Este blog é sede para discussões sobre o meio ambiente e as conseqüências da intervenção humana sobre o mesmo no passado, presente e futuro, para que sirva de alerta e renovação social. Com posts , sempre buscando informações verdadeiras.E se viável sempre aceitarei sugestões.Obrigado
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Cadeia Produtiva Insustentável
Que escolas, agências de publicidade, empresas e perfis de consumidores realmente estão colocando em prática atitudes de mudança no consumo em nome da preservação da vida? Visito faculdades, empresas e instituições que têm projetos ditos “sustentáveis”, mas que não passam das idéias. Dê-se o cuidado de parar nos corredores onde ficam os coletores de resíduos, por exemplo, e se olhar, com cuidado, verás que o plástico está no vidro, o vidro no alumínio, o alumínio no orgânico e por ai vai. Visite um supermercado, uma casa de material de construção civil ou uma loja de eletrodomésticos e terás o termômetro exato do quê continua sendo oferecido para atender às demandas de um modelo de consumo incentivado pela publicidade, ainda comprometida com o capital do século XX. O discurso continua distante da prática.
Mais do que entender os efeitos negativos provocados pelo Aquecimento Global e as grandes catástrofes verificadas nos últimos anos, está faltando ao Ser Humano entender, interiorizar, absorver, no coração, alma e cérebro, que a felicidade em Ser pode estar na busca do encontro com o outro. E que para isso é necessário caminhar nessa direção, enfrentar obstáculos, abrir mão de comportamentos egoístas, imediatistas, superficiais e meramente repetitivos, convencionais, para transgredir, subverter e quebrar regras milenares em nome da dinâmica natural das leis do Universo, com renovação, invenção, criatividade, compromisso e prazer em fazer.
Quando a didática de escolas públicas, particulares e comunitárias, passar a ter compromisso com a informação como instrumento de poder para a transformação, e não como subsídios estatísticos de não evasão ou aprovação de alunos para atender justificativas de recursos alocados em rubricas do Governo, poderemos estar no começo das mudanças que a Humanidade necessita para ir ao encontro de si mesma. Por enquanto continuamos registrando a lamentação de pais que se esforçam, se escravizam e se sacrificam, para tentar educar filhos, na formalidade convencional, onde investimentos feitos não apresentam retornos qualitativos no sonho de qualquer pai ou mãe: ver seu filho ou filha no caminho de estar a serviço de construções coletivas harmoniosas com o Universo, servindo ao outro.
Como uma filha poderá deixar de querer ter 100 pares de sapatos se a mãe compra um a cada novo mês?. Como um aluno poderá deixar de lanchar sanduíche de salsicha com coca-cola se a escola não tem uma cantina com alternativas alimentares ? Como uma faculdade poderá realmente propagar que tem um projeto ambiental que prega a sustentabilidade se os seus coletores seletivos ainda de plásticos, convencionais, não coletam seletivamente, como informa a plotagem? E mais que isso, se a própria instituição faz de conta que ensina para um aluno que também faz de conta que aprende? Como pode uma secretária do lar aprender a não desperdiçar alimentos se a própria dona da casa, na mesa familiar, enche o prato de comida e não come nem metade do que se serve? E como poderemos substituir o petróleo por energias alternativas se ainda vamos às lojas de 1,99 alimentar a paradoxal cultura chinesa que transita entre a conservação de tradições milenares, como o uso dos chás, e o crescimento rápido no uso de tecnologias de ponta para a produção de descartáveis?
Enquanto existirem ONGs, Institutos, Associações, Oscips e Fundações que precisem gastar, às pressas, rodos de dinheiro recebidos do Governo brasileiro ou de fora do Brasil, fazendo qualquer coisa para apresentarem seus relatórios técnicos de visibilidade duvidosa, convênios, contratos e acordos de parceria estarão sendo renovados a longo prazo, já que a burocracia é a grande inimiga da justiça social, perseguida, a sangue e suor, por quem verdadeiramente faz e não aparece na mídia.
Liliana Peixinho – DRT 1.430 - Jornalista, Ativista e Educadora Ambiental- Fundadora dos Movimentos Independentes AMA e RAMA www.amigodomeioambiente.com.br
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
"Estudo comprova que cobertura vegetal urbana melhora conforto térmico em residências" - Revista Sustentabilidade
Uma pesquisa feita em três regiões da cidade de São Paulo comprovou que a presença de vegetação urbana reduz a necessidade do uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado em residências, informou a Agência USP de Notícias, da Universidade São Paulo.
O trabalho foi apresentado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pela engenheira agrônoma Giuliana Del Nero Velasco, que sugere o plantio de árvores de grande porte no sistema viário para ampliar a redução de temperatura obtida com a cobertura vegetal.
O trabalho analisou áreas com diferentes densidades de vegetação na Zona Sul da cidade, a primeira com 3,72% de cobertura verde, a segunda com 11,71% e a terceira com 33,92%.
"Os locais foram escolhidos por geoprocessamento, a partir das imagens de alta resolução do satélite Ikonos II", explicou Velasco. "Após a aplicação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e análise de mapas de clima já existentes, foi feito um levantamento de campo para confirmar os dados do sensoriamento remoto e definida uma amostragem de 100 residências em cada área”.
Em cada residência foram coletados dados sobre a cobertura vegetal, temperatura, umidade e, por meio de questionários, da presença de ar-condicionado e ventiladores. A concessionária de energia local forneceu informações sobre o consumo de eletricidade.
"Por fim, realizou-se o cálculo dos graus-hora de calor, que indica quantos graus de temperatura a mais precisam ser retirados do ambiente de forma artificial", completou a agrônoma.
No mês mais quente medido pela pesquisa (março), a área com menor vegetação apresentou 10 graus-hora de calor por dia, contra 3,91 graus-hora de calor da região com maior cobertura vegetal. A temperatura às 9 horas chegou a ser 2,14 graus maior que a região mais arborizada.
"Nessa área, a média de temperatura foi menor, o que resultou em um valor mais baixo de graus-hora de calor".
ÁRVORES
No mês de março, a área com menor cobertura vegetal chega a registrar um valor de 310 graus-hora de calor, enquanto a região mais arborizada teve 121,21 graus-hora de calor.
Os questionários aplicados na pesquisa também mostram que o número de aparelhos de ar condicionado e ventiladores é semelhante nas três áreas. A média de ventiladores varia de 1,81 a 2,04 aparelhos por residência e de ar-condicionado, de 0,18 a 0,29 aparelhos por casa.
"Com esses números, ainda não é possível estabelecer uma relação mais direta entre cobertura vegetal e consumo de energia, pois isso depende de outros fatores, como os hábitos de cada morador, a presença ou não dos aparelhos", explicou a agrônoma. "Mas o estudo deixa claro que a vegetação reduz a necessidade de se obter conforto térmico de forma artificial".
Giuliana recomenda a ampliação do plantio de árvores de grande porte nas calçadas. “A pesquisa mostra que maior parte da vegetação está dentro das casas”, apontou. “Apesar de sua importância, os padrões construtivos em São Paulo mudam facilmente, o que faz com que um terreno residencial dê lugar a um prédio de escritórios ou um estacionamento e as árvores no interior dos lotes sejam derrubadas”.
Segundo a engenheira agrônoma, os benefícios serão maiores com o plantio de espécies de grande porte e não de arbustos.
"Além de reduzir a temperatura, elas retêm poluentes, absorvem gás carbônico e reduzem o impacto das chuvas em maior escala, pois possuem copa e estrutura para isso”, ressaltou. "O impacto das árvores na rede elétrica pode ser reduzido com o uso de fiação compacta, que não implica em aumento de custos e evitam podas em excesso".
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Mercado de crédito de carbono ganha manual
Agência FAPESP – O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou o
Manual de Capacitação sobre Mudança do Clima e Projetos de Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo. A publicação pode ser baixada gratuitamente pela
internet.
O manual será utilizado como material de apoio para os cursos do Programa de
Capacitação sobre Mudança do Clima e Projetos de Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL), resultado de parceria do CGEE com a
Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O objetivo do programa é subsidiar empresas na elaboração de projetos de
mecanismo de desenvolvimento limpo e para apontar oportunidades de negócios
no mercado internacional de créditos de carbono.
