Este blog é sede para discussões sobre o meio ambiente e as conseqüências da intervenção humana sobre o mesmo no passado, presente e futuro, para que sirva de alerta e renovação social. Com posts , sempre buscando informações verdadeiras.E se viável sempre aceitarei sugestões.Obrigado
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Sonho da ''revolução'' do biodiesel de mamona chega ao fim no Piauí e promove desmatamento.
terras e sobrevivem da doação de cestas básicas
Ribamar Oliveira e Wilson Pedrosa escrevem para “O Estado
de São Paulo”:
Depois de três anos, o sonho do presidente Lula de produzir
biodiesel de mamona parece ter chegado ao fim. Ao colherem
este ano uma safra irrisória, os pequenos agricultores do
projeto Santa Clara, localizado entre as cidades de Canto
do Buriti e Eliseu Martins, no sul do Piauí, sobrevivem de
favores, de cestas básicas, e estão convencidos de que
plantar mamona não é um bom negócio.
A própria empresa Brasil Ecodiesel, encarregada do
empreendimento, já procura alternativas à mamona e passou a
fazer experimentos na região com outras plantas, como o
girassol e o pinhão manso. Mas as iniciativas são
preliminares, pois ainda faltam conhecimentos técnicos mais
profundos sobre as culturas alternativas.
Como resultado do fracasso do empreendimento, a usina de
produção de biodiesel mantida pela empresa em Floriano, a
260 quilômetros de Teresina, capital do Piauí, está em
ritmo lento e vem utilizando basicamente a soja como
matéria-prima, na ausência da mamona. No projeto Santa
Clara, a imagem é de abandono, com muitas famílias deixando
a área e as casas, construídas no início do projeto,
desocupadas e destelhadas.
Primeira colheita - No dia 4 de agosto de 2005, Lula
participou da primeira colheita de mamona no projeto Santa
Clara, que serviria de modelo para a integração da
agricultura familiar ao programa do biodiesel. Na época, o
entusiasmo do presidente era grande. Ele chegou a dizer aos
pequenos agricultores presentes na solenidade que era
possível fazer "uma revolução" a partir da mamona. A
realidade, porém, mostrou-se bastante diferente do sonho
vendido pelo presidente.
"Não colhi mamona nenhuma este ano", disse o agricultor
Pedro José de Souza Filho, que guarda uma foto de Lula,
quando o presidente visitou a sua modesta casa, durante a
solenidade da colheita de 2005. "Só colhi mesmo dois sacos
de feijão." E Pedro não foi o único que não colheu nada ou
quase nada.
No início do ano, uma praga de lagartas dizimou os
primeiros plantios de mamona do assentamento. A empresa
Brasil Ecodiesel, parceira dos agricultores no
empreendimento, foi obrigada a fazer o replantio. Mas não
houve tempo. Em algumas áreas, a empresa chegou a arar a
terra, mas a maior parte ficou sem plantio, o que afetou o
rendimento dos agricultores.
O montante da safra deste ano ainda não é conhecido, mas as
evidências indicam enorme frustração. "A safra de 2008 foi
um desastre", disse Lino Hipólito Neto, um dos líderes dos
agricultores. Ele próprio não colheu sequer uma saca de
mamona. A empresa Brasil Ecodiesel informou ao Estado que
"os volumes são relativamente baixos frente ao tamanho do
projeto de agricultura familiar que a empresa desenvolve no
Brasil, com cerca de 30 mil famílias". Os agricultores, que
são chamados de "parceiros", dizem que a produção vem
caindo ano após ano.
Em 2005, o primeiro ano do empreendimento, a colheita foi
excepcional. Um levantamento feito pelos próprios
agricultores indica que a safra do ano em que Lula visitou
o empreendimento foi de 1,8 mil toneladas. No ano seguinte,
a produção caiu para 1,2 mil toneladas. Em 2007, ano de
pouca chuva, a produção caiu para somente 643 toneladas.
Este ano, acredita-se que a colheita não tenha chegado à
metade daquela obtida no ano passado.
A expectativa da empresa Brasil Ecodiesel era que cada
parceiro conseguisse uma produtividade de pelo menos uma
tonelada de mamona por hectare. "Em 2005, alguns parceiros
chegaram a colher 2 toneladas por hectare", lembrou Lino
Neto. Mas a produtividade foi caindo a cada ano, por causa
de uma série de fatores, incluindo a falta de correção do
solo e a piora na qualidade das sementes utilizadas,
segundo informaram os agricultores.
Células - O projeto Santa Clara impressiona por suas
dimensões. No início, eram 665 famílias distribuídas em 19
assentamentos, chamados de "células". Cada uma das famílias
ganhou um lote de 8,5 hectares. Deste total, 5 hectares
deveriam ser destinados ao plantio da mamona e 2,5 hectares
ao plantio do feijão.
A empresa ficaria com 30% da produção de cada "parceiro"
para cobrir os seus custos com o empreendimento e os
adiantamentos de dinheiro feitos aos agricultores. Não
seria permitido o cultivo de qualquer outro produto na
área. Apenas um hectare ficaria para que o "parceiro"
pudesse cultivar o que desejasse. Mas essa regra não foi
seguida por todos. Como o cultivo da mamona não apresentou
os resultados esperados, alguns agricultores passaram a
plantar mandioca e milho para aumentar sua renda. A empresa
terminou aceitando a solução.
Porém, mesmo com essa flexibilização, a sobrevivência dos
"parceiros" está dependendo da boa vontade da Brasil
Ecodiesel, que paga R$ 164 por mês para cada família e
ainda distribui uma cesta básica. Mas isso é um favor
prestado pela empresa, pois não está no contrato, e os
agricultores não sabem como irão um dia pagar esses
benefícios. Por causa das dificuldades, os agricultores
estimam que cerca de 40 famílias já deixaram o
empreendimento.
Usina de biodiesel substitui mamona por óleo de soja - Não
há movimento de caminhões no pátio da usina de biodiesel da
Brasil Ecodiesel, em Floriano. As evidências são de que a
fábrica funciona em ritmo lento e a produção é mínima. Há
denúncias na cidade de que a empresa começou a demitir
parte dos funcionários. Essa usina de biodiesel foi montada
para processar a mamona produzida no projeto Santa Clara.
O problema é que não há mamona suficiente para fazer a
fábrica produzir - além disso, segundo a Agência Nacional
do Petróleo (ANP), o biodiesel produzido apenas com mamona
é muito viscoso e danifica os motores.
A empresa Brasil Ecodiesel admite que está produzindo
biodiesel com óleo de soja. "O óleo de soja ainda
representa mais de 90% dos óleos utilizados para a produção
de biodiesel da Brasil Ecodiesel em suas unidades
industriais", diz comunicado da empresa enviado ao Estado.
O comunicado é ambíguo, pois não especifica qual é a
matéria-prima usada na produção do biodiesel na usina de
Floriano.
"A companhia pretende reduzir o percentual de utilização do
óleo de soja na medida em que sua estratégia de
“originação” (sic) agrícola seja expandida, elevando o
percentual de utilização dos óleos de mamona, girassol e,
no longo prazo, pinhão manso", diz o comunicado.
Há um motivo para a fabricação do biodiesel da mamona por
agricultores familiares. A produção de combustível de
mamona ou de outras oleaginosas, no regime da agricultura
familiar, concede ao empreendedor o "selo combustível
social", que dá direito a incentivos fiscais: isenção da
contribuições para Financiamento da Seguridade Social
(Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS).
Também dá direito a financiamentos do BNDES, BnB e do Basa
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social,
Banco do Nordeste, Banco da Amazônia) a juros mais baixos.
O secretário de governo da prefeitura de Floriano,
Edilberto Batista de Araújo, não tem dúvidas de que o
futuro da usina da Brasil Ecodiesel é a soja. Segundo ele,
o cultivo está em expansão no sul do Piauí. "Temos cerca de
2 milhões de hectares de cerrado, área propícia à produção
de soja. Esta é uma das últimas fronteiras agrícolas do
País."
