de infra-estrutura voltado ao desenvolvimento de canais de exportação dos recursos naturais da América do Sul para fora.

Qual a conexão do Iirsa com outros projetos de integração do continente?
A Alca busca essencialmente liberalizar o comércio e o investimento e inversamente proteger a tecnologia e o conhecimento científico (e é bom ler "liberalizar" como dar plena liberdade ao capital privado, privatizar e concentrar poder nas corporações transnacionais). Além da Alca estamos hoje identificando no continente vários outros projetos chamados de livre comércio. A maior parte deles são tratados pelos EUA com outros países do continente americano, seja individualmente, como o Tratado entre os EUA e o Chile, assinado em dezembro de 2002, seja com um bloco sub-regional, como o Tratado de Livre Comércio em negociação com a América Central, e outro com os países que compõem o Pacto Andino. A Alca e outros tratados de livre comércio são de fato estratégias continentais dos EUA para controlar o comércio e o investimento de todas as Américas.

Mas em todos há sempre interesse dos EUA?
Alguns desses acordos são firmados apenas entre outros países, são acordos de comércio, não? Calma, no plano subcontinental existem outros projetos. É o caso do Plano Puebla - Panamá, localizado entre o México e a América Central, visando essencialmente a construção e interligação da infra-estrutura viária e hidroviária daquela região, além de abranger o setor de energia, de telecomunicações e de turismo. Outro projeto, que se insere no âmbito sub-continental, é a construção de um novo canal do Panamá na fronteira com a Colômbia: o canal inter-oceânico Atrato-Truandó (opção do estado colombiano) e/ou Atrato-Cacarica-San Miguel (opção proposta e preferida pelos Estados Unidos). Esse novo canal é o elo de ligação entre o Plano Puebla-Panamá (PPP) e o Iirsa, uma vez que ele permite a ligação geográfica entre a América Central e a América do Sul, independente do antigo Canal do Panamá, hoje sob controle da China.

Mas qual é o problema que o senhor localiza nesses acordos?
Em uma declaração feita em 2003 na Comissão de Direitos Humanos da ONU, intitulada "Amenazas sobre los derechos fundamentales de los pueblos indígenas de Colômbia" [lendo em espanhol], a Associação Americana de Juristas denuncia que esses projetos têm efetuado violações de direitos humanos na Colômbia. Cita o Iirsa como uma ameaça que as populações indígenas, principalmente os Achagua, percam o seu território em uma das poucas áreas na Colômbia em que o grande latifúndio não domina. Não é a minha opinião, é a das populações tradicionais, vítimas do IIRSA. Leia, o documento está na internet [o leitor que se interessar poderá acessá-lo em http://www.cetim.ch/2003/03ec15r4.htm]

Mas o senhor não concorda que haveria um intercâmbio, uma troca de interesses, nas ações do Iirsa e essas populações tradicionais?
O Iirsa interessa aos grandes grupos econômicos, sobretudo os norte-americanos, que muito irão lucrar na construção e implementação desse projeto. É o caso da telefonia, das empresas de energia, das construtoras etc. Interessa aos bancos multilaterais, que continuarão garantindo empréstimos a altas taxas de juros e tendo como certo seu retorno financeiro. Interessa às elites locais, que continuarão vendendo o patrimônio de suas nações, como o seu território, as reservas de água, a possibilidade de desenvolverem tecnologia própria avançada etc.

E as conseqüências para a população, o homem comum?
Toda a população nativa da América do Sul, os povos indígenas, todos perdem. Perdem os agricultores, que serão forçados a entregar suas terras para abrir caminho aos megaprojetos. Perdem os 12 países da América do Sul, que terão seus territórios cortados por grandes rodovias e ferrovias para escoamento de suas riquezas. Perde o meio ambiente, pelo impacto que esses projetos irão provocar. Vale a pena lembrar que a América do Sul possui grandes reservas de petróleo - Equador, Venezuela (5º maior exportador do mundo), Brasil, Bolívia (gás), e toda a região amazônica. Aliás, a biodiversidade está em risco, assim como o bem que será o mais precioso de todos no futuro: a água.

Que projeto estratégico de desenvolvimento está presente no Iirsa?
A estratégia central é colocar as transnacionais como principal ator econômico controlador dos recursos naturais do continente latino-americano. E a força política que será hegemônica não poderá ser outra senão o governo do país mais forte e rico das Américas, os Estados Unidos. A necessidade de que se invista na infra-estrutura na América do Sul não é resolvida por esse tipo de projeto. Ao criticar o Iirsa não estamos dizendo que não é necessário construir rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, ou investir no setor elétrico e nas telecomunicações.

Então qual é o sentido das críticas?
Muita gente pensa exatamente isso! O que não podemos aceitar, inclusive a imprensa, é que os projetos em negociação ou em andamento, o PPP, a construção do novo canal do Panamá e o IIRSA sirvam apenas para garantir a construção de novas rotas para o saqueio em nosso continente. É necessário que qualquer projeto de desenvolvimento considere os direitos das populações indígenas, camponesas e afro-descendentes, assim como a conservação das florestas, dos rios, da biodiversidade.

Então a idéia é estimular o controle ambiental?
É necessário conservar nas mãos desses povos e nações o controle sobre os seus próprios recursos naturais. Eles são um patrimônio comum, não podem ser tratados como meras mercadorias a ser exploradas visando apenas o lucro e a concentração de riquezas materiais nas mãos de um número cada vez menor de beneficiários. E o desenvolvimento tem que ser concebido para além do simples avanço técnico e do crescimento econômico: a razão de ser de toda atividade econômica deve ser o desenvolvimento humano e social, é para ele que devem servir a tecnologia e a produção de riquezas.

Maiores informações http://www.Iirsa.org (site oficial do Iirsa). Ou na
publicação da ONG Rios Vivos sobre a Iirsa, suas estratégias e objetivos.



Fonte: Ambiente Já / A Tribuna (Por Josafá Batista)



Fonte: Ambiente Já
Contato (xxx@rebia.org.br)

sábado, 8 de setembro de 2007

É preciso entender a profundidade das mudanças que estão ocorrendo em nossos padrões de prod

As relações de interdependências entre matriz energética e desenvolvimento econômico são complexas e insuficientemente compreendidas. Para exemplificar esse problema, basta lembrar que, durante o século XX, as energias fósseis, em particular o petróleo, constituíram o principal pilar da oferta mundial de energia primária, por serem abundantes e capazes de múltiplas aplicações. Porém, os custos de prospecção e extração do petróleo, e dos demais combustíveis fósseis, têm ultimamente apresentado intenso aumento; além disso, a distribuição mundial das reservas de petróleo é desigual, concentrando-se no Oriente Médio, um espaço geopolítico bastante instável, o que abre a possibilidade de haver, em médio prazo, efeitos macroeconômicos indesejáveis para os governos. É necessário lembrar ainda a emergência do tema do aquecimento global, que, por mais permeado que esteja com sérias controvérsias científicas, já se presta a estimular uma revisão dos parâmetros das políticas energéticas. Esses fatores são fontes de incertezas e, conseqüentemente, alteram as expectativas quanto ao futuro da matriz energética global.

Nesse contexto, novas tecnologias como as células de hidrogênio só serão de fato implementadas em larga escala quando se mostrarem técnica e economicamente sedutoras; por outro lado, as alternativas já testadas representam soluções críveis para governos e empresários. O programa nuclear, por exemplo, que muitos consideravam ultrapassado, voltou a se tornar uma opção atraente, fazendo com que o número de centrais planejadas ou em construção está crescendo nesses últimos anos. Já a experiência brasileira com etanol oferece uma solução energética capaz de substituir parte da demanda por gasolina. Tendo em visto o lugar dos automóveis em nossa civilização, a centralidade das montadoras na economia global e as perspectivas de diminuição da oferta de petróleo no futuro próximo, não é de se espantar que o etanol se posicione como alternativa energética estratégica, gerando um conjunto de expectativas que esse breve artigo procura abordar a partir da recente onda de investimentos estrangeiros no setor sucroalcooleiro brasileiro.