O programa de capacitação teve início com experiências piloto em 2006, no
Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Porto Alegre. Depois de definidas a
metodologia e o formato, foram realizados, no ano seguinte, cursos em nove
cidades. Em 2008, o programa, que ao todo já contou com cerca de 420
participantes, promoveu um curso em Goiânia e outro em Curitiba. O manual
foi elaborado a partir da experiência dos cursos passados.
A intenção do CGEE é que o manual se torne uma referência para as
instituições acadêmicas do país interessadas na inserção de módulos de
capacitação sobre MDL.
Criado no Protocolo de Kyoto para reduzir emissões de gases do efeito
estufa, o MDL permite a compra, por parte dos países signatários do
protocolo, de créditos de carbono gerados por projetos de redução de
emissões executados nos países em desenvolvimento, para os quais as regras
existentes não impõem metas físicas de redução de emissões.
Os países desenvolvidos podem comprar créditos derivados de projetos de MDL
de países em desenvolvimento, como projetos de reflorestamento ou de uso de
energias de fontes renováveis. Os créditos de carbono criam um mercado para
a redução de gases do efeito estufa, dando um valor monetário ao esforço de
redução de emissões. A comercialização funciona por meio da compra e venda
de certificados de emissão dos gases.
Nesse contexto, segundo o CGEE, um dos principais objetivos do Manual de
Capacitação sobre Mudança do Clima e Projetos de MDL é mostrar que esse tipo
de projeto pode resultar em boas oportunidades de negócios internacionais.
Mais informações: <http://www.cgee.org.br/
http://www.cgee.org.br/
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Fiscalização retoma ações pela Operação Lagosta Legal
Brasília (21/02/08) – O Ibama iniciou no dia 18 deste mês a Operação Lagosta Legal 2008. O trabalho foi realizado no ano de 2007 em alguns estados do litoral brasileiro na tentativa de impedir a pesca predatória da lagosta. No ano de 2008, a fiscalização do estado da Paraíba, por exemplo, já conseguiu apreender um barco de pesca e um caminhão tipo baú, transportando tambores que seriam transformados em marambaias, um tipo de armadilha cuja utilização não é permitida na captura de lagostas. Tanto o proprietário do barco, como o do caminhão, foram autuados de acordo com a legislação. O barco de pesca ficou com o proprietário como fiel depositário, enquanto corre o processo e o caminhão encontra-se no pátio do Ibama/PB, à disposição da Justiça.
Em Sergipe, foi realizada uma fiscalização no mar com apoio da Polícia Federal, em que foram vistoriadas 13 embarcações. Na capital Aracaju, foi feita a vistoria de estabelecimentos comerciais. Apesar disso não foram encontradas irregularidades no estado. O trabalho continua e a próxima etapa será no mar, com o apoio da Capitania dos Portos.
Na Bahia, a Gerência do Ibama em Eunápolis também já apresentou resultados. As equipes constataram principalmente a tentativa de enganar a fiscalização com estoques declarados errados. No total foram declarados cerca de 16.400 kg, sendo que os fiscais encontraram cerca de 5.400 kg. Essa prática é usada para ‘’legalizar’’ lagostas pescadas durante o período de defeso. Na Capitania dos Portos do município de Porto Seguro, foi realizada uma ação conjunta com a Marinha do Brasil no dia último dia 18. O objetivo foi fiscalizar as licenças de pesca, petrechos proibidos, pesca ilegal da lagosta e outros ilícitos ambientais.
Ascom/Ibama
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Atenção,alerta!!!
Você consegue entender isso?
Porque tanto interesse das ONGs pela Amazônia?
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| Tabela | Vítimas da | Índios da Amazônia |
| | seca | |
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| Quantos? | 10 milhões | 230 mil |
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| Sujeitos à fome? | Sim | Não |
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| Passam sede? | Sim | Não |
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| Subnutrição? | Sim | Não |
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| ONGs estrangeiras ajudando | Nenhuma | 350 |
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Provável explicação:
A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e
ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior
biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios
estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras
ajudando os famintos.
Tente entender:
Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia
brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a
sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as
minas terrestres.
Agora uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?
É uma reflexão interessante.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Atrás de uma borboleta azul
Marina Silva
De Brasília (DF)
Florestas não são apenas estatísticas. Nem apenas objeto de negociações, de disputa política, de teses, de ambições, de pranto. Antes de mais nada, são florestas, um sistema de vida complexo e criativo. Têm cultura, espiritualidade, economia, infra-estrutura, povos, leis, ciência e tecnologia. E uma identidade tão forte que permanece como uma espécie de radar impregnado nas percepções, no olhar, nos sentimentos, por mais longe que se vá, por mais que se aprenda, conheça e admire as coisas do resto do mundo.
Vivi no seringal Bagaço, no Acre, até os 16 anos. Tenho pela floresta muito respeito e cuidado. Quem conhece a mata, não entra de peito aberto, mas com muita sutileza. Ali estão o suprimento, a proteção e os perigos.
E também o mistério, algo não completamente revelado. Vidas e formas quase imperceptíveis. O encontro, a cada momento, de um cipó diferente, uma raiz, uma textura, uma cor, um cheiro. A descoberta dos sons. Até o vento na copa das árvores compõe melodias únicas, de acordo com a resistência oferecida pela castanheira, a samaúma, o açaizeiro.
Na minha infância, o som que achava mais bonito era o do período da florada das castanheiras. A castanheira é polinizada por uma abelha enorme, o mangangá. Imaginem centenas de mangangás entrando nas flores para tirar o néctar! Como a flor é côncava, na hora de sair têm que fazer uma força extraordinária nas asas, num vôo de frente pra trás, que provoca um barulho de máquina potente e rouca. Uma de minhas primeiras lembranças do mundo é do barulho dos mangangás na copa da castanheira ao lado do terreiro da nossa casa.
Embora para muitas pessoas a floresta possa parecer homogênea, sempre a vi como espaço de diversidade. Gostava de prestar atenção em pequenas coisas, como formigas levando folhas para o buraco. O caminho das formigas era bem limpinho, parecia varrido. A estrada de seringa era cheia de folhas, tocos, raízes, de espera-aí, um espinho de rama que arranha a perna quando a gente passa. E eu imaginava como seria bom ter uma estrada de seringa limpa como o caminho das formigas!
Outra formiga, a tucandeira, tem uma ferroada tão dolorosa que não dá nem para explicar. Mas havia também uma razão mítica pra temê-la. Meu tio Pedro Mendes, que durante muito tempo conviveu com os índios do Alto Madeira, dizia que as tucandeiras viravam cipó de ambé. Se morresse uma na copa da árvore, o corpo virava a planta e as pernas viravam os cipós. Quando se era mordido de tucandeira, a primeira coisa a fazer era procurar um cipó de ambé, cortar e beber a água porque ela era o antídoto. Não sei se era mesmo, mas ajudava a aliviar a dor.
Meu tio ensinava coisas em que a gente acreditava profundamente. Ele dizia que se a gente se perdesse e visse uma borboleta azul, era só segui-la que ela nos levaria para a clareira mais próxima e de lá acharíamos o caminho de casa. Essa borboleta é linda, enorme, quase do tamanho da mão. Nunca vi um azul igual. Que, aliás, é marrom. Os pesquisadores do INPA descobriram que ela tem uma engenharia de disposição das escamas das asas que faz com que, na incidência de luz, se tornem azuis.
Depois entendi porque nos levava para casa. Porque gosta de pousar em frutas como banana e mamão maduros, já bicadas pelo passarinho pipira. Quando sente fome, procura a primeira clareira onde haja um roçado de frutas. E lá perto, certamente haverá uma casa. São coisas que parecem crendice, mas há conhecimento científico associado, obtido pelo mesmo princípio do método acadêmico: observação sistemática dos fenômenos.
Antes de existir Ecologia como ramo do conhecimento ou ambientalismo como movimento, o sistema da floresta já tinha suas normas, o seu "Ibama" natural, sua sustentabilidade, por meio de um código mítico que funcionava como legislação de proteção da mata e das formas de vida que a habitavam. Não se podia pescar mais do que o necessário, porque a mãe d´água afundaria a canoa. Não se podia caçar demais porque o caboclinho do mato daria uma surra. Não podia matar animal prenhe porque a pessoa ficaria panema, ou seja, sem sorte. E para tirar o azar seria preciso um ritual tão complicado que era preferível deixar o bicho em paz.