Carvoaria e desmatamento - A carvoaria do projeto Santa
Clara não é fácil de ser encontrada. É preciso andar muito,
em meio à vegetação nativa, por estradas de areia que
cortam o empreendimento. Mas, ao final da busca, é possível
observar um grande edifício industrial. "É o maior e mais
moderno forno de carvão do Piauí", diz o ambientalista
Judson Barros, presidente da Fundação Águas do Piauí
(Funáguas). "Esse forno é controlado por computador".
É difícil imaginar que um projeto voltado à integração
social e ao respeito à ecologia precise queimar a madeira
nativa da região, de solo pobre, para sobreviver. O mais
impressionante é que a empresa responsável pelo
empreendimento, a Brasil Ecodiesel, promove, anualmente, a
Semana do Meio Ambiente do Projeto Santa Clara, da qual
participam os agricultores do empreendimento e seus filhos.
Há um grande desmatamento na região do projeto. As árvores
foram cortadas e, depois, a madeira foi abandonada, em
montes, na região. A empresa Brasil Ecodiesel admitiu a
existência da carvoaria. "A produção de carvão foi a
solução encontrada para a estruturação do Núcleo Santa
Clara, quando foi preciso abrir espaço das áreas, visando
ao plantio de mamona, matéria-prima para a produção de
biodiesel", informou, em comunicado dirigido ao Estado.
A empresa assegura que possui a licença ambiental do Ibama
para cortar a madeira e produzir o carvão. Mas recusou-se a
informar o número da licença ambiental concedida pelo
instituto. Em vez de comprovar a licença do Ibama, a Brasil
Ecodiesel preferiu dizer que a atividade da carvoaria está
paralisada desde 2006.
A empresa tentou justificar a grande quantidade de madeira
encontrada no pátio da carvoaria. "As madeiras encontradas
atualmente na carvoaria do Núcleo Santa Clara são resíduos
florestais resultantes da abertura de espaço realizado no
início da implantação do projeto."
A prefeita de Eliseu Martins, Terezinha Dantas (PSDB), não
esconde a sua preocupação com os destinos do projeto Santa
Clara. A cidade de Eliseu Martins está localizada a 20
quilômetros do empreendimento. "Eles desmataram muito",
disse a prefeita. "Dá pena de ver", lamentou.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Cadeia Produtiva Insustentável
Que escolas, agências de publicidade, empresas e perfis de consumidores realmente estão colocando em prática atitudes de mudança no consumo em nome da preservação da vida? Visito faculdades, empresas e instituições que têm projetos ditos “sustentáveis”, mas que não passam das idéias. Dê-se o cuidado de parar nos corredores onde ficam os coletores de resíduos, por exemplo, e se olhar, com cuidado, verás que o plástico está no vidro, o vidro no alumínio, o alumínio no orgânico e por ai vai. Visite um supermercado, uma casa de material de construção civil ou uma loja de eletrodomésticos e terás o termômetro exato do quê continua sendo oferecido para atender às demandas de um modelo de consumo incentivado pela publicidade, ainda comprometida com o capital do século XX. O discurso continua distante da prática.
Mais do que entender os efeitos negativos provocados pelo Aquecimento Global e as grandes catástrofes verificadas nos últimos anos, está faltando ao Ser Humano entender, interiorizar, absorver, no coração, alma e cérebro, que a felicidade em Ser pode estar na busca do encontro com o outro. E que para isso é necessário caminhar nessa direção, enfrentar obstáculos, abrir mão de comportamentos egoístas, imediatistas, superficiais e meramente repetitivos, convencionais, para transgredir, subverter e quebrar regras milenares em nome da dinâmica natural das leis do Universo, com renovação, invenção, criatividade, compromisso e prazer em fazer.
Quando a didática de escolas públicas, particulares e comunitárias, passar a ter compromisso com a informação como instrumento de poder para a transformação, e não como subsídios estatísticos de não evasão ou aprovação de alunos para atender justificativas de recursos alocados em rubricas do Governo, poderemos estar no começo das mudanças que a Humanidade necessita para ir ao encontro de si mesma. Por enquanto continuamos registrando a lamentação de pais que se esforçam, se escravizam e se sacrificam, para tentar educar filhos, na formalidade convencional, onde investimentos feitos não apresentam retornos qualitativos no sonho de qualquer pai ou mãe: ver seu filho ou filha no caminho de estar a serviço de construções coletivas harmoniosas com o Universo, servindo ao outro.
Como uma filha poderá deixar de querer ter 100 pares de sapatos se a mãe compra um a cada novo mês?. Como um aluno poderá deixar de lanchar sanduíche de salsicha com coca-cola se a escola não tem uma cantina com alternativas alimentares ? Como uma faculdade poderá realmente propagar que tem um projeto ambiental que prega a sustentabilidade se os seus coletores seletivos ainda de plásticos, convencionais, não coletam seletivamente, como informa a plotagem? E mais que isso, se a própria instituição faz de conta que ensina para um aluno que também faz de conta que aprende? Como pode uma secretária do lar aprender a não desperdiçar alimentos se a própria dona da casa, na mesa familiar, enche o prato de comida e não come nem metade do que se serve? E como poderemos substituir o petróleo por energias alternativas se ainda vamos às lojas de 1,99 alimentar a paradoxal cultura chinesa que transita entre a conservação de tradições milenares, como o uso dos chás, e o crescimento rápido no uso de tecnologias de ponta para a produção de descartáveis?
Enquanto existirem ONGs, Institutos, Associações, Oscips e Fundações que precisem gastar, às pressas, rodos de dinheiro recebidos do Governo brasileiro ou de fora do Brasil, fazendo qualquer coisa para apresentarem seus relatórios técnicos de visibilidade duvidosa, convênios, contratos e acordos de parceria estarão sendo renovados a longo prazo, já que a burocracia é a grande inimiga da justiça social, perseguida, a sangue e suor, por quem verdadeiramente faz e não aparece na mídia.
Liliana Peixinho – DRT 1.430 - Jornalista, Ativista e Educadora Ambiental- Fundadora dos Movimentos Independentes AMA e RAMA www.amigodomeioambiente.com.br
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
"Estudo comprova que cobertura vegetal urbana melhora conforto térmico em residências" - Revista Sustentabilidade
Uma pesquisa feita em três regiões da cidade de São Paulo comprovou que a presença de vegetação urbana reduz a necessidade do uso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado em residências, informou a Agência USP de Notícias, da Universidade São Paulo.
O trabalho foi apresentado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, pela engenheira agrônoma Giuliana Del Nero Velasco, que sugere o plantio de árvores de grande porte no sistema viário para ampliar a redução de temperatura obtida com a cobertura vegetal.
O trabalho analisou áreas com diferentes densidades de vegetação na Zona Sul da cidade, a primeira com 3,72% de cobertura verde, a segunda com 11,71% e a terceira com 33,92%.
"Os locais foram escolhidos por geoprocessamento, a partir das imagens de alta resolução do satélite Ikonos II", explicou Velasco. "Após a aplicação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e análise de mapas de clima já existentes, foi feito um levantamento de campo para confirmar os dados do sensoriamento remoto e definida uma amostragem de 100 residências em cada área”.
Em cada residência foram coletados dados sobre a cobertura vegetal, temperatura, umidade e, por meio de questionários, da presença de ar-condicionado e ventiladores. A concessionária de energia local forneceu informações sobre o consumo de eletricidade.
"Por fim, realizou-se o cálculo dos graus-hora de calor, que indica quantos graus de temperatura a mais precisam ser retirados do ambiente de forma artificial", completou a agrônoma.
No mês mais quente medido pela pesquisa (março), a área com menor vegetação apresentou 10 graus-hora de calor por dia, contra 3,91 graus-hora de calor da região com maior cobertura vegetal. A temperatura às 9 horas chegou a ser 2,14 graus maior que a região mais arborizada.
"Nessa área, a média de temperatura foi menor, o que resultou em um valor mais baixo de graus-hora de calor".
ÁRVORES
No mês de março, a área com menor cobertura vegetal chega a registrar um valor de 310 graus-hora de calor, enquanto a região mais arborizada teve 121,21 graus-hora de calor.
