quarta-feira, 30 de julho de 2008

Atrás de uma borboleta azul

Marina Silva
De Brasília (DF)

Florestas não são apenas estatísticas. Nem apenas objeto de negociações, de disputa política, de teses, de ambições, de pranto. Antes de mais nada, são florestas, um sistema de vida complexo e criativo. Têm cultura, espiritualidade, economia, infra-estrutura, povos, leis, ciência e tecnologia. E uma identidade tão forte que permanece como uma espécie de radar impregnado nas percepções, no olhar, nos sentimentos, por mais longe que se vá, por mais que se aprenda, conheça e admire as coisas do resto do mundo.

Vivi no seringal Bagaço, no Acre, até os 16 anos. Tenho pela floresta muito respeito e cuidado. Quem conhece a mata, não entra de peito aberto, mas com muita sutileza. Ali estão o suprimento, a proteção e os perigos.

E também o mistério, algo não completamente revelado. Vidas e formas quase imperceptíveis. O encontro, a cada momento, de um cipó diferente, uma raiz, uma textura, uma cor, um cheiro. A descoberta dos sons. Até o vento na copa das árvores compõe melodias únicas, de acordo com a resistência oferecida pela castanheira, a samaúma, o açaizeiro.

Na minha infância, o som que achava mais bonito era o do período da florada das castanheiras. A castanheira é polinizada por uma abelha enorme, o mangangá. Imaginem centenas de mangangás entrando nas flores para tirar o néctar! Como a flor é côncava, na hora de sair têm que fazer uma força extraordinária nas asas, num vôo de frente pra trás, que provoca um barulho de máquina potente e rouca. Uma de minhas primeiras lembranças do mundo é do barulho dos mangangás na copa da castanheira ao lado do terreiro da nossa casa.

Embora para muitas pessoas a floresta possa parecer homogênea, sempre a vi como espaço de diversidade. Gostava de prestar atenção em pequenas coisas, como formigas levando folhas para o buraco. O caminho das formigas era bem limpinho, parecia varrido. A estrada de seringa era cheia de folhas, tocos, raízes, de espera-aí, um espinho de rama que arranha a perna quando a gente passa. E eu imaginava como seria bom ter uma estrada de seringa limpa como o caminho das formigas!

Outra formiga, a tucandeira, tem uma ferroada tão dolorosa que não dá nem para explicar. Mas havia também uma razão mítica pra temê-la. Meu tio Pedro Mendes, que durante muito tempo conviveu com os índios do Alto Madeira, dizia que as tucandeiras viravam cipó de ambé. Se morresse uma na copa da árvore, o corpo virava a planta e as pernas viravam os cipós. Quando se era mordido de tucandeira, a primeira coisa a fazer era procurar um cipó de ambé, cortar e beber a água porque ela era o antídoto. Não sei se era mesmo, mas ajudava a aliviar a dor.

Meu tio ensinava coisas em que a gente acreditava profundamente. Ele dizia que se a gente se perdesse e visse uma borboleta azul, era só segui-la que ela nos levaria para a clareira mais próxima e de lá acharíamos o caminho de casa. Essa borboleta é linda, enorme, quase do tamanho da mão. Nunca vi um azul igual. Que, aliás, é marrom. Os pesquisadores do INPA descobriram que ela tem uma engenharia de disposição das escamas das asas que faz com que, na incidência de luz, se tornem azuis.

Depois entendi porque nos levava para casa. Porque gosta de pousar em frutas como banana e mamão maduros, já bicadas pelo passarinho pipira. Quando sente fome, procura a primeira clareira onde haja um roçado de frutas. E lá perto, certamente haverá uma casa. São coisas que parecem crendice, mas há conhecimento científico associado, obtido pelo mesmo princípio do método acadêmico: observação sistemática dos fenômenos.