As práticas de acesso aos recursos da floresta, mediadas por esse código mítico, acabavam levando a um alto grau de equilíbrio. Só se caçava quando acabasse a carne seca pendurada no fumeiro do fogão. Logo, se não se podia caçar em excesso, não havia carne para venda, só para o próprio consumo. Contrariada essa norma, o caboclinho do mato castigaria o infrator com uma surra de cipó de fogo com nó na ponta. A pessoa apanhava mas não conseguia se defender porque não via a entidade. Ficava toda lanhada, com febre. Até o cachorro, se acuava uma caça desnecessária, começava a pular e ganir de dor. Era o caboclinho disciplinando o animal.
Os relatos eram inúmeros e me deixavam com muito medo de andar pelo mato. Superava-o, em primeiro lugar, cumprindo à risca as leis míticas. Além disso, desde criança tenho uma fé imensa e achava que, sendo justa com a natureza, Deus me protegeria.
E mesmo com todo esse medo, minhas irmãs e eu gostávamos de andar pela floresta porque lá a gente se divertia muito. Por exemplo, fazendo balanço de um cipó muito resistente, em árvores que chegavam a trinta metros de altura. Pescar nos igarapés, colher bacuri, abiu, taperebá, ingá, tucumã, cajá, era muito bom.
Era um mundo de sabedoria tradicional, de organização social e cultural inseparável da existência da floresta. Até que um dia chegaram as motoserras e tratores e desconstituiram os códigos míticos, criando a necessidade crescente do aparato legal que, por não estar dentro do homem, precisa de instituições e mecanismos para implementá-lo. Não foi à toa que a primeira grande operação de combate a desmatamento feita pela Polícia Federal, envolvendo 480 agentes, no estado de Mato Grosso, foi batizada de Operação Curupira.
Se abríssemos hoje nossa sensibilidade para os valores da floresta, talvez se tornasse mais fácil redefinir o que entendemos por qualidade de vida. Quem sabe, pode estar faltando uma enorme borboleta azul para nos conduzir para casa, onde os frutos de nossas decisões sempre nos aguardam em mesa farta.
Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.
Fale com Marina Silva: marina.silva08@terra.com.br
terça-feira, 29 de julho de 2008
Primavera Silenciosa
Mas atenção: se ninguém fazer download destes arquivos por mais de 30 dias, eles serão apagados do site, ok? (é a política do Rapidshare...)
Segue abaixo os links:
http://rapidshare.com/files/
http://rapidshare.com/files/
http://rapidshare.com/files/
http://rapidshare.com/files/
http://rapidshare.com/files/
http://rapidshare.com/files/
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terça-feira, 22 de julho de 2008
“Arco de Fogo” multa serrarias em R$ 274 mil
Belém (29/02/08) – Há uma semana em campo, a Operação “Arco de Fogo”, da Polícia Federal em parceria com o Ibama e com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), e com apoio da Força Nacional e da Polícia Militar do Estado, em Tailândia, no nordeste do Pará, já embargou 67 fornos de carvão. Isso resultou em multa de R$ 183 mil para duas serrarias. Os fornos ainda não foram destruídos, pois havia grande quantidade de carvão sendo queimado. Sua a destruição poderia causar problemas ao maquinário. No entanto, no começo da próxima semana, os fornos serão destruídos pelas próprias serrarias, sob a fiscalização do Ibama e da Sema.
Na manhã de hoje, os fiscais concluíram a fiscalização em uma pequena serraria. Ela não possuía nenhum documento do volume de madeira no pátio. Cerca de 370 m³ de madeira foram apreendidos, sendo 290 m³ em tora e 80 m³ serrada. Além das madeiras, os fiscais apreenderam todo o maquinário dessa serraria: uma serra fita, duas serras circulares, três estopadeiras e um trator carregadeira. O total de multas foi de R$ 91 mil, sendo R$ 10 mil referentes à falta de licença para funcionar; R$ 37 mil por possuuir madeira irregular; R$ 21 mil pelo funcionamento de 21 fornos de carvão sem licença; e R$ 33 mil por utilizar carvão de origem ilegal.
Luciana Almeida
Ascom/Ibama PA
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Se vai consumir, que seja com responsabilidade
A pressão sobre o patrimônio natural começa a esgotar os recursos naturais e interferir nos processos de renovação da natureza. O consumo exagerado da sociedade moderna é o principal motor dessa pressão. Atualmente se consome cerca de 25% a mais de recursos do que a natureza consegue repor de acordo com o relatório Planeta Vivo 2006 da organização não-governamental WWF. Para se ter idéia, segundo outra pesquisa da WWF, esta de 2008, se todas as classes sociais adotassem o estilo de vida da elite brasileira, seriam necessários três planetas para sustentar o consumo.
Preocupado com essa situação, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) lançou em junho o Catálogo Sustentável, um portal em que os visitantes encontram informações de produtos, serviços e empresas sustentáveis. “Criamos um catálogo virtual em um espaço aberto e amplo para reunir e permitir o acesso a produtos com características de sustentabilidade. Nosso objetivo não é, de forma alguma, estimular o consumismo, mas a procura por produtos feitos de forma sustentável”, afirma a diretora executiva do GVces, Rachel Biderman.
Para fazer parte do catálogo, o produto deve atender a pelo menos um dos critérios adotados pela equipe como eficiência energética, toxicidade, biodegradabilidade entre outros. No entanto, essa “peneira” deve ficar mais fina no futuro. “Neste momento inicial, queremos premiar quem deu o primeiro passo. Com o tempo, ficaremos mais rigorosos. De repente, atender a apenas ao critério de eficiência energética não será suficiente, também precisará ser feito com material reciclado, mas o mercado não dispõe desses produtos atualmente”, explica Biderman.
Outro objetivo da iniciativa é divulgar informações referentes à sustentabilidade empresarial, de forma a estimular que a demanda influencie a construção de um novo modelo de produção. Desde os cidadãos consumidores até as grandes empresas e órgãos públicos compradores estão dentro do público alvo. “Queremos que o catálogo também sirva como uma ferramenta de educação. Caso precise realmente consumir, que procure por produtos com menos impactos”, explica a diretora executiva do GVces.
O que precisa é consciência
Iniciativas como o catálogo sustentável são importantes, mas ainda falta compreensão da população sobre o seu impacto na natureza. “Falta nas pessoas consciência sobre o que estão fazendo. O ato da compra é desvinculado da consciência sobre o impacto da compra sobre o ambiente”, afirma a analista de projetos ambientais da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Maísa Guapyassú.
O ecólogo ambientalista e professor da Universidade Regional de Blumenau (SC), Lauro Bacca, afirma que as pessoas estão perdendo a referência devido ao aumento absurdo do consumo. “Comemora-se muito que conseguimos reciclar cerca de 90% das latinhas de refrigerante no país, mas se esquece que os outros 10% que acabam no ambiente representam aproximadamente um bilhão e meio de latas só no Brasil. Há 20 anos, esse número era zero, agora, a quantidade é imensa”, explica.
O professor acredita que a questão ambiental cresceu bastante nos últimos anos, porém a devastação ambiental aumentou muito mais. “Os carros de hoje lançam uma quantidade muito menor de poluentes no ar do que os de 20 anos atrás, mas o número de automóveis nas ruas anula esse avanço. Vivemos uma era de ilusão ambiental, esses avanços são necessários, mas temos que acabar com a crença de que só porque inventamos uma tecnologia avançada ambientalmente as coisas estão às mil maravilhas”, comenta Bacca.
O afastamento do homem moderno da natureza é outro dos fatores que contribuem para o desinteresse das pessoas em ter mais cuidado com suas atitudes de consumo, segundo Guapyassú. “Essa desconexão faz com não tenham consciência de suas ações. Acham que a tecnologia vai resolver tudo independentemente do custo”, afirma.
Consuma mais, consuma muito
O processo de indução ao consumo feito pelos diversos meios de comunicação também é responsável pelo problema, pois entra em conflito com a necessidade de ter mais cuidado na hora de comprar. “Esse modelo de sociedade de consumo criou a utopia de que o Brasil é um país inesgotável”, afirma Oscar Fergutz, analista de projetos da Fundação Avina. Guapyassú divide a mesma opinião, “queremos que as pessoas tenham comportamento ambientalmente correto, mas ao mesmo tempo elas são bombardeadas com propaganda e se valoriza a compra de produtos desnecessários. Estamos em um mundo em que as pessoas são valorizadas pelo consumo”, afirma.