Os questionários aplicados na pesquisa também mostram que o número de aparelhos de ar condicionado e ventiladores é semelhante nas três áreas. A média de ventiladores varia de 1,81 a 2,04 aparelhos por residência e de ar-condicionado, de 0,18 a 0,29 aparelhos por casa.
"Com esses números, ainda não é possível estabelecer uma relação mais direta entre cobertura vegetal e consumo de energia, pois isso depende de outros fatores, como os hábitos de cada morador, a presença ou não dos aparelhos", explicou a agrônoma. "Mas o estudo deixa claro que a vegetação reduz a necessidade de se obter conforto térmico de forma artificial".
Giuliana recomenda a ampliação do plantio de árvores de grande porte nas calçadas. “A pesquisa mostra que maior parte da vegetação está dentro das casas”, apontou. “Apesar de sua importância, os padrões construtivos em São Paulo mudam facilmente, o que faz com que um terreno residencial dê lugar a um prédio de escritórios ou um estacionamento e as árvores no interior dos lotes sejam derrubadas”.
Segundo a engenheira agrônoma, os benefícios serão maiores com o plantio de espécies de grande porte e não de arbustos.
"Além de reduzir a temperatura, elas retêm poluentes, absorvem gás carbônico e reduzem o impacto das chuvas em maior escala, pois possuem copa e estrutura para isso”, ressaltou. "O impacto das árvores na rede elétrica pode ser reduzido com o uso de fiação compacta, que não implica em aumento de custos e evitam podas em excesso".
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Mercado de crédito de carbono ganha manual
Agência FAPESP – O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) lançou o
Manual de Capacitação sobre Mudança do Clima e Projetos de Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo. A publicação pode ser baixada gratuitamente pela
internet.
O manual será utilizado como material de apoio para os cursos do Programa de
Capacitação sobre Mudança do Clima e Projetos de Mecanismo de
Desenvolvimento Limpo (MDL), resultado de parceria do CGEE com a
Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O objetivo do programa é subsidiar empresas na elaboração de projetos de
mecanismo de desenvolvimento limpo e para apontar oportunidades de negócios
no mercado internacional de créditos de carbono.
O programa de capacitação teve início com experiências piloto em 2006, no
Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Porto Alegre. Depois de definidas a
metodologia e o formato, foram realizados, no ano seguinte, cursos em nove
cidades. Em 2008, o programa, que ao todo já contou com cerca de 420
participantes, promoveu um curso em Goiânia e outro em Curitiba. O manual
foi elaborado a partir da experiência dos cursos passados.
A intenção do CGEE é que o manual se torne uma referência para as
instituições acadêmicas do país interessadas na inserção de módulos de
capacitação sobre MDL.
Criado no Protocolo de Kyoto para reduzir emissões de gases do efeito
estufa, o MDL permite a compra, por parte dos países signatários do
protocolo, de créditos de carbono gerados por projetos de redução de
emissões executados nos países em desenvolvimento, para os quais as regras
existentes não impõem metas físicas de redução de emissões.
Os países desenvolvidos podem comprar créditos derivados de projetos de MDL
de países em desenvolvimento, como projetos de reflorestamento ou de uso de
energias de fontes renováveis. Os créditos de carbono criam um mercado para
a redução de gases do efeito estufa, dando um valor monetário ao esforço de
redução de emissões. A comercialização funciona por meio da compra e venda
de certificados de emissão dos gases.
Nesse contexto, segundo o CGEE, um dos principais objetivos do Manual de
Capacitação sobre Mudança do Clima e Projetos de MDL é mostrar que esse tipo
de projeto pode resultar em boas oportunidades de negócios internacionais.
Mais informações: <http://www.cgee.org.br/
http://www.cgee.org.br/
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Fiscalização retoma ações pela Operação Lagosta Legal
Brasília (21/02/08) – O Ibama iniciou no dia 18 deste mês a Operação Lagosta Legal 2008. O trabalho foi realizado no ano de 2007 em alguns estados do litoral brasileiro na tentativa de impedir a pesca predatória da lagosta. No ano de 2008, a fiscalização do estado da Paraíba, por exemplo, já conseguiu apreender um barco de pesca e um caminhão tipo baú, transportando tambores que seriam transformados em marambaias, um tipo de armadilha cuja utilização não é permitida na captura de lagostas. Tanto o proprietário do barco, como o do caminhão, foram autuados de acordo com a legislação. O barco de pesca ficou com o proprietário como fiel depositário, enquanto corre o processo e o caminhão encontra-se no pátio do Ibama/PB, à disposição da Justiça.
Em Sergipe, foi realizada uma fiscalização no mar com apoio da Polícia Federal, em que foram vistoriadas 13 embarcações. Na capital Aracaju, foi feita a vistoria de estabelecimentos comerciais. Apesar disso não foram encontradas irregularidades no estado. O trabalho continua e a próxima etapa será no mar, com o apoio da Capitania dos Portos.
Na Bahia, a Gerência do Ibama em Eunápolis também já apresentou resultados. As equipes constataram principalmente a tentativa de enganar a fiscalização com estoques declarados errados. No total foram declarados cerca de 16.400 kg, sendo que os fiscais encontraram cerca de 5.400 kg. Essa prática é usada para ‘’legalizar’’ lagostas pescadas durante o período de defeso. Na Capitania dos Portos do município de Porto Seguro, foi realizada uma ação conjunta com a Marinha do Brasil no dia último dia 18. O objetivo foi fiscalizar as licenças de pesca, petrechos proibidos, pesca ilegal da lagosta e outros ilícitos ambientais.
Ascom/Ibama
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Atenção,alerta!!!
Você consegue entender isso?
Porque tanto interesse das ONGs pela Amazônia?
|-----------------------------
| Tabela | Vítimas da | Índios da Amazônia |
| | seca | |
|-----------------------------
| Quantos? | 10 milhões | 230 mil |
|-----------------------------
| Sujeitos à fome? | Sim | Não |
|-----------------------------
| Passam sede? | Sim | Não |
|-----------------------------
| Subnutrição? | Sim | Não |
|-----------------------------
| ONGs estrangeiras ajudando | Nenhuma | 350 |
|-----------------------------
Provável explicação:
A Amazônia tem: ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e
ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior
biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios
estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.
O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras
ajudando os famintos.
Tente entender:
Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia
brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a
sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as
minas terrestres.
Agora uma pergunta: Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?
É uma reflexão interessante.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Atrás de uma borboleta azul
Marina Silva
De Brasília (DF)
Florestas não são apenas estatísticas. Nem apenas objeto de negociações, de disputa política, de teses, de ambições, de pranto. Antes de mais nada, são florestas, um sistema de vida complexo e criativo. Têm cultura, espiritualidade, economia, infra-estrutura, povos, leis, ciência e tecnologia. E uma identidade tão forte que permanece como uma espécie de radar impregnado nas percepções, no olhar, nos sentimentos, por mais longe que se vá, por mais que se aprenda, conheça e admire as coisas do resto do mundo.
Vivi no seringal Bagaço, no Acre, até os 16 anos. Tenho pela floresta muito respeito e cuidado. Quem conhece a mata, não entra de peito aberto, mas com muita sutileza. Ali estão o suprimento, a proteção e os perigos.
E também o mistério, algo não completamente revelado. Vidas e formas quase imperceptíveis. O encontro, a cada momento, de um cipó diferente, uma raiz, uma textura, uma cor, um cheiro. A descoberta dos sons. Até o vento na copa das árvores compõe melodias únicas, de acordo com a resistência oferecida pela castanheira, a samaúma, o açaizeiro.
Na minha infância, o som que achava mais bonito era o do período da florada das castanheiras. A castanheira é polinizada por uma abelha enorme, o mangangá. Imaginem centenas de mangangás entrando nas flores para tirar o néctar! Como a flor é côncava, na hora de sair têm que fazer uma força extraordinária nas asas, num vôo de frente pra trás, que provoca um barulho de máquina potente e rouca. Uma de minhas primeiras lembranças do mundo é do barulho dos mangangás na copa da castanheira ao lado do terreiro da nossa casa.