Antes de existir Ecologia como ramo do conhecimento ou ambientalismo como movimento, o sistema da floresta já tinha suas normas, o seu "Ibama" natural, sua sustentabilidade, por meio de um código mítico que funcionava como legislação de proteção da mata e das formas de vida que a habitavam. Não se podia pescar mais do que o necessário, porque a mãe d´água afundaria a canoa. Não se podia caçar demais porque o caboclinho do mato daria uma surra. Não podia matar animal prenhe porque a pessoa ficaria panema, ou seja, sem sorte. E para tirar o azar seria preciso um ritual tão complicado que era preferível deixar o bicho em paz.

As práticas de acesso aos recursos da floresta, mediadas por esse código mítico, acabavam levando a um alto grau de equilíbrio. Só se caçava quando acabasse a carne seca pendurada no fumeiro do fogão. Logo, se não se podia caçar em excesso, não havia carne para venda, só para o próprio consumo. Contrariada essa norma, o caboclinho do mato castigaria o infrator com uma surra de cipó de fogo com nó na ponta. A pessoa apanhava mas não conseguia se defender porque não via a entidade. Ficava toda lanhada, com febre. Até o cachorro, se acuava uma caça desnecessária, começava a pular e ganir de dor. Era o caboclinho disciplinando o animal.

Os relatos eram inúmeros e me deixavam com muito medo de andar pelo mato. Superava-o, em primeiro lugar, cumprindo à risca as leis míticas. Além disso, desde criança tenho uma fé imensa e achava que, sendo justa com a natureza, Deus me protegeria.

E mesmo com todo esse medo, minhas irmãs e eu gostávamos de andar pela floresta porque lá a gente se divertia muito. Por exemplo, fazendo balanço de um cipó muito resistente, em árvores que chegavam a trinta metros de altura. Pescar nos igarapés, colher bacuri, abiu, taperebá, ingá, tucumã, cajá, era muito bom.

Era um mundo de sabedoria tradicional, de organização social e cultural inseparável da existência da floresta. Até que um dia chegaram as motoserras e tratores e desconstituiram os códigos míticos, criando a necessidade crescente do aparato legal que, por não estar dentro do homem, precisa de instituições e mecanismos para implementá-lo. Não foi à toa que a primeira grande operação de combate a desmatamento feita pela Polícia Federal, envolvendo 480 agentes, no estado de Mato Grosso, foi batizada de Operação Curupira.

Se abríssemos hoje nossa sensibilidade para os valores da floresta, talvez se tornasse mais fácil redefinir o que entendemos por qualidade de vida. Quem sabe, pode estar faltando uma enorme borboleta azul para nos conduzir para casa, onde os frutos de nossas decisões sempre nos aguardam em mesa farta.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.


Fale com Marina Silva: marina.silva08@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

terça-feira, 22 de julho de 2008

“Arco de Fogo” multa serrarias em R$ 274 mil

Belém (29/02/08) – Há uma semana em campo, a Operação “Arco de Fogo”, da Polícia Federal em parceria com o Ibama e com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), e com apoio da Força Nacional e da Polícia Militar do Estado, em Tailândia, no nordeste do Pará, já embargou 67 fornos de carvão. Isso resultou em multa de R$ 183 mil para duas serrarias. Os fornos ainda não foram destruídos, pois havia grande quantidade de carvão sendo queimado. Sua a destruição poderia causar problemas ao maquinário. No entanto, no começo da próxima semana, os fornos serão destruídos pelas próprias serrarias, sob a fiscalização do Ibama e da Sema.

Na manhã de hoje, os fiscais concluíram a fiscalização em uma pequena serraria. Ela não possuía nenhum documento do volume de madeira no pátio. Cerca de 370 m³ de madeira foram apreendidos, sendo 290 m³ em tora e 80 m³ serrada. Além das madeiras, os fiscais apreenderam todo o maquinário dessa serraria: uma serra fita, duas serras circulares, três estopadeiras e um trator carregadeira. O total de multas foi de R$ 91 mil, sendo R$ 10 mil referentes à falta de licença para funcionar; R$ 37 mil por possuuir madeira irregular; R$ 21 mil pelo funcionamento de 21 fornos de carvão sem licença; e R$ 33 mil por utilizar carvão de origem ilegal.