Desde 2003, ano em que os preços do petróleo começaram a aumentar de modo acentuado, a cadeia de açúcar e álcool brasileira passa por um profundo processo de reestruturação liderado por grupos nacionais e estrangeiros. As formas de entrada dos capitais estrangeiros são variadas e os interesses econômicos envolvidos são heterogêneos. Tradicionais multinacionais do agronegócio, como a francesa Louis Dreyfus, estão reforçando sua participação no setor através de aquisições de usinas brasileiras. Tal estratégia, facilitada pela fragmentação da indústria sucroalcooleira, permite não só que as organizações que já estão no setor reforcem suas posições na indústria, mas também que as empresas que até então não participavam desse negócio entrem rapidamente no setor, transformando-se em atores privilegiados na construção da cadeia global de suprimentos de etanol. Cabe observar que essa estratégia é pouco arriscada, pois, além de essas empresas possuírem competências operacionais no comércio de “commodities”, elas já desenvolveram um bom conhecimento do ambiente de negócio brasileiro. Ademais, os investimentos realizados são simples e de fácil integração às suas áreas de atuação.

Outra estratégia privilegiada pelas firmas multinacionais é o estabelecimento de parcerias com grupos brasileiros . No caso de empresas que já atuam no comércio internacional de açúcar e álcool, a exemplo da parceria entre a “trading” brasileira Crystalsev e a gigante americana Cargill, essa opção permite compartilhar recursos e aumentar a escala com a expectativa de se firmar como atores estratégicos da construção do mercado global de etanol. Diferentemente, grupos estrangeiros ainda não inseridos no tecido agroindustrial brasileiro, como é o caso de “tradings” japonesas ou chinesas, podem preferir esse tipo de estratégia no intuito de minimizar os riscos relacionados à falta de conhecimento das regras e práticas empresariais vigentes no Brasil. Para as usinas brasileiras, por outro lado, alianças com grupos estrangeiros representam uma boa oportunidade de acessar os mercados internacionais. Como diversos países, na Ásia e em outras partes do mundo, ensejam estabelecer medidas para adicionar algumas percentagens de álcool anidro à gasolina, é provável que esse tipo de relações empresariais se intensifique em curto prazo.

Há ainda o caso das empresas de países industrializados que assinaram o protocolo de Kyoto, o acordo internacional sobre redução das emissões dos gases que provocam o efeito estufa: elas provavelmente serão estimuladas a investir na cadeia de etanol brasileiro. É, por exemplo, o caso do Japão, que, através de uma parceria entre o grupo Mitsui e a Petrobras, está buscando garantir uma fonte de suprimento confiável. Um aspecto interessante dessa relação empresarial é que ela enfatiza o desafio logístico do comércio internacional de etanol, uma dimensão crucial para o suprimento global e a credibilidade da cadeia sucroalcooleira brasileira..

Nesse movimento de diversificação dos interesses estrangeiros na cadeia sucroalcooleira brasileira, a entrada de fundos de investimentos representa uma novidade muito recente. Mais do que novos investimentos num setor em plena expansão, as investidas desse tipo de organizações sinalizam uma mudança nas expectativas. Com efeito, quando ícones do mercado financeiro global decidem apostar em ativos que até então ignoravam, ou quando fundos são levantados com facilidade para investir na aquisição de usinas num país em desenvolvimento, isso reflete certa confiança no futuro e nos lucros que essas decisões poderão auferir. É muito provável que a ampla liquidez internacional que marcou os mercados financeiros globais até a crise atual do mercado de “subprime” incentivou esse tipo de operações. Mas só isso não é suficiente para justificar a entrada de fundos de investimentos estrangeiros na cadeia sucroalcooleira brasileira, e não se pode negar que todo esse aporte de capital é um sinal de que as expectativas quanto ao futuro da matriz energética global estão mudando.

Os impactos da crescente presença de firmas multinacionais e interesses financeiros estrangeiros na cadeia sucroalcooleira brasileira ainda carece de análises. No entanto, podemos assinalar alguns aspectos que poderão surgir desse processo. Em primeiro lugar, as exportações de álcool, que deslancharam a partir de 2004, devem se intensificar, ainda que importantes compradores iniciais como os Estados Unidos ou a Índia diminuam suas importações ou novos concorrentes apareçam. A implementação do protocolo de Kyoto, as condições de oferta de petróleo e as possibilidades de adicionar etanol à gasolina sem mudanças tecnológicas específicas são forças suficientes para estimular o crescimento da demanda global por etanol brasileiro.

No plano interno, os investimentos estrangeiros devem acelerar o processo de reestruturação produtiva já em curso. Desde 2005, por exemplo, a recente onda de aquisição já envolveu mais de 20 usinas, das quais mais da metade foram compradas por grupos estrangeiros. Como a indústria sucroalcooleira é ainda bastante fragmentada, o processo de consolidação deve perdurar durante certo tempo. Se por um lado esse processo tende a impulsionar investimentos em usinas de maiores escalas produtivas, a concentração industrial que pode resultar desse processo traz riscos para os consumidores brasileiros. Com efeito, o aumento da escala produtiva e as características do etanol facilitam a implementação de práticas cooperativas e o poder de mercado das empresas. Somada à já concentrada distribuição de combustáveis para automóveis, o processo de consolidação da indústria de etanol pode resultar em preços abusivos e perdas para os consumidores.

A presença crescente de firmas multinacionais na cadeia sucroalcooleira acarreta não somente uma redefinição da relação Estado-economia no que se refere à soberania e à segurança energética do Brasil, mas também modifica os arranjos institucionais e organizacionais que sustentam a cadeia produtiva. A centralidade de padrões internacionais no que tange às práticas ambientais, comerciais e, talvez, trabalhistas deverá se intensificar, adicionando novos parâmetros ao processo de reestruturação em curso. De modo concomitante, esse processo se tornará mais complexo na medida em que a teia de organizações com possibilidade de atuar na elaboração e definição dos padrões se tornará qualitativamente mais heterogênea. Com efeito, a internacionalização da cadeia sucroalcooleira brasileira lida com a crescente presença de firmas transnacionais desejando estabelecer regras capazes de minimizar as incertezas quanto à oferta de etanol no futuro. Além do mais, essa internacionalização incorpora novos atores nos arranjos organizacionais prevalecentes – sejam eles associações de produtores agrícolas estrangeiros, consumidores, meios de comunicação, ONG's internacionais, técnicos de governos estrangeiros e de instituições globais etc. Como seus valores, interesses e crenças não coincidem nem entre si, nem com os atores brasileiros, os jogos políticos, econômicos e sociais que estruturam o ambiente no qual se discutam os atributos dos futuros padrões do comércio internacional de etanol são incertos e marcados por relações de poder assimétricas. Nesse sentido, cabe perguntar se as diferentes organizações que representam atualmente os interesses brasileiros envolvidos na cadeia sucroalcooleira, em particular os sindicatos de trabalhadores rurais, terão capacidades de participar das agendas de discussão que definirão os padrões internacionais e exercer vozes efetivas quando for necessário.

A mudança de expectativas em relação ao futuro da matriz energética global e a maior presença de firmas estrangeiras na cadeia sucroalcooleira brasileira representam novas e poderosas forças que estão redesenhando a dinâmica do mundo agrário no país. A complexidade desse processo mereceria maiores conhecimentos para entender, por exemplo, a difusão da lógica energética no mundo rural, as conseqüências sociais e econômicas dos investimentos estrangeiros em usinas e terras brasileiras ou o papel das políticas públicas na regulação desses processos. Antes de enaltecer o papel estratégico dos heróis do agronegócio sucroalcooleiro ou criticá-los de modo convencional, precisamos entender de fato o que essa mudança de expectativa energética implica para o Brasil.