Embora para muitas pessoas a floresta possa parecer homogênea, sempre a vi como espaço de diversidade. Gostava de prestar atenção em pequenas coisas, como formigas levando folhas para o buraco. O caminho das formigas era bem limpinho, parecia varrido. A estrada de seringa era cheia de folhas, tocos, raízes, de espera-aí, um espinho de rama que arranha a perna quando a gente passa. E eu imaginava como seria bom ter uma estrada de seringa limpa como o caminho das formigas!
Outra formiga, a tucandeira, tem uma ferroada tão dolorosa que não dá nem para explicar. Mas havia também uma razão mítica pra temê-la. Meu tio Pedro Mendes, que durante muito tempo conviveu com os índios do Alto Madeira, dizia que as tucandeiras viravam cipó de ambé. Se morresse uma na copa da árvore, o corpo virava a planta e as pernas viravam os cipós. Quando se era mordido de tucandeira, a primeira coisa a fazer era procurar um cipó de ambé, cortar e beber a água porque ela era o antídoto. Não sei se era mesmo, mas ajudava a aliviar a dor.
Meu tio ensinava coisas em que a gente acreditava profundamente. Ele dizia que se a gente se perdesse e visse uma borboleta azul, era só segui-la que ela nos levaria para a clareira mais próxima e de lá acharíamos o caminho de casa. Essa borboleta é linda, enorme, quase do tamanho da mão. Nunca vi um azul igual. Que, aliás, é marrom. Os pesquisadores do INPA descobriram que ela tem uma engenharia de disposição das escamas das asas que faz com que, na incidência de luz, se tornem azuis.
Depois entendi porque nos levava para casa. Porque gosta de pousar em frutas como banana e mamão maduros, já bicadas pelo passarinho pipira. Quando sente fome, procura a primeira clareira onde haja um roçado de frutas. E lá perto, certamente haverá uma casa. São coisas que parecem crendice, mas há conhecimento científico associado, obtido pelo mesmo princípio do método acadêmico: observação sistemática dos fenômenos.
Antes de existir Ecologia como ramo do conhecimento ou ambientalismo como movimento, o sistema da floresta já tinha suas normas, o seu "Ibama" natural, sua sustentabilidade, por meio de um código mítico que funcionava como legislação de proteção da mata e das formas de vida que a habitavam. Não se podia pescar mais do que o necessário, porque a mãe d´água afundaria a canoa. Não se podia caçar demais porque o caboclinho do mato daria uma surra. Não podia matar animal prenhe porque a pessoa ficaria panema, ou seja, sem sorte. E para tirar o azar seria preciso um ritual tão complicado que era preferível deixar o bicho em paz.
As práticas de acesso aos recursos da floresta, mediadas por esse código mítico, acabavam levando a um alto grau de equilíbrio. Só se caçava quando acabasse a carne seca pendurada no fumeiro do fogão. Logo, se não se podia caçar em excesso, não havia carne para venda, só para o próprio consumo. Contrariada essa norma, o caboclinho do mato castigaria o infrator com uma surra de cipó de fogo com nó na ponta. A pessoa apanhava mas não conseguia se defender porque não via a entidade. Ficava toda lanhada, com febre. Até o cachorro, se acuava uma caça desnecessária, começava a pular e ganir de dor. Era o caboclinho disciplinando o animal.
Os relatos eram inúmeros e me deixavam com muito medo de andar pelo mato. Superava-o, em primeiro lugar, cumprindo à risca as leis míticas. Além disso, desde criança tenho uma fé imensa e achava que, sendo justa com a natureza, Deus me protegeria.
E mesmo com todo esse medo, minhas irmãs e eu gostávamos de andar pela floresta porque lá a gente se divertia muito. Por exemplo, fazendo balanço de um cipó muito resistente, em árvores que chegavam a trinta metros de altura. Pescar nos igarapés, colher bacuri, abiu, taperebá, ingá, tucumã, cajá, era muito bom.
Era um mundo de sabedoria tradicional, de organização social e cultural inseparável da existência da floresta. Até que um dia chegaram as motoserras e tratores e desconstituiram os códigos míticos, criando a necessidade crescente do aparato legal que, por não estar dentro do homem, precisa de instituições e mecanismos para implementá-lo. Não foi à toa que a primeira grande operação de combate a desmatamento feita pela Polícia Federal, envolvendo 480 agentes, no estado de Mato Grosso, foi batizada de Operação Curupira.
Se abríssemos hoje nossa sensibilidade para os valores da floresta, talvez se tornasse mais fácil redefinir o que entendemos por qualidade de vida. Quem sabe, pode estar faltando uma enorme borboleta azul para nos conduzir para casa, onde os frutos de nossas decisões sempre nos aguardam em mesa farta.
Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.
Fale com Marina Silva: marina.silva08@terra.com.br
terça-feira, 29 de julho de 2008
Primavera Silenciosa
Mas atenção: se ninguém fazer download destes arquivos por mais de 30 dias, eles serão apagados do site, ok? (é a política do Rapidshare...)
Segue abaixo os links:
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terça-feira, 22 de julho de 2008
“Arco de Fogo” multa serrarias em R$ 274 mil
Belém (29/02/08) – Há uma semana em campo, a Operação “Arco de Fogo”, da Polícia Federal em parceria com o Ibama e com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), e com apoio da Força Nacional e da Polícia Militar do Estado, em Tailândia, no nordeste do Pará, já embargou 67 fornos de carvão. Isso resultou em multa de R$ 183 mil para duas serrarias. Os fornos ainda não foram destruídos, pois havia grande quantidade de carvão sendo queimado. Sua a destruição poderia causar problemas ao maquinário. No entanto, no começo da próxima semana, os fornos serão destruídos pelas próprias serrarias, sob a fiscalização do Ibama e da Sema.
Na manhã de hoje, os fiscais concluíram a fiscalização em uma pequena serraria. Ela não possuía nenhum documento do volume de madeira no pátio. Cerca de 370 m³ de madeira foram apreendidos, sendo 290 m³ em tora e 80 m³ serrada. Além das madeiras, os fiscais apreenderam todo o maquinário dessa serraria: uma serra fita, duas serras circulares, três estopadeiras e um trator carregadeira. O total de multas foi de R$ 91 mil, sendo R$ 10 mil referentes à falta de licença para funcionar; R$ 37 mil por possuuir madeira irregular; R$ 21 mil pelo funcionamento de 21 fornos de carvão sem licença; e R$ 33 mil por utilizar carvão de origem ilegal.
Luciana Almeida
Ascom/Ibama PA
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Se vai consumir, que seja com responsabilidade
A pressão sobre o patrimônio natural começa a esgotar os recursos naturais e interferir nos processos de renovação da natureza. O consumo exagerado da sociedade moderna é o principal motor dessa pressão. Atualmente se consome cerca de 25% a mais de recursos do que a natureza consegue repor de acordo com o relatório Planeta Vivo 2006 da organização não-governamental WWF. Para se ter idéia, segundo outra pesquisa da WWF, esta de 2008, se todas as classes sociais adotassem o estilo de vida da elite brasileira, seriam necessários três planetas para sustentar o consumo.
Preocupado com essa situação, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) lançou em junho o Catálogo Sustentável, um portal em que os visitantes encontram informações de produtos, serviços e empresas sustentáveis. “Criamos um catálogo virtual em um espaço aberto e amplo para reunir e permitir o acesso a produtos com características de sustentabilidade. Nosso objetivo não é, de forma alguma, estimular o consumismo, mas a procura por produtos feitos de forma sustentável”, afirma a diretora executiva do GVces, Rachel Biderman.
Para fazer parte do catálogo, o produto deve atender a pelo menos um dos critérios adotados pela equipe como eficiência energética, toxicidade, biodegradabilidade entre outros. No entanto, essa “peneira” deve ficar mais fina no futuro. “Neste momento inicial, queremos premiar quem deu o primeiro passo. Com o tempo, ficaremos mais rigorosos. De repente, atender a apenas ao critério de eficiência energética não será suficiente, também precisará ser feito com material reciclado, mas o mercado não dispõe desses produtos atualmente”, explica Biderman.