Luciana Almeida
Ascom/Ibama PA

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Se vai consumir, que seja com responsabilidade

O consumo é um pressuposto básico para a vida cotidiana, mas a forma exacerbada como vem sendo feito coloca em risco os processos de renovação dos recursos naturais. Por isso, a mudança de postura para um consumo consciente é urgente.

A pressão sobre o patrimônio natural começa a esgotar os recursos naturais e interferir nos processos de renovação da natureza. O consumo exagerado da sociedade moderna é o principal motor dessa pressão. Atualmente se consome cerca de 25% a mais de recursos do que a natureza consegue repor de acordo com o relatório Planeta Vivo 2006 da organização não-governamental WWF. Para se ter idéia, segundo outra pesquisa da WWF, esta de 2008, se todas as classes sociais adotassem o estilo de vida da elite brasileira, seriam necessários três planetas para sustentar o consumo.

Preocupado com essa situação, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) lançou em junho o Catálogo Sustentável, um portal em que os visitantes encontram informações de produtos, serviços e empresas sustentáveis. “Criamos um catálogo virtual em um espaço aberto e amplo para reunir e permitir o acesso a produtos com características de sustentabilidade. Nosso objetivo não é, de forma alguma, estimular o consumismo, mas a procura por produtos feitos de forma sustentável”, afirma a diretora executiva do GVces, Rachel Biderman.

Para fazer parte do catálogo, o produto deve atender a pelo menos um dos critérios adotados pela equipe como eficiência energética, toxicidade, biodegradabilidade entre outros. No entanto, essa “peneira” deve ficar mais fina no futuro. “Neste momento inicial, queremos premiar quem deu o primeiro passo. Com o tempo, ficaremos mais rigorosos. De repente, atender a apenas ao critério de eficiência energética não será suficiente, também precisará ser feito com material reciclado, mas o mercado não dispõe desses produtos atualmente”, explica Biderman.

Outro objetivo da iniciativa é divulgar informações referentes à sustentabilidade empresarial, de forma a estimular que a demanda influencie a construção de um novo modelo de produção. Desde os cidadãos consumidores até as grandes empresas e órgãos públicos compradores estão dentro do público alvo. “Queremos que o catálogo também sirva como uma ferramenta de educação. Caso precise realmente consumir, que procure por produtos com menos impactos”, explica a diretora executiva do GVces.

O que precisa é consciência
Iniciativas como o catálogo sustentável são importantes, mas ainda falta compreensão da população sobre o seu impacto na natureza. “Falta nas pessoas consciência sobre o que estão fazendo. O ato da compra é desvinculado da consciência sobre o impacto da compra sobre o ambiente”, afirma a analista de projetos ambientais da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Maísa Guapyassú.

O ecólogo ambientalista e professor da Universidade Regional de Blumenau (SC), Lauro Bacca, afirma que as pessoas estão perdendo a referência devido ao aumento absurdo do consumo. “Comemora-se muito que conseguimos reciclar cerca de 90% das latinhas de refrigerante no país, mas se esquece que os outros 10% que acabam no ambiente representam aproximadamente um bilhão e meio de latas só no Brasil. Há 20 anos, esse número era zero, agora, a quantidade é imensa”, explica.

O professor acredita que a questão ambiental cresceu bastante nos últimos anos, porém a devastação ambiental aumentou muito mais. “Os carros de hoje lançam uma quantidade muito menor de poluentes no ar do que os de 20 anos atrás, mas o número de automóveis nas ruas anula esse avanço. Vivemos uma era de ilusão ambiental, esses avanços são necessários, mas temos que acabar com a crença de que só porque inventamos uma tecnologia avançada ambientalmente as coisas estão às mil maravilhas”, comenta Bacca.