Fonte: Ambiente Já / Por Georges Flexor,
Agencia Carta Maior
Georges Flexor é professor adjunto do Instituto Multidisciplinar IM/UFRRJ e pesquisador do Observatório de Políticas Públicas para a Agricultura OPPA/CPDA
.



Fonte: ambiente Já
Contato (xxx@rebia.org.br)

domingo, 2 de setembro de 2007

Presidente sanciona lei de criação do Instituto Chico Mendes

Marluza Mattos, Adriano Ceolin e Aida Feitosa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou na terça-feira (28) a lei nº 11.516, que cria o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Com autonomia administrativa e financeira, a nova autarquia é vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (MMA). Entre suas atribuições estão as ações de execução da política nacional de unidades de conservação (UC) federais, que incluem desde a proposição de uma nova UC até gestão, fiscalização e monitoramento das áreas protegidas. O objetivo do governo com a criação do Instituto Chico Mendes é fortalecer a gestão ambiental no País.

Para o presidente interino do novo instituto e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a sanção da lei marca uma nova fase: Vamos realizar, agora, um planejamento estratégico para o instituto, aglutinando esforços, estabelecendo prioridades e metas à luz das orientações do ministério, disse.

A lei foi sancionada sem vetos e publicada em edição extra do Diário Oficial da União do dia 28. Ela define que caberá ao Instituto Chico Mendes executar políticas de uso sustentável dos recursos naturais renováveis, de apoio ao agroextrativismo e às populações tradicionais que vivem em UCs. Estabelece ainda que a nova autarquia deverá exercer poder de polícia para proteger as unidades. Além disso, deverá fomentar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e de educação ambiental, bem como promover ações relativas ao ecoturismo nas UCs. Conforme a lei, 40% dos recursos gerados a partir da concessão de florestas públicas serão destinados à gestão de UCs de uso sustentável.

O instituto será administrado por um presidente e quatro diretores. Seu quadro de funcionários será formado basicamente por servidores do Ibama, que já atuam na área. No seu artigo 3º, a lei determina: O patrimônio, os recursos orçamentários, extra-orçamentários e financeiros, o pessoal, os cargos e funções vinculados ao Ibama, relacionados às finalidades elencadas no artigo 1º desta lei, ficam transferidos para o Instituto Chico Mendes, bem como os direitos, créditos e obrigações, decorrentes de lei, ato administrativo ou contrato, inclusive as respectivas receitas. Esse processo de transição, de responsabilidade do Executivo, já está em andamento.

A sanção da lei completa um ciclo que iniciou na reestruturação do MMA em abril deste ano. Na oportunidade, foram criadas novas secretarias no ministério, propostas algumas alterações em atribuições do Ibama e a criação do Instituto Chico Mendes. A medida provisória 366, que dispôs sobre a criação da nova autarquia, foi enviada ao Congresso Nacional no mesmo mês.

Depois de amplamente debatida, foi aprovada no dia 7 de agosto de 2007.


ASCOM

O Google Preto

O Google Preto é uma página de busca do Google com fundo preto, que tem por objetivo REDUZIR A TENSÃO E OS MALES CAUSADOS AOS OLHOS em função do excesso de luminosidade causada pelos sites de fundo branco e REDUZIR O CONSUMO DE ENERGIA necessária para fazer as suas pesquisas.
Você sabia que:
· Para exibir uma tela inteira branca, seu computador usa cerca de 74 watts, enquanto para mostrar uma preta o consumo é de 59 watts.
· O excesso de luminosidade produzida por um fundo totalmente branco é muito mais prejudicial aos olhos que um fundo totalmente preto.
Agora, imagine a quantidade de energia que seria economizada se o layout do Google - que é inteiro branco e recebe cerca de 200 milhões de buscas por dia - fosse totalmente preto. Por isso, nós colocamos na Internet a versão escura do Google - o Google Preto.
http://www.googlepreto.com/ ou http://www.blackle.com - estes são os endereços do Google 'econômico'.

sábado, 1 de setembro de 2007

Plano Nacional de Juventude - Junte-se!

A Campanha Nacional para a disseminação do Plano Nacional de Juventude, projeto de lei a ser aprovado pelo Congresso Nacional, precisa do apoio de toda juventude como multiplicadores e formadores de opinião de toda sociedade brasileira.

Nosso papel, enquanto juventude ambientalista é conhecer não só políticas públicas de meio ambiente e educação ambiental, mas também contribuir para o fortalecimento das polítcias públicas da juventude que busca e sonha mudança neste país, em nossa morada na Terra.

Segue abaixo a matéria divulgada hoje (31/08/07) pela Rede de informações para o Terceiro Setor (www.rits.org.br):

O Movimento Um Milhão de Histórias de Vida de Jovens acaba de lançar o CD Rom da campanha "Plano Nacional de Juventude em Pauta". O material está disponível para downloadno site www.ummilhaodehistorias.org.br, dando início à vertente virtual da Campanha pela democratização do debate sobre o Plano Nacional de Juventude.

Em fevereiro de 2005 o governo federal criou um conselho e uma secretaria nacionais de juventude – iniciativa que faz parte de uma política voltada aos 34 milhões de brasileiros/as que têm entre 15 e 24 anos. É nesta faixa etária que se encontra a parte da população atingida pelos piores índices de desemprego, de evasão escolar, de falta de formação profissional, mortes por homicídio, envolvimento com drogas e com a criminalidade. Agora, está pronto para ser votado no Congresso Nacional um projeto de lei elaborado pela Comissão Especial de Juventude, o Plano Nacional de Juventude. Uma emenda constitucional que dê suporte ao projeto e um estatuto da juventude também estão em discussão.

O Plano aguarda votação na Câmara, e neste momento, o Movimento Um Milhão de Histórias de Vida de Jovens, criado em 2006 pelas ongs Aracati e Museu da Pessoa, se une a outras ongs para iniciar uma campanha para promover a participação dos jovens e da sociedade em geral no debate sobre o plano. A iniciativa promove círculos de encontros onde jovens são estimulados a contar suas histórias e depois, com o apoio de um facilitador, escrever um roteiro de sua própria história, que é registrada para depois ser publicada na internet. De cada círculo saem novos facilitadores para outros círculos de histórias - e assim o movimento se espalha. As histórias se tornam ferramentas para discussão de temas relacionados às condições da juventude brasileira.

O objetivo do Movimento é reunir um milhão de jovens para que, por meio da articulação de suas histórias, mobilizem organizações sociais, programas de governo e outros movimentos sociais. Também é objetivo do projeto qualificar políticas públicas de juventude e, tornar o movimento conhecido pela sociedade.

Apesar de ser uma das principais vítimas da crise sócio-econômica do país, a juventude brasileira não tem seus direitos garantidos pela lei. Ao contrário de crianças, adolescentes e idosos, os 50,5 milhões de jovens brasileiros não são protegidos pela Constituição, por um estatuto ou outro aparato legal. Só agora o Brasil está dando os primeiros passos para quitar esta dívida e colocar os jovens em condições de enfrentar desafios como o desemprego e a exclusão social. Hoje, os jovens são 46,6% do total de desempregados das regiões metropolitanas (Dieese – Estudos e Pesquisas nº 11, 2005).

Sobre o Plano Nacional de Juventude

O Plano Nacional de Juventude – Projeto de Lei 4.530 -, possui mecanismos de participação direta da população na formulação de suas políticas. O Plano estabelece metas decenais para os ministérios que destinam ações e recursos à juventude e para governos estaduais e municipais, que terão dois anos para elaborar seus planos locais.

Entre os objetivos do Plano estão promover o empreendedorismo juvenil, a saúde, a segurança, os esportes, a inclusão digital, a educação, a pesquisa, a autonomia estudantil, a erradicação do analfabetismo e o direito à diversidade.