Bacca não acredita que alguém diga que o meio ambiente não é importante, mas na hora de tomar medidas positivas para a natureza, mesmo as mais simples, é difícil encontrar pessoas dispostas a isso. Para ele, o governo também tem sua parcela de influência, pois não cria ações efetivas para estimular essa mudança. “O consumo consciente ainda não atingiu a grande massa e as autoridades são responsáveis em grande parte por isso. Pouco se divulga, pouco se impõem. Os governantes gostam muito de dividir o ônus com a população, nunca o bônus”, comenta.
“Se essa lógica se perpetuar, estaremos sempre pressionando o meio ambiente, pressionando na produção com a retirada dos recursos, e depois na volta, na hora do descarte. Cria uma pressão sobre o planeta tão grande, que ele não consegue se recuperar”, explica Biderman.
Tomando a frente
Oscar Fergutz é um desses consumidores que sempre procuram levar em consideração o impacto do produto e de suas ações sobre o meio ambiente. Sempre observa a quantidade de embalagens, a eficiência energética, a distância do transporte da mercadoria na hora de adquirir alguma coisa. Para ele, a responsabilidade social não pode ser só das empresas e dos governos, mas de todos que fazem parte da sociedade. “Devemos estar conscientes o tempo inteiro. Tudo o que fazemos consome recursos do planeta”, afirma.
É este tipo de postura que o planeta precisa urgentemente de seus mais numerosos habitantes. “Nosso planeta Titanic está afundando e as pessoas não estão percebendo, continuam na proa do navio fazendo festa”, conclui o professor Bacca.
Para saber mais sobre consumo consciente, visite os sites do GVces, do Instituto Akatu e do Instituto de Defesa do Consumidor.sexta-feira, 11 de julho de 2008
G8 empurra para frente compromissos efetivos com redução de emissões de gases
Por Mylena Fiori, da Agência Brasil
Hokkaido (Japão) - Como na cúpula do ano passado, na Alemanha, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia conseguiram empurrar para frente compromissos efetivos com a redução de emissões de gases de efeito estufa.
As mudanças climáticas foram tema principal da cúpula de 2007, na cidade alemã de Heilligendamm. Japão, Canadá e União Européia (que, como bloco, não integra o G8 mas participa das reuniões como convidado especial) defenderam a redução das emissões em 50% até 2050 e os demais países do G8 se comprometeram a considerar a proposta na reunião deste ano, em Hokkaido.
A resistência, especialmente norte-americana, levou a uma manifestação morna sobre o tema. Os poderosos do G8 jogaram a aprovação da meta para a Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima, que vem tentando negociar um regime de emissões pós-2012, quando vencem as metas do Protocolo de Quioto.
Eles reconheceram, porém o princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas, assumindo que os países desenvolvidos devem liderar o processo de redução de emissões e fixar metas também de médio prazo. ( Liderar desta forma? Com metas tão a longo prazo?)
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assegura que os países emergentes estão dispostos a colaborar. O Brasil, no entanto, é contrário à fixação de metas por setores da economia, como a siderurgia – isso implicaria uma mudança profunda na economia das nações em desenvolvimento.
"Não queremos que seja uma mesma meta para um setor no mundo inteiro", frisou o chanceler. "A prioridade do desenvolvimento dos países pobres é muito forte", afirmou.
(Envolverde/Agência Brasil)
segunda-feira, 7 de julho de 2008
A água nossa que vai embora
Novo conceito joga luz sobre a água utilizada no processo de produção, que é exportada e ainda desconhecida pelo consumidor brasileiro
O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de água. Ela não sai em garrafas, tonéis e em gigantescos navios-tanque. Segundo uma nova classe de especialistas, trata-se da água incorporada ao processo produtivo de qualquer bem industrial ou agrícola e que é indiretamente comercializada. Trata-se da "água virtual", embutida especialmente nas commodities agrícolas e que, na maioria dos casos, não é contabilizada nos custos de produção.
Cada quilo de soja, por exemplo, exige em média dois mil litros de água para ser produzido. Já o quilo da carne bovina exige 43 mil litros de água. Neste cálculo entram não só a água consumida diretamente pelo animal, mas também a água utilizada na produção de alimentação do gado, no tratamento (serviços como limpeza), no abate e ainda os volumes necessários para o processamento dos produtos finais. Para se ter uma idéia, uma refeição com 250 gramas de carne de boi e 250 gramas de arroz demandaria, em média, mais de 11 mil litros de água. Por sua vez, se a refeição for de batata e carne de frango, na mesma quantidade, o total demandado cai para cerca de mil litros de água.
A partir deste conceito, os pesquisadores podem saber o quanto de água virtual os países exportam ou importam e buscar maneiras sustentáveis da utilização deste recurso. "A concepção de água virtual está relacionada ao conceito de pegada ecológica, pois é necessário perseguir os passos e etapas do processo de produção avaliando cada elemento, os impactos e os usos dos recursos naturais envolvidos no processo como um todo, desde sua matéria-prima básica até o consumo", explica Ricardo Ojima, pesquisador do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp (Nepo) e um dos autores do trabalho.
Segundo Ojima, o Brasil é hoje o sétimo exportador mundial de água virtual, especialmente por conta da produção de soja e carne bovina. Dados do MDIC mostram que a soja foi responsável, em 2005, por mais de 58% das exportações do grupo de commodities de maior participação na balança comercial brasileira (soja, carnes e açúcar). No mesmo ano, considerando apenas a soja, a China apresentou-se como um dos principais importadores da água virtual brasileira, tendo levado 16,1 bilhões de m3. Isto é, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), o equivalente a quatro vezes o consumo médio diário de toda a Região Metropolitana de São Paulo.
Passivo hídrico
Dados do MDIC indicam ainda que a exportação de água virtual vem crescendo ao longo dos últimos anos. Tomando como referência a água utilizada para a produção da soja, da carne e do açúcar, em 2002 o país exportou 52,2 bilhões de metros cúbicos (m3) de água virtual, em 2003 foram 65,5 bilhões m3 e no ano seguinte este número subiu para 73,8 bilhões. Em 1997, esse valor não chegava a 30 bilhões de m3 de água. "O peso da produção de carne também aumentou muito no período, sendo que o aumento do rebanho brasileiro sinaliza no sentido do país se consolidar também como maior exportador mundial de carne", ressalta o trabalho.
Segundo as contas da Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 11% da água consumida no país destinam-se ao abastecimento animal, nada menos que a mesma proporção destinada ao abastecimento urbano. O rebanho bovino brasileiro, de acordo com o último censo agropecuário, já soma mais boi do que gente: 193 milhões de cabeças de gado contra 186 milhões de habitantes.
Além disso, a exportação de água virtual tende a crescer se confirmado o potencial do país para irrigação. Houve um crescimento das áreas irrigadas no Brasil de 2,3 milhões de hectares, em 1990, para 3,1 milhões. O potencial para o desenvolvimento da irrigação, que já usa quase 70% do total da água consumida no país é estimado em nada menos que 29,5 milhões de hectares.
"É necessário que os tomadores de decisão saibam o que é necessário internalizar para a produção de um produto que eles tentam exportar. É um passivo ambiental pesado para o país", avalia o professor Demetrios Christofidis, doutor em Gestão Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB). A preocupação cresce se considerada a desigualdade na distribuição de água do Brasil.
Apesar de possuir 12% das reservas de água doce do planeta, sua distribuição pelo país é desigual e já aponta para situações de escassez. A região hidrográfica Amazônica, segundo levantamento da ANA, detém 68% dos recursos hídricos superficiais em uma área equivalente a 44% do território nacional. No entanto, é ocupada por apenas 4,5% da população brasileira. O oposto ocorre em outras regiões, a exemplo da região hidrográfica do Atlântico NE Oriental, onde estão cinco capitais nordestinas, que ocupa 3,4% da área do país, concentra 12,7% da população e apenas 0,5% da água.