Outro objetivo da iniciativa é divulgar informações referentes à sustentabilidade empresarial, de forma a estimular que a demanda influencie a construção de um novo modelo de produção. Desde os cidadãos consumidores até as grandes empresas e órgãos públicos compradores estão dentro do público alvo. “Queremos que o catálogo também sirva como uma ferramenta de educação. Caso precise realmente consumir, que procure por produtos com menos impactos”, explica a diretora executiva do GVces.
O que precisa é consciência
Iniciativas como o catálogo sustentável são importantes, mas ainda falta compreensão da população sobre o seu impacto na natureza. “Falta nas pessoas consciência sobre o que estão fazendo. O ato da compra é desvinculado da consciência sobre o impacto da compra sobre o ambiente”, afirma a analista de projetos ambientais da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Maísa Guapyassú.
O ecólogo ambientalista e professor da Universidade Regional de Blumenau (SC), Lauro Bacca, afirma que as pessoas estão perdendo a referência devido ao aumento absurdo do consumo. “Comemora-se muito que conseguimos reciclar cerca de 90% das latinhas de refrigerante no país, mas se esquece que os outros 10% que acabam no ambiente representam aproximadamente um bilhão e meio de latas só no Brasil. Há 20 anos, esse número era zero, agora, a quantidade é imensa”, explica.
O professor acredita que a questão ambiental cresceu bastante nos últimos anos, porém a devastação ambiental aumentou muito mais. “Os carros de hoje lançam uma quantidade muito menor de poluentes no ar do que os de 20 anos atrás, mas o número de automóveis nas ruas anula esse avanço. Vivemos uma era de ilusão ambiental, esses avanços são necessários, mas temos que acabar com a crença de que só porque inventamos uma tecnologia avançada ambientalmente as coisas estão às mil maravilhas”, comenta Bacca.
O afastamento do homem moderno da natureza é outro dos fatores que contribuem para o desinteresse das pessoas em ter mais cuidado com suas atitudes de consumo, segundo Guapyassú. “Essa desconexão faz com não tenham consciência de suas ações. Acham que a tecnologia vai resolver tudo independentemente do custo”, afirma.
Consuma mais, consuma muito
O processo de indução ao consumo feito pelos diversos meios de comunicação também é responsável pelo problema, pois entra em conflito com a necessidade de ter mais cuidado na hora de comprar. “Esse modelo de sociedade de consumo criou a utopia de que o Brasil é um país inesgotável”, afirma Oscar Fergutz, analista de projetos da Fundação Avina. Guapyassú divide a mesma opinião, “queremos que as pessoas tenham comportamento ambientalmente correto, mas ao mesmo tempo elas são bombardeadas com propaganda e se valoriza a compra de produtos desnecessários. Estamos em um mundo em que as pessoas são valorizadas pelo consumo”, afirma.
Bacca não acredita que alguém diga que o meio ambiente não é importante, mas na hora de tomar medidas positivas para a natureza, mesmo as mais simples, é difícil encontrar pessoas dispostas a isso. Para ele, o governo também tem sua parcela de influência, pois não cria ações efetivas para estimular essa mudança. “O consumo consciente ainda não atingiu a grande massa e as autoridades são responsáveis em grande parte por isso. Pouco se divulga, pouco se impõem. Os governantes gostam muito de dividir o ônus com a população, nunca o bônus”, comenta.
“Se essa lógica se perpetuar, estaremos sempre pressionando o meio ambiente, pressionando na produção com a retirada dos recursos, e depois na volta, na hora do descarte. Cria uma pressão sobre o planeta tão grande, que ele não consegue se recuperar”, explica Biderman.
Tomando a frente
Oscar Fergutz é um desses consumidores que sempre procuram levar em consideração o impacto do produto e de suas ações sobre o meio ambiente. Sempre observa a quantidade de embalagens, a eficiência energética, a distância do transporte da mercadoria na hora de adquirir alguma coisa. Para ele, a responsabilidade social não pode ser só das empresas e dos governos, mas de todos que fazem parte da sociedade. “Devemos estar conscientes o tempo inteiro. Tudo o que fazemos consome recursos do planeta”, afirma.
É este tipo de postura que o planeta precisa urgentemente de seus mais numerosos habitantes. “Nosso planeta Titanic está afundando e as pessoas não estão percebendo, continuam na proa do navio fazendo festa”, conclui o professor Bacca.
Para saber mais sobre consumo consciente, visite os sites do GVces, do Instituto Akatu e do Instituto de Defesa do Consumidor.sexta-feira, 11 de julho de 2008
G8 empurra para frente compromissos efetivos com redução de emissões de gases
Por Mylena Fiori, da Agência Brasil
Hokkaido (Japão) - Como na cúpula do ano passado, na Alemanha, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia conseguiram empurrar para frente compromissos efetivos com a redução de emissões de gases de efeito estufa.
As mudanças climáticas foram tema principal da cúpula de 2007, na cidade alemã de Heilligendamm. Japão, Canadá e União Européia (que, como bloco, não integra o G8 mas participa das reuniões como convidado especial) defenderam a redução das emissões em 50% até 2050 e os demais países do G8 se comprometeram a considerar a proposta na reunião deste ano, em Hokkaido.
A resistência, especialmente norte-americana, levou a uma manifestação morna sobre o tema. Os poderosos do G8 jogaram a aprovação da meta para a Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima, que vem tentando negociar um regime de emissões pós-2012, quando vencem as metas do Protocolo de Quioto.
Eles reconheceram, porém o princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas, assumindo que os países desenvolvidos devem liderar o processo de redução de emissões e fixar metas também de médio prazo. ( Liderar desta forma? Com metas tão a longo prazo?)
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assegura que os países emergentes estão dispostos a colaborar. O Brasil, no entanto, é contrário à fixação de metas por setores da economia, como a siderurgia – isso implicaria uma mudança profunda na economia das nações em desenvolvimento.
"Não queremos que seja uma mesma meta para um setor no mundo inteiro", frisou o chanceler. "A prioridade do desenvolvimento dos países pobres é muito forte", afirmou.
(Envolverde/Agência Brasil)
segunda-feira, 7 de julho de 2008
A água nossa que vai embora
Novo conceito joga luz sobre a água utilizada no processo de produção, que é exportada e ainda desconhecida pelo consumidor brasileiro
O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de água. Ela não sai em garrafas, tonéis e em gigantescos navios-tanque. Segundo uma nova classe de especialistas, trata-se da água incorporada ao processo produtivo de qualquer bem industrial ou agrícola e que é indiretamente comercializada. Trata-se da "água virtual", embutida especialmente nas commodities agrícolas e que, na maioria dos casos, não é contabilizada nos custos de produção.
Cada quilo de soja, por exemplo, exige em média dois mil litros de água para ser produzido. Já o quilo da carne bovina exige 43 mil litros de água. Neste cálculo entram não só a água consumida diretamente pelo animal, mas também a água utilizada na produção de alimentação do gado, no tratamento (serviços como limpeza), no abate e ainda os volumes necessários para o processamento dos produtos finais. Para se ter uma idéia, uma refeição com 250 gramas de carne de boi e 250 gramas de arroz demandaria, em média, mais de 11 mil litros de água. Por sua vez, se a refeição for de batata e carne de frango, na mesma quantidade, o total demandado cai para cerca de mil litros de água.
A partir deste conceito, os pesquisadores podem saber o quanto de água virtual os países exportam ou importam e buscar maneiras sustentáveis da utilização deste recurso. "A concepção de água virtual está relacionada ao conceito de pegada ecológica, pois é necessário perseguir os passos e etapas do processo de produção avaliando cada elemento, os impactos e os usos dos recursos naturais envolvidos no processo como um todo, desde sua matéria-prima básica até o consumo", explica Ricardo Ojima, pesquisador do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp (Nepo) e um dos autores do trabalho.