O documento traz um diagnóstico da situação da juventude e planos de atuação agrupados em quatro eixos. Em “Emancipação e Autonomia” encontram-se ações como a inclusão dos jovens nas escolas, a qualificação dos educadores, o aumento das vagas nas universidades, o fomento às redes de economia solidária entre juventudes e a regulamentação especial do trabalho do jovem que atenda às suas necessidades específicas. Em “Bem-estar” há ações ligadas à promoção de cultura, lazer, esporte, meio ambiente e saúde, como a democratização do acesso aos bens culturais e a criação de um fundo que apóie programas na área de prevenção às drogas e à violência. “Participação e Organização” insere os jovens na elaboração das políticas públicas, na gestão da educação e nas discussões comunitárias, por exemplo. “Políticas Afirmativas e Eqüidade de Oportunidades” implanta ações para atender às necessidades de jovens índios, afro-brasileiros, portadores de deficiência, GLBTT (gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis), mulheres, camponeses e jovens em conflito com a lei.

Fonte: Revista do Terceiro Setor

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Empresas poderão dedicar parte de seu imposto a projetos ambientais

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (29 de agosto), o Projeto de Lei que dá possibilidade às empresas destinarem parte do seu Imposto de Renda a projetos de preservação ou restauração do meio ambiente. Trata-se do chamado IR Ecológico, incentivo fiscal que permite a dedução de até 4% do IR devido, para investimento em ações ambientais. A proposta segue agora para aprovação em plenário na Câmara dos Deputados, depois no Senado Federal e então para a sanção presidencial.

Segundo o Projeto de Lei nº. 5974/05, pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão deduzir até 40% das doações e 30% dos patrocínios a entidades sem fins lucrativos em favor de programas de meio ambiente. Assim, poderão financiar projetos destinados a promover o uso sustentável dos recursos naturais, a preservação do meio ambiente, a recuperação de áreas degradadas ou ações de redução de gases do efeito estufa. O percentual de dedução é menor para ações de patrocínio porque estas representam uma oportunidade de promoção do doador.

Além de estimular as empresas que já apóiam a causa ambiental a continuarem suas ações, este incentivo deve ampliar os recursos destinados a projetos ecológicos. Para o secretário geral do Funbio, Pedro Leitão, esta lei possibilitará um maior envolvimento do setor privado nas ações de preservação da natureza. “Investir no meio ambiente nos dia de hoje é mais que ter uma postura consciente, é uma questão de mercado”, afirma Pedro. “Os novos parâmetros econômicos, socioambientais e a recente divulgação dos desastres causados pelas mudanças climáticas estão mudando as regras do corporativismo e indicando que as empresas devem reavaliar seus conceitos para garantir sustentabilidade”, explica.

O IR ecológico também amplia a possibilidade de engajamento da sociedade civil na questão ambiental, já que uma grande inovação do PL é que pessoas físicas poderão se beneficiar do incentivo. E para elas a dedução é ainda maior: 80% para doações e 60% para patrocínios.

O secretário executivo do Instituto BioAtlântica (IBio), André Guimarães, ressalta que o IR Ecológico é uma iniciativa que aumenta o potencial de cooperação entre empresas e instituições conservacionistas. “Acreditamos que ele vai além disso, porque cria condições não só para pequenos e médios empresários, mas também para os cidadãos apoiarem projetos de conservação”, analisa Guimarães.

Garantia no uso dos recursos – Para garantir a idoneidade e bom uso dos recursos doados, o PL prevê que os projetos ou organizações ambientais deverão ter a chancela de um dos órgãos ligados ao Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), para receber o benefício. Além disso, o PL incentiva doações ao Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e a outros fundos ambientais públicos, dando isenção de até 80% do valor doado, para empresas ou pessoas físicas que destinarem recursos em favor destas instituições.

A atuação do FNMA pretende garantir a melhor distribuição dos recursos, evitando que eles sejam direcionados apenas a projetos de grande porte e concentrados em determinas regiões. Com isso, evita-se que apenas grandes organizações e fundações com mais exposição na mídia – e, conseqüentemente, mais poder de atração de doações – sejam beneficiadas pelo incentivo fiscal. Outra preocupação é garantir que diferentes ecossistemas sejam preservados.

Tramitação – De autoria do ex-senador Waldeck Ornelas, o PL foi aprovado em julho de 2006 na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em junho deste ano pela Comissão de Finanças e Tributação e hoje na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. Agora ele segue para o plenário da Câmara dos Deputados, depois para o Senado Federal e então para a sanção da Presidência da República.

O projeto que agora tramita no congresso foi redigido pelo Senado Federal com o apoio do Grupo de Trabalho IR Ecológico, criado em 2005 para estudar mecanismos econômicos capazes de estimular o setor ambiental. Este grupo é atualmente composto pelas seguintes organizações não-governamentais, empresas e especialistas: WWF-Brasil, The Nature Conservancy (TNC), Conservação Internacional (CI), Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Fundação Biodiversitas, Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Instituto Bioatlântica, Pinheiro Neto Advogados, PATRI, Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE) e Dr. Everardo Maciel (ex-Secretário da Receita Federal).


segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Marca de produtos sustentáveis será lançada durante o mais importante evento de sustentabilidade financeira do País

A iniciativa comemora os dez anos da Ambiente Global, e será lançada nos próximos dias 20 e 21 de agosto, durante II Congresso Brasileiro de Responsabilidade Socioambiental das Instituições Financeiras, em São Paulo

São Paulo, 16 de agosto de 2007. O verde sempre esteve na moda. Mas a nova temporada traz uma tendência que promete se tornar um clássico: o esverdeamento das instituições. E o lançamento de duas linhas da marca Ecogrife, da Ambiente Global, vem atender a esta demanda por produtos social e ambientalmente corretos. As linhas Eventos Sustentáveis e Ecobrindes serão lançadas nos dias 20 e 21 de agosto, durante o II Congresso Brasileiro de Responsabilidade Socioambiental das Instituições Financeiras, que se realizará no Hotel Blue Tree Convention Ibirapuera, em São Paulo. O evento contará com a presença de representantes de bancos e de setores estratégicos, que irão debater temas como o papel das Instituições Financeiras na consolidação de uma economia sustentável.

A data escolhida não foi mero acaso: marca os dez anos da Ambiente Global, primeira agência de comunicação, eventos e sustentabilidade do País. Nada mais coerente do que compartilhar o resultado desta experiência em forma de produtos sustentáveis. E é dentro deste contexto que nasce a Ecogrife, com linhas que promovam a comunicação com os seus consumidores, incentivando e promovendo a sustentabilidade no consumo.

Segundo a diretora de comunicação da marca, Graça Lara, os produtos da Ecogrife são resultado de mais de dois anos de pesquisas intensivas, em busca de matérias-primas e processos de produção ambientalmente corretos e socialmente justos. "Todo o ciclo de vida do produto é analisado antes de ser aprovado e comercializado", destaca a jornalista, que tem MBA em Gestão Internacional de Meio Ambiente e é mestra em Saúde Ambiental pela USP.

O lançamento, durante o II Congresso Brasileiro de Responsabilidade Socioambiental das Instituições Financeiras, atende às demandas "verdes" destas instituições, que vêm crescendo a cada dia. Índices como de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa, e ainda a recente Mostra de Sustentabilidade realizada pela Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP) demonstram o comprometimento cada vez maior das instituições com a sustentabilidade.