Segundo Christofidis, por exemplo, a tendência brasileira é de redução na área total de pastagens até 2015 para o conjunto do país, mas com crescimento na região Norte, onde está a Amazônia, as terras são mais baratas e a água está concentrada. "E temos de estar atentos não só a quantidade de água utilizada, mas também à qualidade da água que é devolvida aos mananciais", alerta.
Cobrança e uso
Entre os seis instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos está a cobrança pelo uso da água. Ojima salienta a necessidade de associar a discussão da água virtual à da cobrança, especialmente no caso do setor agropecuário. Hoje a cobrança está implementada apenas na Bacia do Vale do Paraíba.
"Esta discussão não chegou à esfera da cobrança, que, aliás, ainda está só no âmbito das águas superficiais", reclama Ojima. Para se ter uma idéia, o Brasil exportou, segundo o MDIC, 86,8 bilhões de m3 de água virtual apenas em soja, carne e açúcar em 2005. Se o preço dessa água fosse R$ 0,02 por metro cúbico, que é o valor cobrado para o uso da água no Paraíba do Sul, teriam sido arrecadados nada menos que R$ 1,7 bilhão no ano passado para reaplicação nas bacias do país.
Contudo, a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) já sinalizou que discorda da cobrança pelo uso da água, alegando riscos para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional. "O setor ainda está na expectativa e como muitas dúvidas com relação à cobrança. Será que o pagamento pelo uso [da água] é mesmo um instrumento de gestão? Iremos fazer esta discussão", promete Jairo dos Santos Souza, representante da CNA no Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). A discussão também deve ser intensificada nas próximas revisões do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).
O Instituto para a Educação da Água da Unesco e o World Water Council alegam que o comércio de água virtual alivia a pressão sobre os países que possuem poucos recursos hídricos, mas alerta que esse comércio deve vir acompanhado de uma política de conscientização para o uso de produtos que demandem uma quantidade menor de água. "Um plano consistente de educação ambiental e conscientização pode ter mais efeito que a própria cobrança", diz Christofidis.
Mudança no cardápio
Nos próximos 50 anos, a população mundial deve se estabilizar em torno de nove bilhões de pessoas. Segundo estimativas da ONU, em 2025, haverá mais de três bilhões de pessoas vivendo em países com escassez de água. A América Latina é depositária de 25% do estoque mundial de água, colocando-a como uma região com relativa abundância de água superficial.
O problema, segundo os pesquisadores da Unicamp, é que o consumo de produtos que necessitam de muito água para sua produção é alto no mundo, como é o caso da soja e do arroz. Já os produtos como o milho e a batata, que necessitam de menos água para a produção, são menos consumidos. Ojima argumenta que uma das sáidas para um planajamento sustentável da utilização dos recursos hídricos pode ser,no médio e longo prazo, a reestruturação do próprio cardápio.
Governo federal e Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis assinam termo de compromisso
04/07/2008 - 12h07 - Por Kamila Almeida, do MDS
A ministra em exercício do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Arlete Sampaio, participou nesta quinta-feira (03), da assinatura do Termo de Compromisso entre órgãos do governo federal e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O documento estabelece o compromisso com o MNCR para construção de uma política pública no reconhecimento do trabalho dos catadores e desenvolvimento de ações para inclusão social e econômica do trabalhador. Serão investidas verbas para construção de galpões, implementação de projetos, aquisição de materiais e equipamentos, cursos técnicos em reciclagem, entre outros.
Além dos investimentos, a Unesco vai relançar o edital para projetos de apoio à organização de catadores. O edital permitirá fazer uma pesquisa sobre custo da coleta seletiva realizada pelos catadores em comparação com a coleta realizada pelas Prefeituras e pelas empresas para verificar o impacto dos trabalhos dos catadores para a cadeia produtiva da reciclagem. “Temos o compromisso de realizar ações para reconhecer os catadores”, reforçou Arlete Sampaio.
Participaram da assinatura representantes dos ministérios do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, das Cidades, da Saúde, do Trabalho e Emprego, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e da Educação, da Caixa Econômica Federal, Subsecretaria de Direitos Humanos, BNDES, Casa Civil, Fundação Banco do Brasil e Petrobrás.
Crédito de imagem: André Carvalho/MDS
(Envolverde/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)
Ecojogos
Falar sobre os problemas que afligem a sociedade e introduzir novos conceitos não é tarefa fácil. Mesmo quando os assuntos em questão são de interesse de todos, como acontece com os temas ambientais e relativos à sustentabilidade das atividades humanas no planeta. Para tornar mais suave a lição, a moderna pedagogia ensina que buscar formas originais de comunicar o conteúdo pode ajudar, e muito, na aprendizagem. Tornando o processo mais rápido, eficiente e por que
não, divertido!
Por outro lado, para que jogos e brinquedos comercializados no mercado continuem atrativos é preciso que se mantenham antenados com o perfil do consumidor contemporâneo. Assim, o desafio é duplo. É necessário facilitar a compreensão de conceitos modernos, aproveitando maneiras lúdicas de transmitir o conhecimento e fomentar a crítica. Ao mesmo tempo, é preciso conseguir fazer isso conquistando e prendendo o interesse dos que estão sendo educados.
Uma das soluções encontradas pelos fabricantes e criadores de jogos, brinquedos e materiais didáticos de apoio é investir nos
chamados "ecojogos", que divertem e transmitem mensagens em prol do meio ambiente e de atitudes sustentáveis.
Nessa linha, a Estrela, tradicional fabricante de jogos e brinquedos, acaba de lançar o "Banco Imobiliário Sustentável", versão ambientalmente correta do consagrado jogo de tabuleiro, criado em 1944. Na versão renovada, a mecânica do jogo está
totalmente ligada ao tema da sustentabilidade. Em vez de bairros e ruas importantes, as casas do tabuleiro representam reservas
naturais como Pantanal, Rio São Francisco, Chapada dos Veadeiros e Serra da Mantiqueira. "A dinâmica do jogo foi desenvolvida para ser um processo pedagógico, que premia quem tem preocupação ecológica e pune quem não tem", explica Aires Leal Fernandes, Diretor de marketing da Brinquedos Estrela.
A preocupação ambiental não fica só por conta dos jogadores, o próprio jogo físico é ecologicamente mais correto. As peças
plásticas são feitas com o chamado "plástico verde", fabricado com um polímero derivado de cana de açúcar. O material além de ser biodegradável ainda contribuiu para a redução do efeito estufa ao absorver e fixar CO2 (gás carbônico) da atmosfera, durante o
crescimento das plantas. O tabuleiro, a embalagem e as cartas são feitos com papel reciclado.
Ainda, no Banco Imobiliário Sustentável, as companhias de transporte foram substituídas por empresas como Companhia de Reciclagem Energética, Companhia de Reflorestamento, de Agricultura Orgânica, de Reciclagem Mecânica. As cartas de Revés ou Sorte trazem, como exemplo, a mensagem de revés "sua empresa foi multada por poluir demais", ou a mensagem de sorte "você protegeu suas terras do desmatamento e faturou com o turismo ecológico".
O novo "ecojogo" chega ao mercado em julho, mas em edição limitada. Serão 10 mil unidades comercializados exclusivamente na rede de lojas do Wal-Mart Brasil, Parceiro Estratégico do Akatu, que também desenvolve um amplo programa interno de sustentabilidade. "Só teremos escala de produção para ampliar as vendas a partir de 2010, quando a Braskem (empresa responsável pela confecção do "plástico verde") terá concluído a linha de produção do novo polímero", explica Fernandes. A partir desta data, a empresa pretende ampliar gradativamente o uso do "plástico verde" em seus produtos. "A idéia é fazer carrinhos e bonecas com o material, além de novos jogos", conta o diretor de marketing da empresa.
Na linha dos "ecojogos", que além de utilizar o "plástico verde" em sua fabricação também abordam temas ambientais, a Estrela já tem programado o lançamento do "Mundo Novo", jogo direcionado aos pré-adolescentes e adolescentes e que aborda o aquecimento global. "No jogo os participantes vão trabalhar para salvar os continentes dos problemas causados pelo aquecimento do planeta", conta Fernandes.