Segundo Ojima, o Brasil é hoje o sétimo exportador mundial de água virtual, especialmente por conta da produção de soja e carne bovina. Dados do MDIC mostram que a soja foi responsável, em 2005, por mais de 58% das exportações do grupo de commodities de maior participação na balança comercial brasileira (soja, carnes e açúcar). No mesmo ano, considerando apenas a soja, a China apresentou-se como um dos principais importadores da água virtual brasileira, tendo levado 16,1 bilhões de m3. Isto é, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), o equivalente a quatro vezes o consumo médio diário de toda a Região Metropolitana de São Paulo.
Passivo hídrico
Dados do MDIC indicam ainda que a exportação de água virtual vem crescendo ao longo dos últimos anos. Tomando como referência a água utilizada para a produção da soja, da carne e do açúcar, em 2002 o país exportou 52,2 bilhões de metros cúbicos (m3) de água virtual, em 2003 foram 65,5 bilhões m3 e no ano seguinte este número subiu para 73,8 bilhões. Em 1997, esse valor não chegava a 30 bilhões de m3 de água. "O peso da produção de carne também aumentou muito no período, sendo que o aumento do rebanho brasileiro sinaliza no sentido do país se consolidar também como maior exportador mundial de carne", ressalta o trabalho.
Segundo as contas da Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 11% da água consumida no país destinam-se ao abastecimento animal, nada menos que a mesma proporção destinada ao abastecimento urbano. O rebanho bovino brasileiro, de acordo com o último censo agropecuário, já soma mais boi do que gente: 193 milhões de cabeças de gado contra 186 milhões de habitantes.
Além disso, a exportação de água virtual tende a crescer se confirmado o potencial do país para irrigação. Houve um crescimento das áreas irrigadas no Brasil de 2,3 milhões de hectares, em 1990, para 3,1 milhões. O potencial para o desenvolvimento da irrigação, que já usa quase 70% do total da água consumida no país é estimado em nada menos que 29,5 milhões de hectares.
"É necessário que os tomadores de decisão saibam o que é necessário internalizar para a produção de um produto que eles tentam exportar. É um passivo ambiental pesado para o país", avalia o professor Demetrios Christofidis, doutor em Gestão Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB). A preocupação cresce se considerada a desigualdade na distribuição de água do Brasil.
Apesar de possuir 12% das reservas de água doce do planeta, sua distribuição pelo país é desigual e já aponta para situações de escassez. A região hidrográfica Amazônica, segundo levantamento da ANA, detém 68% dos recursos hídricos superficiais em uma área equivalente a 44% do território nacional. No entanto, é ocupada por apenas 4,5% da população brasileira. O oposto ocorre em outras regiões, a exemplo da região hidrográfica do Atlântico NE Oriental, onde estão cinco capitais nordestinas, que ocupa 3,4% da área do país, concentra 12,7% da população e apenas 0,5% da água.
Segundo Christofidis, por exemplo, a tendência brasileira é de redução na área total de pastagens até 2015 para o conjunto do país, mas com crescimento na região Norte, onde está a Amazônia, as terras são mais baratas e a água está concentrada. "E temos de estar atentos não só a quantidade de água utilizada, mas também à qualidade da água que é devolvida aos mananciais", alerta.
Cobrança e uso
Entre os seis instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos está a cobrança pelo uso da água. Ojima salienta a necessidade de associar a discussão da água virtual à da cobrança, especialmente no caso do setor agropecuário. Hoje a cobrança está implementada apenas na Bacia do Vale do Paraíba.
"Esta discussão não chegou à esfera da cobrança, que, aliás, ainda está só no âmbito das águas superficiais", reclama Ojima. Para se ter uma idéia, o Brasil exportou, segundo o MDIC, 86,8 bilhões de m3 de água virtual apenas em soja, carne e açúcar em 2005. Se o preço dessa água fosse R$ 0,02 por metro cúbico, que é o valor cobrado para o uso da água no Paraíba do Sul, teriam sido arrecadados nada menos que R$ 1,7 bilhão no ano passado para reaplicação nas bacias do país.
Contudo, a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) já sinalizou que discorda da cobrança pelo uso da água, alegando riscos para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional. "O setor ainda está na expectativa e como muitas dúvidas com relação à cobrança. Será que o pagamento pelo uso [da água] é mesmo um instrumento de gestão? Iremos fazer esta discussão", promete Jairo dos Santos Souza, representante da CNA no Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). A discussão também deve ser intensificada nas próximas revisões do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).
O Instituto para a Educação da Água da Unesco e o World Water Council alegam que o comércio de água virtual alivia a pressão sobre os países que possuem poucos recursos hídricos, mas alerta que esse comércio deve vir acompanhado de uma política de conscientização para o uso de produtos que demandem uma quantidade menor de água. "Um plano consistente de educação ambiental e conscientização pode ter mais efeito que a própria cobrança", diz Christofidis.
Mudança no cardápio
Nos próximos 50 anos, a população mundial deve se estabilizar em torno de nove bilhões de pessoas. Segundo estimativas da ONU, em 2025, haverá mais de três bilhões de pessoas vivendo em países com escassez de água. A América Latina é depositária de 25% do estoque mundial de água, colocando-a como uma região com relativa abundância de água superficial.
O problema, segundo os pesquisadores da Unicamp, é que o consumo de produtos que necessitam de muito água para sua produção é alto no mundo, como é o caso da soja e do arroz. Já os produtos como o milho e a batata, que necessitam de menos água para a produção, são menos consumidos. Ojima argumenta que uma das sáidas para um planajamento sustentável da utilização dos recursos hídricos pode ser,no médio e longo prazo, a reestruturação do próprio cardápio.
Governo federal e Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis assinam termo de compromisso
04/07/2008 - 12h07 - Por Kamila Almeida, do MDS
A ministra em exercício do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Arlete Sampaio, participou nesta quinta-feira (03), da assinatura do Termo de Compromisso entre órgãos do governo federal e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O documento estabelece o compromisso com o MNCR para construção de uma política pública no reconhecimento do trabalho dos catadores e desenvolvimento de ações para inclusão social e econômica do trabalhador. Serão investidas verbas para construção de galpões, implementação de projetos, aquisição de materiais e equipamentos, cursos técnicos em reciclagem, entre outros.
Além dos investimentos, a Unesco vai relançar o edital para projetos de apoio à organização de catadores. O edital permitirá fazer uma pesquisa sobre custo da coleta seletiva realizada pelos catadores em comparação com a coleta realizada pelas Prefeituras e pelas empresas para verificar o impacto dos trabalhos dos catadores para a cadeia produtiva da reciclagem. “Temos o compromisso de realizar ações para reconhecer os catadores”, reforçou Arlete Sampaio.
Participaram da assinatura representantes dos ministérios do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, das Cidades, da Saúde, do Trabalho e Emprego, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e da Educação, da Caixa Econômica Federal, Subsecretaria de Direitos Humanos, BNDES, Casa Civil, Fundação Banco do Brasil e Petrobrás.
Crédito de imagem: André Carvalho/MDS
(Envolverde/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)
Ecojogos
Falar sobre os problemas que afligem a sociedade e introduzir novos conceitos não é tarefa fácil. Mesmo quando os assuntos em questão são de interesse de todos, como acontece com os temas ambientais e relativos à sustentabilidade das atividades humanas no planeta. Para tornar mais suave a lição, a moderna pedagogia ensina que buscar formas originais de comunicar o conteúdo pode ajudar, e muito, na aprendizagem. Tornando o processo mais rápido, eficiente e por que
não, divertido!
Por outro lado, para que jogos e brinquedos comercializados no mercado continuem atrativos é preciso que se mantenham antenados com o perfil do consumidor contemporâneo. Assim, o desafio é duplo. É necessário facilitar a compreensão de conceitos modernos, aproveitando maneiras lúdicas de transmitir o conhecimento e fomentar a crítica. Ao mesmo tempo, é preciso conseguir fazer isso conquistando e prendendo o interesse dos que estão sendo educados.
Uma das soluções encontradas pelos fabricantes e criadores de jogos, brinquedos e materiais didáticos de apoio é investir nos
chamados "ecojogos", que divertem e transmitem mensagens em prol do meio ambiente e de atitudes sustentáveis.