Participe do II Congresso Brasileiro Responsabilidade Socioambiental nas Instituições Financeiras

Dias: 20/08 e 21/08 de 2007

Horário: 8h às 18h

Local: Hotel Blue Tree Ibirapuera, Av. Ibirapuera, 2927, Moema – SP Inscrições pelo website: www.ambienteglobal.com.br Pelos telefones: (11) 5084-0030 / (11) 9609 3825 Pelo e-mail: contato@ambienteglobal.com.br


A água, novo objeto de desejo das multinacionais

Por Riccardo Petrella (*)

Lovaina, agosto/2007 – É sabido que por mais que as águas minerais sejam de propriedade pública, são as empresas privadas que obtêm grandes e garantidos lucros com sua comercialização. O negócio das águas minerais engarrafadas se transformou em um dos setores mais lucrativos e de maior expansão no mundo, dominado até há pouco tempo por Nestlé e Danone. Agora, estas duas multinacionais têm, em seus calcanhares outras duas “gentis irmãs da água”: a Coca-Cola e a Pepsicola. Também está ficando claro que as empresas privadas de distribuição de água e aquelas de capital misto público-privado, cada vez mais numerosas no setor dos serviços hídricos, estão se apoderando da propriedade e/ou do controle da água potável através do mundo.

As companhias francesas Suez-Ondeo e Vivendi-Veolia, por si só, administram a distribuição da água para mais de 250 milhões de pessoas, sem contar aquelas servidas por empresas nas quais possuem participação acionária. O banco privado suíço Pictet prevê que em 2015 as empresas privadas fornecerão a água potável a cerca de 1,750 bilhão de “consumidores”. Neste contexto, não surpreende comprovar que as companhias de gestão de água são sempre mais compradas e vendidas no mercado, como se compra e vende empresas de sapato ou geladeira.

O último caso significativo é o da Thames Water, maior empresa hídrica do Reino Unido e a número três no mundo (atrás das duas francesas citadas), comprada pela australiana Macquarie à alemã RWE. A RWE, gigante energético europeu, havia adquirido a Thames Water em 2000 por 7,1 bilhão de euros como concretização de sua estratégia para converter-se na número um das européias multiusos (companhias que operam simultaneamente nos setores de energia, transportes, lixo, água, comunicações etc). A escolha de uma estratégia multiuso também levou, há alguns anos, a italiana Enel a se interessar pela possível aquisição do Acquedotto Pugliese.

Por diversos motivos, os dirigentes da RWE decidiram ultimamente se concentrar somente no setor de sua competência para manter-se à altura dos colossos energéticos mundiais em vias de reestruturação e consolidação. Assim, venderam a Thames Water com a mesma velocidade com que compraram. A Thames Water foi adquirida por uma empresa australiana, o Banco Macquarie, que para isso desembolsou cerca de 14 bilhões de euros. Trata-se de um banco especializado em serviços financeiros e investimentos em infra-estrutura. Por exemplo, os aeroportos de Bruxelas e Copenhague são da Macquarie Airports. A companhia está presente em 24 países e tem cerca de 8.900 funcionários.

Por que este banco australiano investiu tanto no setor da água, onde também comprou a norte-americana Acquarion por US$ 860 milhões? Por certo que isso não foi por ter um plano industrial e sócioambiental de modernização da rede e do serviço hídrico para os 13 milhões de habitantes da região londrina e dos outros 50 milhões de pessoas atendidas no mundo pela Thames Water. Para Macquarie se trata de uma estratégia puramente financeira: aumentar os níveis de lucro do grupo intervindo em um setor bastante rentável, destinado a ser ainda muito mais lucrativo no futuro se continuarem os processos de privatização e escassez da água para uso humano.

No momento em que Margareth Thatcher privatizou a água, em 1989, afirmou que aos britânicos não importa saber quem distribuía a água e que o importante para eles era ter o beneficio de serviço de alta qualidade e a preços convenientes. Mas a privatização da água não deu resultados notáveis em relação aos preços (os aumentos foram consideráveis) nem quanto à qualidade (recentemente a Thames Water foi severamente admoestada por não ter reduzido os níveis de perda de água, de acordo com as obrigações ligadas à tarifa).

Os britânicos, por outro lado, aparentemente consideram irrelevante e nacionalidade do gestor da água do Tamisa. De fato, a Thames Water, em 15 anos, passou de propriedade de um organismo público à de uma empresa privada britânica, depois de uma companhia energética alemã e agora a um banco australiano. Não se pode descartar que dentro de 10 anos a propriedade da Thames Water passe a pertencer a uma sociedade chinesa especializada no tratamento de lixo urbano. (IPS/Envolverde)


(*)Riccardo Petrella, fundador do Comitê Internacional para o Contrato Mundial da Água e professor emérito da Universidade Católica de Lovaina.

(Envolverde/ IP S)

--
Cesar Pegoraro
Programa Mananciais
cesinha@socioambiental.org
(11) 3515-8966 (11) 9454-4114
skype: cesar.pegoraro

ISA - Instituto Socioambiental
www.socioambiental.org

Você sabe de onde vem a água que você bebe? www.mananciais.org.br

sábado, 25 de agosto de 2007

No mundo e na mesa, o clima está difícil

Washington Novaes

Nunca houve tantas informações sobre a gravidade do quadro mundial na área de mudanças climáticas e sobre o que poderá acontecer nos próximos anos. Nunca se calculou com tanta precisão o desastre econômico que poderá advir, se nada for feito. Nunca houve tantas tecnologias disponíveis para enfrentar muitos ângulos da questão. E, no entanto, continua extremamente difícil chegar a qualquer acordo capaz de inverter o rumo.

A próxima semana poderá aclarar o quadro político: de segunda a sexta-feira, reúnem-se em Viena cerca de mil representantes de 191 países para tentar definir uma proposta a ser discutida em dezembro, em Bali, na reunião da Convenção do Clima, que permita chegar a compromissos de redução de emissões de gases depois de 2012, quando se encerra o primeiro período do Protocolo de Kyoto. Essa proposta é que balizará as negociações em 2008 e 2009 - prazo final para a definição, que ainda permita ratificá-la antes de 2012.

Uma reunião de 15 países, incluído o Brasil, será realizada um mês depois em Nova York, com o mesmo objetivo. E Estados Unidos e Japão já disseram que nada será possível se China, Brasil e Índia, que estão entre os maiores emissores, não aceitarem compromissos de redução. E até aqui não aceitam.

Há poucos dias, a ONU informou que em sete meses deste ano 117 milhões de pessoas foram vítimas de "desastres naturais" (que já haviam passado da média anual de 200 para 400 em 2006), com prejuízos de US$ 15 bilhões. De janeiro a abril, registraram-se as mais altas temperaturas médias no planeta desde 1880. Maio e junho foram os meses mais quentes da História na Europa (mais 1,7 grau na média), chegando a 45 graus na Bulgária; 500 pessoas morreram de calor na Hungria; a Inglaterra teve as piores enchentes desde 1776; a Alemanha, a maior seca desde 1901, o mês mais chuvoso em maio. Na Ásia, 45 milhões de pessoas foram vítimas de inundações, alguns milhares morreram, dezenas de milhões ficaram desabrigadas. Também o Uruguai sofreu a maior inundação de todos os tempos. Argentina e Chile tiveram inverno extremamente rigoroso.

Informações mais do que suficientes para o mundo tomar juízo. Mas as emissões de gases poluentes pelos países industrializados continuam crescendo. As nações do G-8 emitiram 14,3 bilhões de toneladas no ano passado, 2% mais que em 2000 e 0,7% acima de 1990 (quando deveriam estar 5,2% abaixo deste último nível, pelos compromissos de Kyoto). Os Estados Unidos emitiram 16,3% mais que em 1990 e 1,6% mais que em 2000. Nesse grupo, só Alemanha, Grã-Bretanha e França reduziram as emissões. Mas os países "em desenvolvimento" também continuam aumentando as suas. O Brasil, segundo o Banco Mundial, emitia em 2004 mais de 2 bilhões de toneladas de carbono por ano e já é o quarto maior emissor.