Ecojogos on line - Além do novo Banco imobiliário estão também disponíveis na web diferentes jogos que tratam os temas ambientais e o conceito de sustentabilidade de forma lúdica. Maurício Gibrin, game designer, parceiro no desenvolvimento dos jogos cooperativos utilizados nas capacitações do Akatu, é um dos criadores do Greenpeace WeAther, jogo colaborativo em que o objetivo é salvar a Terra dos desastres ambientais. "É um jogo 100% cooperativo. O mundo está cheio de poluição e crises devido ao aquecimento global, entre outros fatores, e todos os jogadores precisam se unir para resolver os problemas do mundo. Se não conseguirem, todos perdem o jogo", explica Gibrin.
O WeAther, ganhador do Leão de Bronze na edição 2008 do Festival de Cannes, foi desenvolvido para o Greenpeace, em parceira com a AlmapBBDO, pela colmeia (produtora especializada na realização de projetos em novas mídias, como games, celular e internet ) e pelos game designers Fabiano Onça e Maurício Gibrin. O jogo está disponível on line, no endereço www.greenpeaceweather.com.br.
O game designer Maurício Gibrin leva na bagagem o reconhecimento internacional pela criação do jogo "Ilha de Waka Waka", premiado no concurso de criadores de Boulogne-Billancourt em 2004, um dos mais importantes do setor. Ele acredita que tratar de temas complexos e importantes como sustentabilidade e aquecimento global usando jogos é uma maneira agradável de aproximá-los do dia-a-dia das pessoas. "Espero que os jogos ajudem as pessoas a abrirem os olhos. O jogo alerta as pessoas e as faz reavaliar seu modo de pensar", conclui.
Decisão do mercado – Muito além do idealismo, no entanto, investir a temática ambiental passou a ser também uma importante estratégia para quem pretende se manter alinhado com o que pensa e quer o consumidor contemporâneo. O diretor de marketing da Brinquedos
E sustentabilidade, acredita Fernandes, já está na pauta dos brasileiros. Ele explica que a Estrela realiza periodicamente
pesquisas qualitativas (com os chamados Focus Groups) para avaliar quais os assuntos e temas de interesse da população e, dessa forma, manter seus produtos em dia com o mercado. "E a questão da sustentabilidade já é um assunto recorrente nessas pesquisas", conta.
Mas se no Brasil a tendência de criação dos "ecojogos" está apenas começando, ela já é uma realidade na Europa, em especial na Alemanha e na França. "Fora do Brasil existem inclusive empresas que só fazem `ecojogos', tanto no que diz respeito aos materiais, quanto aos próprios temas abordados", conta Gibrin. Segundo o game designer, na França, os desenvolvedores de jogos ecológicos têm especial fascínio pelos temas relacionados à Floresta Amazônica e investem pesado no setor.
No Brasil, porém, a maioria dos "ecojogos" ainda está disponível apenas nas páginas da web. E como descobrir novidades com qualidade na internet nem sempre é fácil, Maurício Gibrin destaca algumas características que podem servir de pistas para identificar um "ecojogo" com mais facilidade. Confira a seguir:
- O "ecojogo" sempre passa uma mensagem (relacionada às questões ambientais e de sustentabilidade);
- Ajuda o jogador a pensar sobre o tema ou mensagem e a analisar seus próprios pontos de vista sob uma nova ótica;
- São, em geral, cooperativos, ou seja, todos os jogadores trabalham juntos para atingir o mesmo objetivo e ganham ou perdem, em equipe, embora alguns ainda sejam competitivos;
- São fabricados com materiais ecologicamente corretos;
Gibrin, alerta, no entanto, que os "ecojogos" embora cumpram um papel importante ao transmitir conhecimentos e auxiliar na difusão de novos modos de pensar, ainda são, acima de tudo, uma forma de entretenimento. "Todo jogo tem que continuar a ser divertido, senão perde sua razão de ser", ensina o especialista.
Para jogar on line
WeAther
O "WeAther", do Greenpeace, trata dos problemas causados pela emissão de gases poluentes e pelo aquecimento global. Site em português.
http://www.greenpeaceweather
Energyville – O jogador precisa providenciar energia em quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 3,9 milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, mantê-la limpa, segura e economicamente viável. As escolhas dos jogadores têm impactos econômicos, tecnológicos e ambientais sentidos pelos moradores locais. Versão em inglês.
http://www.willyoujoinus.com
Honoloko
O jogo acontece na Ilha de Honoloko, que é muito semelhante ao nosso mundo e onde as nossas ações impactam o meio ambiente onde vivemos.
O objetivo do jogador é tomar decisões que melhorem a saúde dos habitantes e o ambiente de Honoloko. O jogo é direcionado a jovens e adultos. O jogador pode escolher entre 26 idiomas, inclusive uma versão em português.
http://honoloko.eea.europa.eu
Para as crianças:
Eco Kids – Site feito sob medida para a criançada. Propõe-se a transmitir aos pequenos, por meio de jogos e entretenimento,
conhecimentos básicos sobre cidadania e meio ambiente. O público-alvo são crianças entre 4 e 7 anos. Site em português.
http://www1.uol.com.br/ecokids/
Ecoagents – Special Units
Os jogadores podem se tornar Ecoagentes, da Agência Européia do Ambiente (AEA), encarregada de recolher informações sobre o ambiente em toda a Europa. Como ecoagentes podem ajudar a proteger o meio ambiente e os recursos naturais. O público-alvo são jovens e crianças de 7 a 14 anos, mas o site é inglês.
http://ecoagents.eea.europa.eu/
(Envolverde/Instituto Akatu)
segunda-feira, 30 de junho de 2008
União Européia defende "soberania responsável" para Amazônia
O chefe da diplomacia européia vem progressivamente colocando o conceito na mesa, sinalizando na prática que o mundo enfrenta antigos e novos desafios de segurança que são mais complexos dos que as instituições multilaterais e nacionais são capazes de administrar. Ontem, em Genebra, num debate sobre necessidade de cooperação global, ele argumentou: " Todo mundo tem que ser responsável com o que acontece com seu próprio país, mas também com as conseqüências no resto do mundo. "
Logo depois da questão sobre a Amazônia, Solana tratou de avisar que de jeito nenhum falava em " intervenção, nada disso " , pedindo aos repórteres para não o colocarem nessa situação. De seu lado, reiterou que a União Européia quer assumir responsabilidades como " catalisadora para uma solução " para o combate à mudança climática.
Ele insistiu que é " hora de assumir compromissos " para a redução de gases de efeito-estufa. Indicou que a Europa tem novas idéias para o encontro de cúpula do G-8, no mês que vem, para discutir com os cinco grandes emergentes - Brasil, China, índia, África do Sul e México.
A posição européia, explicou Solana, é que todos devem assumir compromissos obrigatórios de redução de emissões, mas levando em conta a diferenciação. Ou seja, diferentes países tendo diferentes responsabilidades com base no tamanho do que já poluiu e atual desenvolvimento.
Para revitalizar a cooperação global, Solana defende inclusive logo um acordo na Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), estimando que, se isso não acontecer, será um péssimo sinal para a negociação sobre o clima no ano que vem.
Questionado sobre uma taxação global do poluidor, ele respondeu que as emissões de C02 " não podem ser livres de cobrança, caso contrário será muito difícil cumprir as metas (de redução) " . Solana concordou que, sem a China, a Índia e os outros grandes emergentes, os Estados Unidos continuarão não aceitando fechar um novo acordo para reduzir as emissões.
(Assis Moreira | Valor Econômico)
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Salve a Estrada Parque de Itu!!!!
Por favor divulgue para suas listas a campanha em defesa da Estrada Parque e das corredeiras do Tietê, ameaçadas de desaparecer com a implantação de barragens. A EMAE quer implantar duas PCHs na Estrada Parque e uma delas, junto ao Jequitibá Rosa, símbolo da unidade de conservação, na Rodovia do Romeiros. No lote de concessão da ANEEL o Tietê, nesse trecho especialmente preservado pela Constituição Paulistas (artigo 196), tem potencial hidroenergético para quatro barragens. Isso acaba com as corredeiras e com capacidade natural de recuperação do maior rio paulista e inunda 120 hectares de mata atlântica, dentre outros patrimônios naturais e culturais como a Estrada Parque, conhecida como Rodovia dos Romeiros e a Gruta da Gloria, monumento geológico e turístico da região.