Nessa linha, a Estrela, tradicional fabricante de jogos e brinquedos, acaba de lançar o "Banco Imobiliário Sustentável", versão ambientalmente correta do consagrado jogo de tabuleiro, criado em 1944. Na versão renovada, a mecânica do jogo está
totalmente ligada ao tema da sustentabilidade. Em vez de bairros e ruas importantes, as casas do tabuleiro representam reservas
naturais como Pantanal, Rio São Francisco, Chapada dos Veadeiros e Serra da Mantiqueira. "A dinâmica do jogo foi desenvolvida para ser um processo pedagógico, que premia quem tem preocupação ecológica e pune quem não tem", explica Aires Leal Fernandes, Diretor de marketing da Brinquedos Estrela.
A preocupação ambiental não fica só por conta dos jogadores, o próprio jogo físico é ecologicamente mais correto. As peças
plásticas são feitas com o chamado "plástico verde", fabricado com um polímero derivado de cana de açúcar. O material além de ser biodegradável ainda contribuiu para a redução do efeito estufa ao absorver e fixar CO2 (gás carbônico) da atmosfera, durante o
crescimento das plantas. O tabuleiro, a embalagem e as cartas são feitos com papel reciclado.
Ainda, no Banco Imobiliário Sustentável, as companhias de transporte foram substituídas por empresas como Companhia de Reciclagem Energética, Companhia de Reflorestamento, de Agricultura Orgânica, de Reciclagem Mecânica. As cartas de Revés ou Sorte trazem, como exemplo, a mensagem de revés "sua empresa foi multada por poluir demais", ou a mensagem de sorte "você protegeu suas terras do desmatamento e faturou com o turismo ecológico".
O novo "ecojogo" chega ao mercado em julho, mas em edição limitada. Serão 10 mil unidades comercializados exclusivamente na rede de lojas do Wal-Mart Brasil, Parceiro Estratégico do Akatu, que também desenvolve um amplo programa interno de sustentabilidade. "Só teremos escala de produção para ampliar as vendas a partir de 2010, quando a Braskem (empresa responsável pela confecção do "plástico verde") terá concluído a linha de produção do novo polímero", explica Fernandes. A partir desta data, a empresa pretende ampliar gradativamente o uso do "plástico verde" em seus produtos. "A idéia é fazer carrinhos e bonecas com o material, além de novos jogos", conta o diretor de marketing da empresa.
Na linha dos "ecojogos", que além de utilizar o "plástico verde" em sua fabricação também abordam temas ambientais, a Estrela já tem programado o lançamento do "Mundo Novo", jogo direcionado aos pré-adolescentes e adolescentes e que aborda o aquecimento global. "No jogo os participantes vão trabalhar para salvar os continentes dos problemas causados pelo aquecimento do planeta", conta Fernandes.
Ecojogos on line - Além do novo Banco imobiliário estão também disponíveis na web diferentes jogos que tratam os temas ambientais e o conceito de sustentabilidade de forma lúdica. Maurício Gibrin, game designer, parceiro no desenvolvimento dos jogos cooperativos utilizados nas capacitações do Akatu, é um dos criadores do Greenpeace WeAther, jogo colaborativo em que o objetivo é salvar a Terra dos desastres ambientais. "É um jogo 100% cooperativo. O mundo está cheio de poluição e crises devido ao aquecimento global, entre outros fatores, e todos os jogadores precisam se unir para resolver os problemas do mundo. Se não conseguirem, todos perdem o jogo", explica Gibrin.
O WeAther, ganhador do Leão de Bronze na edição 2008 do Festival de Cannes, foi desenvolvido para o Greenpeace, em parceira com a AlmapBBDO, pela colmeia (produtora especializada na realização de projetos em novas mídias, como games, celular e internet ) e pelos game designers Fabiano Onça e Maurício Gibrin. O jogo está disponível on line, no endereço www.greenpeaceweather.com.br.
O game designer Maurício Gibrin leva na bagagem o reconhecimento internacional pela criação do jogo "Ilha de Waka Waka", premiado no concurso de criadores de Boulogne-Billancourt em 2004, um dos mais importantes do setor. Ele acredita que tratar de temas complexos e importantes como sustentabilidade e aquecimento global usando jogos é uma maneira agradável de aproximá-los do dia-a-dia das pessoas. "Espero que os jogos ajudem as pessoas a abrirem os olhos. O jogo alerta as pessoas e as faz reavaliar seu modo de pensar", conclui.
Decisão do mercado – Muito além do idealismo, no entanto, investir a temática ambiental passou a ser também uma importante estratégia para quem pretende se manter alinhado com o que pensa e quer o consumidor contemporâneo. O diretor de marketing da Brinquedos
E sustentabilidade, acredita Fernandes, já está na pauta dos brasileiros. Ele explica que a Estrela realiza periodicamente
pesquisas qualitativas (com os chamados Focus Groups) para avaliar quais os assuntos e temas de interesse da população e, dessa forma, manter seus produtos em dia com o mercado. "E a questão da sustentabilidade já é um assunto recorrente nessas pesquisas", conta.
Mas se no Brasil a tendência de criação dos "ecojogos" está apenas começando, ela já é uma realidade na Europa, em especial na Alemanha e na França. "Fora do Brasil existem inclusive empresas que só fazem `ecojogos', tanto no que diz respeito aos materiais, quanto aos próprios temas abordados", conta Gibrin. Segundo o game designer, na França, os desenvolvedores de jogos ecológicos têm especial fascínio pelos temas relacionados à Floresta Amazônica e investem pesado no setor.
No Brasil, porém, a maioria dos "ecojogos" ainda está disponível apenas nas páginas da web. E como descobrir novidades com qualidade na internet nem sempre é fácil, Maurício Gibrin destaca algumas características que podem servir de pistas para identificar um "ecojogo" com mais facilidade. Confira a seguir:
- O "ecojogo" sempre passa uma mensagem (relacionada às questões ambientais e de sustentabilidade);
- Ajuda o jogador a pensar sobre o tema ou mensagem e a analisar seus próprios pontos de vista sob uma nova ótica;
- São, em geral, cooperativos, ou seja, todos os jogadores trabalham juntos para atingir o mesmo objetivo e ganham ou perdem, em equipe, embora alguns ainda sejam competitivos;
- São fabricados com materiais ecologicamente corretos;
Gibrin, alerta, no entanto, que os "ecojogos" embora cumpram um papel importante ao transmitir conhecimentos e auxiliar na difusão de novos modos de pensar, ainda são, acima de tudo, uma forma de entretenimento. "Todo jogo tem que continuar a ser divertido, senão perde sua razão de ser", ensina o especialista.
Para jogar on line
WeAther
O "WeAther", do Greenpeace, trata dos problemas causados pela emissão de gases poluentes e pelo aquecimento global. Site em português.
http://www.greenpeaceweather
Energyville – O jogador precisa providenciar energia em quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 3,9 milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, mantê-la limpa, segura e economicamente viável. As escolhas dos jogadores têm impactos econômicos, tecnológicos e ambientais sentidos pelos moradores locais. Versão em inglês.
http://www.willyoujoinus.com
Honoloko
O jogo acontece na Ilha de Honoloko, que é muito semelhante ao nosso mundo e onde as nossas ações impactam o meio ambiente onde vivemos.