E o quadro ainda poderá vir a ser mais grave. Segundo o Hadley Centre, entre 2009 e 2014 a temperatura terrestre poderá superar a de 1998, até aqui o ano mais quente. "Desastres naturais" poderão inviabilizar parte da produção mundial de alimentos, assegura a Organização para a Alimentação e a Agricultura, da ONU. Só a Índia poderá perder 18% de sua produção. A Convenção da Desertificação adverte que a América do Sul - principalmente Argentina e Brasil - pode perder 25% das terras produtivas até 2025. Nada menos que 30% das terras do planeta já estão atingidas, em algum estágio, pelo processo.

Aqui e ali, tenta-se legislar para mudar o quadro. A Câmara dos Deputados norte-americana aprovou a exigência de as empresas geradoras terem 15% de sua energia advinda de fontes renováveis, principalmente eólica e solar (27 Estados e o Distrito de Colúmbia já aprovaram exigências semelhantes). Mas a emenda ainda depende do Senado, mais resistente. A Suécia já exige por lei que até 2020 todos os automóveis sejam movidos por energia renovável.

Até já surgem outras propostas de tecnologias para o problema. A mais ousada é da Universidade de Stanford, na Califórnia, que propõe bloquear 1,8% das radiações solares que chegam à Terra, injetando na estratosfera partículas de dióxido de enxofre de 0,1 milímetro de diâmetro. Esses discos reduziriam as radiações sem impedir o retorno dos raios infravermelhos, com efeito capaz de contrabalançar o dobro do aumento da temperatura que as emissões de poluentes provocam - dizem os cientistas (Estado, 10/8). Uma variante, da Universidade de Tucson, Arizona, seria conseguir o mesmo resultado (redução das radiações) com discos de silicone. Uma terceira alternativa seria espalhar nos oceanos ferro e outros elementos, para aumentar a capacidade de absorção de carbono. A todas essas alternativas muitos cientistas contrapõem a possibilidade de riscos graves. Mais ingênua e menos perigosa é a recomendação do Ministério da Saúde da Itália, de que as empresas permitam que seus funcionários trabalhem sem gravata e poupem energia com refrigeração dos ambientes.

Mas é inquietante saber que só 6,1% do consumo de energia nos Estados Unidos vem de fontes renováveis. Ou que a maior parte dos recursos do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (15 bilhões de euros só no primeiro semestre de 2007 na Europa) tem ficado com os grandes fundos negociadores, não com os países pobres (Planet Ark, 4/8).

No Brasil, continua-se a anunciar a preparação de um Plano Nacional de Enfrentamento de Mudanças Climáticas (15 anos depois de assinarmos a respectiva convenção, em 1992). Insistimos em não assumir compromissos de redução de emissões e em propor que os países industrializados paguem pela redução voluntária do desmatamento nos países detentores de florestas. Nenhum dos possíveis financiadores se dispôs a fazê-lo, até aqui.

Viena e Nova York mudarão o panorama?

Washington Novaes é jornalista
E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Fogo Amigo

Um artigo publicado na mais recente edição da revista Science, o semanário científico mais influente do mundo, está causando um pequeno terremoto na cena em que atuam as organizações não-governamentais ambientalistas. Entitulado "A Globalização da Conservação" e assinado por pesquisadores de diversas nacionalidades reunidos na Wildlife Trust Alliance, o texto sustenta que as grandes ONGs internacionais - Bingos (Big International Non Governamental Organizatios), na sigla em inglês - têm estratégias falhas na proteção do meio ambiente e prejudicam a atuação de pequenas instituições de países em desenvolvimento.

Os pesquisadores buscam demonstrar que a forma de atuação de organizações como Conservation Internacional (CI), The Nature Conservancy (TNC) e World Wildlife Fund (WWF) se assemelha a de grandes empresas multinacionais. Isso se dá através da criação de programas genéricos, que servem como marcas para a obtenção de recursos financeiros. O texto cita as campanhas 'Hot Spots' da CI e '200 Ecoregions' da WWF como casos extremamente bem sucedidos na arrecadação de fundos, mas não tão efetivos na conservação da biodiversidade. Houve um incremento de 40% a 100% nos orçamentos destas ONGs nos Estados Unidos entre 1998 e 2005, e na opinião dos autores, os conceitos ambientais utilizados não resguardam os ecossistemas em perigo.

"Embora estas marcas sejam derivadas das ciências da conservação, elas são vulneráveis à crítica científica. Por exemplo, planos previamente concebidos que miram áreas fixas para conservação (Hot Spots e Ecoregions) são insuficientes para lidar com ameaças repentinas como doenças ou espécies invasoras, a alteração do leque de espécies graças ao aquecimento global, ou a dinâmica espacial de ecossistemas marinhos", descreve o artigo.

A presidente do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), Suzana Pádua, é uma das autoras do artigo na Science e explica que há algum tempo existe um sentimento entre pesquisadores de que as Bingos, com a grande quantidade de dinheiro que têm, ditam os rumos da conservação em todo mundo, mas não acertam o foco onde a biodiversidade está mais necessitada. Para aumentar a eficiência das ações de proteção aos ecossistemas, Suzana observa que a Wildlife Trust Alliance defende que as pequenas organizações locais tenham mais voz. Segundo ela, ONGs de menor porte que dependem unicamente de parcerias e recursos das grandes "perdem identidade." "Estamos propondo um exercício para que trabalhemos com respeito e cooperação de fato", diz a presidente do IPÊ.

O ponto-chave de "Globalização da conservação" parece ser a questão de que ao mesmo tempo em que os recursos das Bingos não param de crescer, a verba oficial de governos e organismos multilateriais para a proteção da biodiversidade caiu 50% na última década. É a partir deste desequilíbrio que as grandes ONGs passam a comandar as políticas domésticas de meio ambiente. Uma das consequências, sustenta o artigo, é uma estrutura de decisões de cima para baixo que não considera o conhecimento de instituições e especialistas locais. "Organizações pequenas e localmente focadas, trabalhando na linha de frente da perda da biodiversidade são frequentemente as mais eficazes", ponderam os autores.

Outra consequência negativa da influência das Bingos, aponta Suzana, é a deficiência na preparação de profissionais locais em práticas de conservação. Um dado no artigo revela que dos 3,2 bilhões de dólares aplicados entre 1990 e 1997 na proteção de ecossistemas na América Latina, apenas 4% foram destinados à "capacitação". "Hoje, só 30% dos artigos científicos sobre biodiversidade na Amazônia são escritos por brasileiros. Nós estamos fazendo parcerias, mas o conhecimento está ficando no primeiro mundo", reclama a ambientalista.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Água: Entre o desperdício e a escassez

Por Thalif Deen, da IPS

Estocolmo, 15/08/2007 – O mundo está à beira de “uma nova era de escassez de água, a mais seria da história”. Essa advertência foi feita por especialistas que participam da 17ª Semana Mundial da Água na capital da Suécia. A disponibilidade de água está em perigo por ameaças com a mudança climática, o aumento da população global e o repentino crescimento do sedento setor bioenergético. O diretor-executivo do Instituto Internacional da Água, com sede em Estocolmo, Anders Berntell, alertou que 1,4 bilhão de pessoas vivem em regiões com escassez real de água e outros 1,1 bilhão em áreas onde ela é consumida em excesso.

“Estes números aumentarão no futuro, devido ao crescimento demográfico, à intensificação da agricultura e à mudança climática”, afirmou Berntell perante cerca de dois mil profissionais, técnicos, cientistas e políticos ligados à água. A conferência anual, que acontece esta semana, é considerada a maior reunião mundial de especialistas na matéria, entre eles membros de mais de 150 instituições. “Não estamos preparados para enfrentar as implicações que isto tem para nosso planeta. Há um componente de seguranças que ainda não é plenamente compreendido ou abordado no âmbito internacional. E não estou falando de escassez hídrica, mas da segurança política”, acrescentou o especialista.