Tel.: 11 3055-7888
Fax: 11 3885-1680
Cel: 11-98352341
Lei da Califórnia pode excluir Brasil de créditos
Na contramão da postura assumida pelo governo dos Estados Unidos, alguns estados americanos, solitária e corajosamente, começam a adotar iniciativas concretas para um maior comprometimento no combate das mudanças climáticas. Quem lidera essa caminhada é o estado da Califórnia.
Tradicionalmente conhecida nos EUA como pioneira nas discussões sobre meio ambiente, a Califórnia foi o primeiro estado americano a promulgar uma lei estadual de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEEs): Assembly Bill 32. Promulgada em 2006, a lei está ainda em fase de regulamentação e deverá entrar em vigor em 1º de janeiro de 2012. No entanto, apesar da aparente distância temporal, já está causando grande polêmica nos bastidores políticos californianos.
Isso porque a lei AB 32 determina que, até 1º de janeiro de 2009, o Conselho Estadual de Recursos do Ar (Air Resources Board), órgão responsável pelo assunto, deverá definir qual o instrumento a ser utilizado para a redução das emissões.
Alguns órgãos institucionais participarão da regulamentação da lei. Entre eles se destaca uma forte coalizão de defesa ambiental chamada Environmental Justice, que tem atribuição legal para participar e votar nas negociações e tem se posicionado contra o sistema de Cap and Trade — mecanismo de reduzir emissões, seqüestrar Carbono e negociar os respectivos créditos, que são vendidos àqueles que não conseguem atingir metas de redução.
A coalizão EJ alega que permitir um sistema internacional de compensações sobre as emissões de GEEs seria apenas uma forma paliativa de contornar o problema, uma vez que induziria os grandes emissores a comprar os créditos ao invés de investir em mudanças, por exemplo, de suas matrizes energéticas, substituindo térmicas a carvão ou diesel, por térmicas a gás natural ou bicombustíveis. Os representantes da EJ acreditam, enfim, que a saída para o problema das emissões de GEEs passa por uma regulamentação baseada em políticas de eficiência energética com investimentos pesados em fontes de energia renovável, como a solar e a eólica.
Entretanto, é necessário ponderar que não é este o espírito que deve imperar na regulamentação da lei californiana. Há um equívoco de interpretação na crítica apresentada pela EJ que enfoca o sistema Cap and Trade, somente sob o prisma do princípio do poluidor-pagador. Muitas vezes o significado desse princípio é distorcido para a errônea idéia de concessão ao direito de poluir, quando na verdade é justamente uma imposição inibitória a quem não respeita o meio ambiente. Importante mencionar que o capital investido na compra dos créditos é justamente o que fomenta pesquisas para o desenvolvimento de energias limpas.
Se analisada a questão com maior critério, será percebido que o mecanismo de venda de Créditos de Carbono tem um significado muito mais amplo e profundo do que uma "hipócrita compra do direito de poluir", como parece assim interpretar o grupo Environmental Justice. Na verdade, a comercialização de créditos de Carbono compreende uma importantíssima ferramenta de incentivo para a transição de boa parte da matriz energética mundial, há décadas baseada na queima de combustíveis fósseis de alto potencial poluidor, para uma matriz baseada na produção de energia limpa e renovável, alicerçada por uma base economicamente viável e atraente, em consonância com as regras da sustentabilidade. E se pensarmos que a tendência mundial futura é cada vez mais voltada em reduzir drasticamente as emissões gases de CO2 equivalente, a melhor alternativa e para que as economias mundiais se adaptem com o menor impacto possível é o sistema de Cap and Trade.
E o Brasil figura como candidato a um dos grandes players deste potencial mercado, caso venha ser regulado em moldes parecidos com o instrumento previsto no protocolo de Quioto chamado de emissions trading, mercado este que pode chegar a um trilhão de dólares até 2020, se os EUA como um todo adotar o sistema de Cap and Trade — segundo estudo feito e publicado em seu site pela New Carbon Finance, empresa de consultoria norte americana especializada na análise e fomento de novos negócios envolvendo o mercado de créditos de carbono. Os investidores brasileiros, que até então fixavam seus olhares somente na Europa para negociar o preço de seus certificados de reduções, poderão ter também no mercado californiano uma nova e ótima alternativa para venda de seus créditos.
Os debates que envolvem a regulamentação da lei californiana é assunto da maior relevância, pois o que for decidido na Califórnia certamente influenciará a postura política que o Congresso norte americano adotará quando abrir a discussão do tema em âmbito nacional. E levando em conta a considerável pressão que existe da comunidade mundial sobre um dos maiores emissores de CEEs do mundo, essa discussão não deve se alongar muito além das eleições presidenciais deste ano.
Assim, resta saber se o estado da Califórnia adotará a política aparentemente protecionista defendida pela EJ, ou se efetivamente abrirá as portas para que os EUA entrem de vez na corrida contra o aquecimento global. O mundo espera ansioso!
Revista Consultor Jurídico, 20 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Fiscalização retoma ações pela Operação Lagosta Legal
Brasília (21/02/08) – O Ibama iniciou no dia 18 deste mês a Operação Lagosta Legal 2008. O trabalho foi realizado no ano de 2007 em alguns estados do litoral brasileiro na tentativa de impedir a pesca predatória da lagosta. No ano de 2008, a fiscalização do estado da Paraíba, por exemplo, já conseguiu apreender um barco de pesca e um caminhão tipo baú, transportando tambores que seriam transformados em marambaias, um tipo de armadilha cuja utilização não é permitida na captura de lagostas. Tanto o proprietário do barco, como o do caminhão, foram autuados de acordo com a legislação. O barco de pesca ficou com o proprietário como fiel depositário, enquanto corre o processo e o caminhão encontra-se no pátio do Ibama/PB, à disposição da Justiça.
Em Sergipe, foi realizada uma fiscalização no mar com apoio da Polícia Federal, em que foram vistoriadas 13 embarcações. Na capital Aracaju, foi feita a vistoria de estabelecimentos comerciais. Apesar disso não foram encontradas irregularidades no estado. O trabalho continua e a próxima etapa será no mar, com o apoio da Capitania dos Portos.
Na Bahia, a Gerência do Ibama em Eunápolis também já apresentou resultados. As equipes constataram principalmente a tentativa de enganar a fiscalização com estoques declarados errados. No total foram declarados cerca de 16.400 kg, sendo que os fiscais encontraram cerca de 5.400 kg. Essa prática é usada para ‘’legalizar’’ lagostas pescadas durante o período de defeso. Na Capitania dos Portos do município de Porto Seguro, foi realizada uma ação conjunta com a Marinha do Brasil no dia último dia 18. O objetivo foi fiscalizar as licenças de pesca, petrechos proibidos, pesca ilegal da lagosta e outros ilícitos ambientais.
Ascom/Ibamasegunda-feira, 9 de junho de 2008
Conheça o Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis
A página de busca na internet foi desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (GVces), com o apoio do Banco Real ABN AMRO, Parceiro Pioneiro do Akatu, e pretende estimular a adoção de boas práticas, ao promover o consumo racional e eficiente através da divulgação de produtos e serviços sustentáveis.
“O nosso propósito é informar os consumidores institucionais, entre eles governos e empresas, e também o público em geral sobre as relações entre consumo e meio ambiente, e futuramente incorporar questões sociais. Para isso, o consumidor terá acesso através do catálogo, às informações sobre a matéria-prima, o processo produtivo, a legislação pertinente e aos impactos ambientais associados à produção e ao consumo de bens e serviços”, explica Luciana Stocco Betiol, advogada e professora, que participa da coordenação do projeto.
No ar há pouco mais de um mês, o catálogo já foi acessado 13.000 vezes. O lançamento oficial aconteceu no dia 16 de abril, durante a III Feira Brasil Certificado, evento promovido pelo FSC Brasil (da sigla em inglês que significa Conselho Brasileiro de Manejo Florestal), pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e pelo Imazon (Instituo do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em São Paulo.
Segundo Luciana, para ser considerado sustentável é preciso que o produto (ou serviço) preencha ao menos um dos critérios pré-definidos pelos organizadores, ao longo das pesquisas. “Com o tempo esperamos que este catálogo seja um impulsionador de boas práticas produtivas, passando a ser possível exigir no mínimo dois, três, quatro ou mais critérios para a inclusão de um produto no nosso catálogo. Assim que surgirem produtos mais sustentáveis do que os que se encontram hoje no catálogo, estes produtos serão retirados dando lugar aos que respondem a critérios mais exigentes”, conta a advogada.