O objetivo do jogador é tomar decisões que melhorem a saúde dos habitantes e o ambiente de Honoloko. O jogo é direcionado a jovens e adultos. O jogador pode escolher entre 26 idiomas, inclusive uma versão em português.
http://honoloko.eea.europa.eu
Para as crianças:
Eco Kids – Site feito sob medida para a criançada. Propõe-se a transmitir aos pequenos, por meio de jogos e entretenimento,
conhecimentos básicos sobre cidadania e meio ambiente. O público-alvo são crianças entre 4 e 7 anos. Site em português.
http://www1.uol.com.br/ecokids/
Ecoagents – Special Units
Os jogadores podem se tornar Ecoagentes, da Agência Européia do Ambiente (AEA), encarregada de recolher informações sobre o ambiente em toda a Europa. Como ecoagentes podem ajudar a proteger o meio ambiente e os recursos naturais. O público-alvo são jovens e crianças de 7 a 14 anos, mas o site é inglês.
http://ecoagents.eea.europa.eu/
(Envolverde/Instituto Akatu)
segunda-feira, 30 de junho de 2008
União Européia defende "soberania responsável" para Amazônia
O chefe da diplomacia européia vem progressivamente colocando o conceito na mesa, sinalizando na prática que o mundo enfrenta antigos e novos desafios de segurança que são mais complexos dos que as instituições multilaterais e nacionais são capazes de administrar. Ontem, em Genebra, num debate sobre necessidade de cooperação global, ele argumentou: " Todo mundo tem que ser responsável com o que acontece com seu próprio país, mas também com as conseqüências no resto do mundo. "
Logo depois da questão sobre a Amazônia, Solana tratou de avisar que de jeito nenhum falava em " intervenção, nada disso " , pedindo aos repórteres para não o colocarem nessa situação. De seu lado, reiterou que a União Européia quer assumir responsabilidades como " catalisadora para uma solução " para o combate à mudança climática.
Ele insistiu que é " hora de assumir compromissos " para a redução de gases de efeito-estufa. Indicou que a Europa tem novas idéias para o encontro de cúpula do G-8, no mês que vem, para discutir com os cinco grandes emergentes - Brasil, China, índia, África do Sul e México.
A posição européia, explicou Solana, é que todos devem assumir compromissos obrigatórios de redução de emissões, mas levando em conta a diferenciação. Ou seja, diferentes países tendo diferentes responsabilidades com base no tamanho do que já poluiu e atual desenvolvimento.
Para revitalizar a cooperação global, Solana defende inclusive logo um acordo na Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), estimando que, se isso não acontecer, será um péssimo sinal para a negociação sobre o clima no ano que vem.
Questionado sobre uma taxação global do poluidor, ele respondeu que as emissões de C02 " não podem ser livres de cobrança, caso contrário será muito difícil cumprir as metas (de redução) " . Solana concordou que, sem a China, a Índia e os outros grandes emergentes, os Estados Unidos continuarão não aceitando fechar um novo acordo para reduzir as emissões.
(Assis Moreira | Valor Econômico)
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Salve a Estrada Parque de Itu!!!!
Por favor divulgue para suas listas a campanha em defesa da Estrada Parque e das corredeiras do Tietê, ameaçadas de desaparecer com a implantação de barragens. A EMAE quer implantar duas PCHs na Estrada Parque e uma delas, junto ao Jequitibá Rosa, símbolo da unidade de conservação, na Rodovia do Romeiros. No lote de concessão da ANEEL o Tietê, nesse trecho especialmente preservado pela Constituição Paulistas (artigo 196), tem potencial hidroenergético para quatro barragens. Isso acaba com as corredeiras e com capacidade natural de recuperação do maior rio paulista e inunda 120 hectares de mata atlântica, dentre outros patrimônios naturais e culturais como a Estrada Parque, conhecida como Rodovia dos Romeiros e a Gruta da Gloria, monumento geológico e turístico da região.
Tel.: 11 3055-7888
Fax: 11 3885-1680
Cel: 11-98352341
Lei da Califórnia pode excluir Brasil de créditos
Na contramão da postura assumida pelo governo dos Estados Unidos, alguns estados americanos, solitária e corajosamente, começam a adotar iniciativas concretas para um maior comprometimento no combate das mudanças climáticas. Quem lidera essa caminhada é o estado da Califórnia.
Tradicionalmente conhecida nos EUA como pioneira nas discussões sobre meio ambiente, a Califórnia foi o primeiro estado americano a promulgar uma lei estadual de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEEs): Assembly Bill 32. Promulgada em 2006, a lei está ainda em fase de regulamentação e deverá entrar em vigor em 1º de janeiro de 2012. No entanto, apesar da aparente distância temporal, já está causando grande polêmica nos bastidores políticos californianos.
Isso porque a lei AB 32 determina que, até 1º de janeiro de 2009, o Conselho Estadual de Recursos do Ar (Air Resources Board), órgão responsável pelo assunto, deverá definir qual o instrumento a ser utilizado para a redução das emissões.
Alguns órgãos institucionais participarão da regulamentação da lei. Entre eles se destaca uma forte coalizão de defesa ambiental chamada Environmental Justice, que tem atribuição legal para participar e votar nas negociações e tem se posicionado contra o sistema de Cap and Trade — mecanismo de reduzir emissões, seqüestrar Carbono e negociar os respectivos créditos, que são vendidos àqueles que não conseguem atingir metas de redução.
A coalizão EJ alega que permitir um sistema internacional de compensações sobre as emissões de GEEs seria apenas uma forma paliativa de contornar o problema, uma vez que induziria os grandes emissores a comprar os créditos ao invés de investir em mudanças, por exemplo, de suas matrizes energéticas, substituindo térmicas a carvão ou diesel, por térmicas a gás natural ou bicombustíveis. Os representantes da EJ acreditam, enfim, que a saída para o problema das emissões de GEEs passa por uma regulamentação baseada em políticas de eficiência energética com investimentos pesados em fontes de energia renovável, como a solar e a eólica.
Entretanto, é necessário ponderar que não é este o espírito que deve imperar na regulamentação da lei californiana. Há um equívoco de interpretação na crítica apresentada pela EJ que enfoca o sistema Cap and Trade, somente sob o prisma do princípio do poluidor-pagador. Muitas vezes o significado desse princípio é distorcido para a errônea idéia de concessão ao direito de poluir, quando na verdade é justamente uma imposição inibitória a quem não respeita o meio ambiente. Importante mencionar que o capital investido na compra dos créditos é justamente o que fomenta pesquisas para o desenvolvimento de energias limpas.
Se analisada a questão com maior critério, será percebido que o mecanismo de venda de Créditos de Carbono tem um significado muito mais amplo e profundo do que uma "hipócrita compra do direito de poluir", como parece assim interpretar o grupo Environmental Justice. Na verdade, a comercialização de créditos de Carbono compreende uma importantíssima ferramenta de incentivo para a transição de boa parte da matriz energética mundial, há décadas baseada na queima de combustíveis fósseis de alto potencial poluidor, para uma matriz baseada na produção de energia limpa e renovável, alicerçada por uma base economicamente viável e atraente, em consonância com as regras da sustentabilidade. E se pensarmos que a tendência mundial futura é cada vez mais voltada em reduzir drasticamente as emissões gases de CO2 equivalente, a melhor alternativa e para que as economias mundiais se adaptem com o menor impacto possível é o sistema de Cap and Trade.
E o Brasil figura como candidato a um dos grandes players deste potencial mercado, caso venha ser regulado em moldes parecidos com o instrumento previsto no protocolo de Quioto chamado de emissions trading, mercado este que pode chegar a um trilhão de dólares até 2020, se os EUA como um todo adotar o sistema de Cap and Trade — segundo estudo feito e publicado em seu site pela New Carbon Finance, empresa de consultoria norte americana especializada na análise e fomento de novos negócios envolvendo o mercado de créditos de carbono. Os investidores brasileiros, que até então fixavam seus olhares somente na Europa para negociar o preço de seus certificados de reduções, poderão ter também no mercado californiano uma nova e ótima alternativa para venda de seus créditos.
Os debates que envolvem a regulamentação da lei californiana é assunto da maior relevância, pois o que for decidido na Califórnia certamente influenciará a postura política que o Congresso norte americano adotará quando abrir a discussão do tema em âmbito nacional. E levando em conta a considerável pressão que existe da comunidade mundial sobre um dos maiores emissores de CEEs do mundo, essa discussão não deve se alongar muito além das eleições presidenciais deste ano.
Assim, resta saber se o estado da Califórnia adotará a política aparentemente protecionista defendida pela EJ, ou se efetivamente abrirá as portas para que os EUA entrem de vez na corrida contra o aquecimento global. O mundo espera ansioso!
Revista Consultor Jurídico, 20 de junho de 2008