Berntell culpou tanto os doadores internacionais quanto os governos por suas viciadas prioridades em matéria de gasto para o desenvolvimento, que deixam a água e o saneamento nos últimos lugares. Em contraste a isto há o fenomenal aumento de 37% no gasto militar registrado entre 1997 e 2006, ano em que chegou a um trilhão de dólares. “Ao olhar estes números penso que é tempo de nos perguntarmos por que os governos dos países em desenvolvimento, as agências de doadores e os financistas não priorizam a água, por que há outros assuntos e setores mais destacados na agenda política”, disse Berntell.

Em um informe divulgado em Estocolmo, a organização WaterAid, com sede em Londres, culpou os doadores internacionais pelo enfraquecimento das prioridades de desenvolvimento dos países receptores. “Se os doadores levarem a sério o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio deverão equilibrar seus investimentos de modo mais equitativo ao longo de todos seus serviços essenciais: água, saneamento, saúde e educação”, afirmou a organização.

Esses objetivos, definidos em 2000 pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, incluem reduzir à metade a proporção de pessoas que sofrem pobreza e fome, em relação a 1990, e garantir a educação primária universal. Também figuram entre as metas promover a igualdade de gênero; reduzir a mortalidade infantil e materna; combater a aids, a malaria e outras doenças; assegurar a sustentabilidade ambienta e fomentar uma associação mundial para o desenvolvimento, tudo isto até 2015.

WaterAid pediu “mudanças urgentes no sistema de ajuda para garantir que a política de doares atenda às necessidades dos pobres e faça frente aos obstáculos mais críticos para o desenvolvimento”. O Estudo dessa organização, intitulado “Como enfraquece o sistema de assistência aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio”, diz que os avanços em matéria de saúde e educação dependem do acesso a um saneamento acessível e a fontes de água segura e limpa. “Nem doadores nem governos de países pobres reconhecem a inter-relação entre saúde, educação, água e saneamento”, acrescentou WaterAid.

O gasto mundial em assistência à saúde e à educação, segundo o estudo, quase duplicou desde 1990, enquanto a cota destinada à água e ao saneamento diminuiu. A pesquisa destaca muitas possíveis explicações para o atraso nesse setor, que é “certamente mais complexo do que a saúde ou a educação, com uma responsabilidade freqüentemente dividida entre vários ministérios”.

O primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, disse na conferência que “sem água não há vida’. Mais de um bilhão de pessoas carecem de acesso à água segura para beber e mais de 2,4 bilhões vivem sem saneamento básico. A cada dia vemos morrer cerca de 34 mil pessoas vítimas de doenças relacionadas com água e saneamento deficientes”, afirmou Reinfeldt. “Não creio que alguém em nosso planeta possa permanecer imune a estes fatos. A pergunta é: o que podemos fazer?”.

A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em 2002 em Johannesburgo (África do Sul) acordou um objetivo ambicioso: que até 2015 a proporção da população mundial sem acesso à água potável nem a saneamento básico caia pela metade. Entre 1990 e 2002 houve alguns resultados positivos. A proporção de habitantes do planeta que desfrutam de acesso à água potável aumentou de 71% para 79%. “Se isto continuar, o objetivo poderá ser alcançado até 2015”, disse Reinfeldt.

Mas, a má notícia é que os objetivos de saneamento básico estão muito atrasados, acrescentou o primeiro-ministro. “Para a África e vários países da Ásia, o futuro é especialmente escuro”, acrescentou. A própria Suécia tem uma longa tradição de priorizar a água dentro de seu orçamento de ajuda ao desenvolvimento estrangeiro, prosseguiu o governante. Este país também dá um forte apoio aos Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e ao Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), instituições multilaterais que têm o fomento da água e o saneamento entre seus objetivos. Reinfeldt enfatizou que a Suécia também incentiva os fóruns onde estes assuntos são debatidos com ampla participação. A Semana Mundial da Água é um bom exemplo, bem com seu organizador, o Instituto Internacional da Água, de Estocolmo. (IPS/Envolverde)
(Envolverde/ IPS)


terça-feira, 14 de agosto de 2007

O paradoxo da produção energética mundial (Édison Cardoso Teixeira )

O mundo atual compreende uma extraordinária abundância no consumo de energia. A demanda energética é sustentada por uma matriz baseada em combustíveis fósseis, e por tanto, não renováveis. A demanda energética global, bem como os diferentes padrões de uso e produção da mesma, apontam para um quadro preocupante em termos econômicos, sociais, ambientais e tecnológicos (Teixeira, 2005; Prugh et al., 2006). A base de toda esta cadeia energética insustentável é sustentada pelo petróleo: “ o petróleo tornou-se um fardo que representa uma ameaça à segurança global” (Prugh et al., 2006). Segundo estudos o petróleo parece se tornar alvo de grandes preocupações: ameaça a segurança mundial por ser um recurso finito e que já aponta para um declive de produtividade; exerce forte influência para a estabilidade climática, sendo um dos principais responsáveis pelo atual desequilíbrio climático global; ameaça a paz, democracia e direitos humanos em diversas regiões do planeta (Prugh et al., 2006).


Inserido neste contexto, as diferentes atividades humanas, lideradas pela exploração quase irracional dos recursos naturais como fonte de energia, ocasionaram estabilidades na temperatura do planeta. Fatores naturais deram pequenas contribuições para o aquecimento do último século, “há evidências novas e mais fortes que a maior parte do aquecimento observado nos últimos 50 anos é atribuído a atividades humanas” (DUNN, S. & FLAVIN, C., 2002; Teixeira, 2005).


O consumo energético cresce e esta tendência parece não querer se estabilizar (SAWIN, J. L. 2004; Teixeira, 2005). Além disto, há um grande desequilíbrio no uso, distribuição e produção da energia em nossa matriz mundial (Atlas do Meio Ambiente do Brasil, 1996; Teixeira, 2005). O conjunto dos povos mais ricos do mundo consomem em média 25 vezes mais energia do que o total dos países pobres. Essa desigualdade nos leva a pensar: se o resto do mundo quiser ter acesso ao mesmo estilo de vida dos países industrializados, será que o planeta Terra agüentaria? A questão é saber se é possível usar mais energia, agredindo menos o meio ambiente, e desta forma buscar amenizar o rumo do clima planetário.


Mesmo a utilização de recursos renováveis na produção de energia, pode trazer alguns problemas. A construção de hidrelétricas desarranja os ecossistemas, impedindo, por exemplo, a corrida dos peixes rio acima para a desova. O uso da lenha continua devastando florestas nativas. A produção de cana-de-açúcar, ao redor das grandes metrópoles, afasta para mais longe a produção de alimentos, tornando-os mais caros, por causa do transporte. Da mesma forma o carvão mineral que é um recurso relativamente pouco explorado no Brasil, contribui para a poluição do solo, do ar e das águas (Atlas do Meio Ambiente do Brasil, 1996; Teixeira, 2005).


No futuro próximo o preço da gasolina vai nos obrigar a usar energia com mais eficiência. Não falamos em falta de luz, só em buscar fontes com menos efeitos ambientais. Não há uma única solução. A energia vai depender do sol, do vento, do hidrogênio, um pouco de nuclear e hidrelétrica, que, aliás não é totalmente limpa porque altera a ecologia dos rios. A saída é clara: buscar novos modelos de desenvolvimento e evitar a degradação. Temos que fazer uma escolha para mudar as atuais fontes de energia. Precisamos pensar num novo modelo de qualidade de vida. Temos que comer, mas não precisamos comer o último caviar do planeta (MENCONI, D. 2005). Como a ameaça é global países ricos e pobres enfrentam o mesmo dilema: como viver bem sem comprometer a vida na Terra. É preciso poupar, usar melhor e lançar mão das energias brandas que pouco agridem a natureza, como a dos ventos e a do sol. Produzir mais é consumir mais energia. Mesmo assim o consumo energético do Brasil, somado ao de toda América Latina, representa apenas 5,5% do total mundial. Por aí se vê que não importa se o recurso é renovável ou não, o aumento do consumo de energia, necessária ao desenvolvimento, sempre contribui para o aumento do potencial de risco de agressão ao meio ambiente. Este é o grande desafio mundial: continuar crescendo sem provocar mais danos ao meio ambiente. No futuro o crescimento populacional, mudanças climáticas e outros desafios ambientais poderão estressar os sistemas naturais e seus limites, enquanto os combustíveis tradicionais não poderão atender ao crescimento projetado da demanda energética. Questões como crescimento populacional e estresse ambiental devem ser o eixo fundamental na discussão do gerenciamento do uso da energia, bem como da escolha dos meios de sua produção.