Os critérios utilizados para classificação até o momento são exclusivamente ambientais e estão agrupados em grandes áreas, como, por exemplo: eficiência energética; origem renovável do recurso; toxicidade; biodegradabilidade; solubilidade em água; gestão de resíduos; impactos globais; racionalização etc. A partir de agora, o centro de pesquisas pretende elaborar também os critérios que avaliem os aspectos sociais, tais como saúde, educação, emprego, comunidades tradicionais, entre outros. No site o consumidor encontra descrição em maior detalhe do processo de classificação atualmente utilizado pelo catálogo.
O projeto implantado pela FGV foi organizado pela sub-coordenadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade, Rachel Biderman, que verificou, em seus estudos sobre consumo sustentável, a necessidade de se criar um espaço imparcial, isto é, que não estivesse vinculado a promoção de marcas específicas, onde o consumidor pudesse buscar informações sobre o impacto ambiental do ciclo de vida dos mais diversos produtos e serviços – incluindo sua fabricação, consumo e descarte. “A idealização deste catálogo vem para suprir esta deficiência e auxiliar os consumidores a mudar seus padrões de consumo”, define Luciana.
A advogada conta ainda que o conteúdo inicial do catálogo sustentável foi produzido para o projeto de análise do banco de compras do estado de São Paulo, realizado pelo Centro da FGV para a Secretaria do Meio Ambiente, em 2006. Para conseguir organizar o banco de compras foram pensados critérios que permitissem identificar as opções mais sustentáveis, além de realizar uma pesquisa no mercado nacional para identificar a disponibilidade destes produtos. “Iniciou-se ai, a produção de um banco de dados de produtos mais sustentáveis, que nos inspirou a prosseguir nesta pesquisa, acrescendo aos produtos também os serviços sustentáveis, publicações a respeito do tema, bem como a sua divulgação gratuita a toda a coletividade”, descreve.
Para o consumidor consciente, interessado em maximizar os aspectos positivos de seu ato de consumo e, ao mesmo tempo minimizar os negativos, Luciana recomenda que fique atento aos critérios de sustentabilidade utilizados no catálogo na hora de escolher o que comprar, no seu daí a dia. Inclusive quando for comprar produtos tradicionais – não classificado como sustentáveis. No entanto, ressalta que a presença de um produto no catálogo não representa o mesmo que uma certificação. “O consumidor deve ter muito claro que não somos uma instituição certificadora, tampouco temos qualquer interesse em promover comercialmente este ou aquele produto.”, explica.
O objetivo da Instituição é continuar atualizando o catálogo anualmente, de modo que, no futuro, este possa apresentar uma larga amostra de produtos e serviços disponíveis no mercado brasileiro e que preencham critérios de sustentabilidade previamente definidos, não somente na dimensão ambiental. “Hoje o que temos é a consolidação em um ambiente virtual de pesquisas realizadas nos anos de 2006 e 2007, para governos sub-nacionais, por isso a sua limitação a algumas “famílias” de produtos. Este projeto é um projeto que exige pesquisa e atualização constante e que, por estar em seu nascedouro, não teria condições de abarcar todos os produtos nacionais”, continua a advogada.
No site existem dois espaços para o consumidor consciente participar diretamente da construção da ferramenta, por meio do “faça parte”, onde é possível indicar produtos ou serviços sustentáveis, e o “fale conosco”, espaço aberto para o consumidor manifestar-se sobre o conteúdo da página. As indicações dos internautas serão analisadas e, se aceitas pelo grupo técnico de aconselhamento do projeto, passaram a fazer parte das indicações.
O Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis está disponível para consulta e comentários dos consumidores no link: http://www.catalogosustentavel
Um planeta de famélicos e obesos
Nesta semana está acontecendo em Roma uma reunião da FAO para tratar do problema da crise alimentar global que ameaça milhões de pessoas. Análises destacam que o problema vem sendo agravado pela concentração da distribuição de alimentos e matérias-primas para a sua produção em mãos de poucas, mas poderosas, empresas. Enquanto isso, são os pobres, e especialmente as crianças, que mais sofrem com a crise alimentar. Segue a matéria de Miguel Mora publicada no El País, 03-06-2008. A tradução é do Cepat.
50 chefes de Estado e de Governo, 150 ministros de Agricultura e cerca de 20 responsáveis de instituições supranacionais se reúnem desde terça-feira (03/06) até hoje [quinta-feira] na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) em Roma para tratar de resolver a crise alimentar global que ameaça milhões de pessoas.
O rascunho das conclusões da reunião, ao qual os países estão dando os últimos retoques por grupos regionais, desenha um futuro “de imenso sofrimento humano, assim como de descontentamento social e instabilidade política, que ameaçam colocar em perigo o desenvolvimento econômico e social”.
Um dado facilitado pela FAO resume graficamente a situação: do lado infeliz há 820 milhões de cidadãos passando fome; entre eles, 178 milhões de crianças desnutridas. Do lado afortunado, 1 bilhão de seres humanos sofrem de sobrepeso; desses, 300 milhões já são obesos.
No relatório que será apresentado à reunião, a FAO admite que os dados da fome não variaram desde 1990, o que equivale a assumir que as políticas desenvolvidas até agora foram um fracasso. O estudo atribui a crise à mudança climática, à escassez de cereais (a produção está no mínimo histórico desde 1983), ao aumento da demanda na China e na Índia, ao preço do petróleo, à elaboração de biocombustíveis, à especulação que domina os mercados de futuros de sementes e matérias-primas, e a uma política agrícola e comercial protecionista e não solidária.
Muitos problemas diferentes que, se não forem resolvidos rapidamente, podem piorar o panorama. Segundo a Oxfam, se os países continuarem investindo em biocombustíveis e não em alimentos para o consumo humano, em 2025 haverá 600 milhões a mais de esfomeados no mundo.
Um fenômeno recente começa a preocupar os especialistas: junto com a desnutrição que grassa uma parte do mundo, a má alimentação começa a causar estragos na outra metade. No México, o número de pessoas obesas e com sobrepeso duplicou entre a população mais pobre entre 1988 e 1998, e chega hoje a 60%.
A culpa, destacam diversas ONGs que participam da reunião, não é tanto dos países mas de um modelo liberal em que mandam as multinacionais e os intermediários. Segundo Antonio Onorati, da Crocevia, “os preços agrícolas são decididos pelos grandes distribuidores, cadeias como Auchan ou Wal-Mart que compram diretamente dos produtores e ganham a fatia maior do preço final”.
Marco de Ponte, secretário-geral italiano da Ajuda e Ação, tornou pública a lista das cinco empresas que controlam mais de 80% do mercado de cereais, com os lucros de 2007: Cargill (36%), Archer Daniels Midland (67%), ConAgra (30%), Bunge (49%) e Dreyfuss (19% em 2006).
Outro setor em expansão é o dos produtores de sementes, herbicidas e pesticidas: Monsanto, Bayer, Dupont, Basf, Dow, Potashcorp… “A globalização alterou a relação comercial da agricultura”, explica Alberto López, representante espanhol na FAO. “O capital que antes especulava em imobiliárias está hoje na compra de futuros de matérias-primas. A demanda cresceu muito rapidamente e é necessário conter o impacto facilitando a distribuição, a eficácia produtiva e o consumo responsável”.
A FAO propõe soluções a curto, médio e longo prazos: mais dinheiro, mais ajuda aos países pobres, um comércio mais justo, melhor coordenação entre as instituições e as ONGs, potencializar a produção em pequena escala, orientada ao consumo local e regional.
Entretanto, os preços cada vez mais altos dos alimentos estão agravando o problema para a parte mais frágil da cadeia, a infância. A organização Médicos sem Fronteiras exige em Roma ajuda imediata para as 20 milhões de crianças que sofrem de desnutrição aguda. “Nas últimas semanas vimos um aumento brutal de casos na Etiópia, onde já há 120.000 crianças em situação de emergência médica”, lembra Javier Sancho.
(www.ecodebate.com.br) publicado pelo IHU On-line, 05/06/2008 [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.