Referências Bibliográficas



ATLAS DO MEIO AMBIENTE DO BRASIL / Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Segunda Edição, rev. aum. - Brasília, EMBRAPA - SPI: Terra Viva, 1996. Capítulo: Energia, pg 35-43.


_ DUNN, S. and FLAVIN, C. Antecipando a agenda da mudança climática. O estado do Mundo 2002. Cap.2 Pag.28-58 (on-line no site www.wwiuma.org.br).


_ MENCONI, D. 2005. Alerta da Natureza. In: ISTO É, Editora Abril, n-1874, 14/09/2005.


_ O Estado da Biodiversidade. GeoBrasil 2002 - Perspectivas do Meio Ambiente no Brasil. Cap. 2, seção 2. Pág. 16-43. (on-line no site www.wwiuma.org.br).


_ SAWIN, J. L. 2004. Escolhendo Melhor a Energia. In: BROWN, L. R. et alli. 2004. Estado do Mundo. Salvador: UMA.



_ TEIXEIRA, É-C 2005. A sustentabilidade da atual matriz energética mundial. Revista Água Online, Edição 283 (http://www.aguaonline.com.br)


1- Pesquisador do Laboratório de Ornitologia e Laboratório
de Educação Ambiental da UNISINOS - Biologia.

1- Pesquisador do Laboratório de Ornitologia e Laboratório
de Educação Ambiental da UNISINOS - Biologia.



Fonte: Édison Cardoso Teixeira
Contato (arquedison@zipmail.com.br)

sábado, 11 de agosto de 2007

Resumo das discussões apresentadas no Curso de Arborização Urbana


A importância da arvore.

A arborização exerce papel de vital importância para a qualidade de vida nos centros urbanos. Por suas múltiplas funções, a árvore urbana atua diretamente sobre o microclima, a qualidade do ar, o nível de ruídos, a paisagem, além de constituir refúgio indispensável à fauna remanescente nas cidades.
Segundo alguns estudos, através da redução da incidência direta da energia e do aumento da umidade relativa do ar, a arborização pode contribuir para a redução de até 4ºC de temperatura, agindo decisivamente para atenuação das chamadas ilhas de calor, áreas de ocorrência das temperaturas mais elevadas durante o dia, especialmente nas zonas de maior poluição do ar.
Ainda com respeito à poluição, pode-se dizer que árvores colaboram na retenção de poluentes, no consumo do gás carbônico e na produção de oxigênio, contribuindo, assim, para a melhoria na qualidade do ar.
Além disto, as cortinas vegetais são capazes de diminuir em cerca de 10% o teor de poeira e obstruir a propagação do som, resultando na redução do nível de ruído.
Outros estudos ainda afirmam que a cobertura arbórea auxilia na manutenção do asfalto nas cidades, colaborando - em certa medida - para que as vias não contraiam tantos buracos, imperfeições e calombos. Este fator permite que as demandas por recomposição asfáltica diminuam, gerando economia de dinheiro público.
Versando sobre economia, ainda é possível provar que a convivência harmônica entre rede elétrica e as árvores - possibilitada em certa medida pela troca de sistema de redes – permite a redução de manutenção nas redes, menor número de podas, plantio de árvores de médio e grande porte e conseqüente ganho de cobertura vegetal e, portanto, qualidade de vida.
Acreditando nisso, nós participantes do I Encontro Paulista de Arborização Urbana - entendemos que:
1) Há necessidade de elaboração e implementação de uma Política Nacional de Arborização Urbana com o objetivo de subsidiar o manejo do verde urbano nos municípios brasileiros; Para a Política nacional de Arborização urbana foram feitos os seguintes destaques:
a) abertura de linhas de crédito pelo Ministério das Cidades para todos os municípios, inclusive para os menores de 50.000 habitantes;
b) o GRAPROHAB (Grupo de Análise e Aprovação de Projetos Habitacionais do Estado de São Paulo) deverá rever sua análise em relação a arborização urbana sob fiação;
c) implantação de viveiros nas microbacias
d)procedimentos para uso de resíduos de poda;
2) A elaboração do Estatuto do Verde Urbano é peça fundamental da Política Nacional de Arborização Urbana e deve ser elaborado por profissionais e instituições da área e de forma participativa. Para o conteúdo do Estatuto do Verde Urbano foram feitos os seguintes destaques:
a) destinação de recursos para pesquisas específicas em Arborização Urbana;
b) a legislação de parcelamento do solo, lei 6766/79, que se encontra em discussão na Câmara dos Deputados, deverá aumentar o tamanho das calçadas nos loteamentos, no sentido de prever espaço para árvore na frente dos lotes;
c) as secretarias de planejamento e de obras dos municípios devem estudar a implantação de novos projetos considerando as árvores urbanas;
iv) educação ambiental.
3) Há a importância e a necessidade da troca de experiências na área do assunto, através da continuidade de Encontros Paulistas sobre a Arborização Urbana;
4) Há a necessidade de divulgação para sensibilização da população de um modo geral dos benefícios e formas adequadas de manejo da arborização, através dos meios de comunicação e de ações educativas;
5) Criação e distribuição de um Manual/Guia de Arborização Urbana da SBAU;
6) O planejamento urbano deve considerar a destinação de espaços compatíveis no sistema viário para implantação de arborização;
7) É oportuno o envio de documento/carta deste Encontro para a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) dizendo da necessidade de normas técnicas para o manejo da Arborização Urbana no Brasil;
8) Devido ao alcance midiático existente nos lares brasileiros, principalmente pela mídia televisiva e seu produto “novela”, sugerimos que a SBAU contate os produtores das mesmas, no sentido de produzir personagens que tenham como mote a luta pelo meio ambiente e a educação ambiental.
Fizeram parte do encontro os seguintes municípios:
Americana, Amparo, Araraquara, Atibaia, Barretos, Bauru, Bernardino de Campos, Bofete, Boituva, Botucatu, Brotas, Caconde, Cajamar, Campinas, Campo Limpo Paulista, Capivari, Cerquilho, Conchal, Cordeirópolis, Corumbataí, Diadema, Espírito Santo do Turvo, , Estiva Gerbi, Ferraz de Vasconcelos, Garça, Guarujá, Guarulhos, Holambra, Hortolândia, Ibiúna, Iepê, Indaiatuba, Iperó, Ipuã, Iracemápolis, Itapeva, Itararé, Itatiba, Itupeva, Jaguariúna, Jambeiro, Jaú, Jumirim, Jundiaí, Limeira, Lorena, Louveira, Macatuba, Mairinque, Miguelópolis, Mirassol, Mogi Mirim, Monte Mor, Nova Europa, Nuporanga, Orlândia, Palmital, Paulínia, Pedregulho, Pindamonhangaba, Piracicaba, Piratininga, Porto Feliz, Praia Grande, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santa Bárbara D’Oeste, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Rosa de Viterbo, Santana de Parnaíba, Santo André, Santos, São Carlos, São João da Boa Vista, São José dos Campos, São Paulo, São Pedro, São Sebastião da Grama, São Vicente, Sertãozinho, Sorocaba, Sud Mennuci, Tarumã, Tatuí, Tietê, Torrinha, Tupã e Votuporanga. Curitiba (PR), Itapema (SC); Recife (PE) e Belo Horizonte (MG).
Agreçemos,
Renata