O afastamento do homem moderno da natureza é outro dos fatores que contribuem para o desinteresse das pessoas em ter mais cuidado com suas atitudes de consumo, segundo Guapyassú. “Essa desconexão faz com não tenham consciência de suas ações. Acham que a tecnologia vai resolver tudo independentemente do custo”, afirma.

Consuma mais, consuma muito
O processo de indução ao consumo feito pelos diversos meios de comunicação também é responsável pelo problema, pois entra em conflito com a necessidade de ter mais cuidado na hora de comprar. “Esse modelo de sociedade de consumo criou a utopia de que o Brasil é um país inesgotável”, afirma Oscar Fergutz, analista de projetos da Fundação Avina. Guapyassú divide a mesma opinião, “queremos que as pessoas tenham comportamento ambientalmente correto, mas ao mesmo tempo elas são bombardeadas com propaganda e se valoriza a compra de produtos desnecessários. Estamos em um mundo em que as pessoas são valorizadas pelo consumo”, afirma.

Bacca não acredita que alguém diga que o meio ambiente não é importante, mas na hora de tomar medidas positivas para a natureza, mesmo as mais simples, é difícil encontrar pessoas dispostas a isso. Para ele, o governo também tem sua parcela de influência, pois não cria ações efetivas para estimular essa mudança. “O consumo consciente ainda não atingiu a grande massa e as autoridades são responsáveis em grande parte por isso. Pouco se divulga, pouco se impõem. Os governantes gostam muito de dividir o ônus com a população, nunca o bônus”, comenta.

“Se essa lógica se perpetuar, estaremos sempre pressionando o meio ambiente, pressionando na produção com a retirada dos recursos, e depois na volta, na hora do descarte. Cria uma pressão sobre o planeta tão grande, que ele não consegue se recuperar”, explica Biderman.

Tomando a frente
Oscar Fergutz é um desses consumidores que sempre procuram levar em consideração o impacto do produto e de suas ações sobre o meio ambiente. Sempre observa a quantidade de embalagens, a eficiência energética, a distância do transporte da mercadoria na hora de adquirir alguma coisa. Para ele, a responsabilidade social não pode ser só das empresas e dos governos, mas de todos que fazem parte da sociedade. “Devemos estar conscientes o tempo inteiro. Tudo o que fazemos consome recursos do planeta”, afirma.

É este tipo de postura que o planeta precisa urgentemente de seus mais numerosos habitantes. “Nosso planeta Titanic está afundando e as pessoas não estão percebendo, continuam na proa do navio fazendo festa”, conclui o professor Bacca.

Para saber mais sobre consumo consciente, visite os sites do GVces, do Instituto Akatu e do Instituto de Defesa do Consumidor.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

G8 empurra para frente compromissos efetivos com redução de emissões de gases

Por Mylena Fiori, da Agência Brasil

Hokkaido (Japão) - Como na cúpula do ano passado, na Alemanha, os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia conseguiram empurrar para frente compromissos efetivos com a redução de emissões de gases de efeito estufa.

As mudanças climáticas foram tema principal da cúpula de 2007, na cidade alemã de Heilligendamm. Japão, Canadá e União Européia (que, como bloco, não integra o G8 mas participa das reuniões como convidado especial) defenderam a redução das emissões em 50% até 2050 e os demais países do G8 se comprometeram a considerar a proposta na reunião deste ano, em Hokkaido.

A resistência, especialmente norte-americana, levou a uma manifestação morna sobre o tema. Os poderosos do G8 jogaram a aprovação da meta para a Convenção Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima, que vem tentando negociar um regime de emissões pós-2012, quando vencem as metas do Protocolo de Quioto.

Eles reconheceram, porém o princípio de responsabilidades comuns mas diferenciadas, assumindo que os países desenvolvidos devem liderar o processo de redução de emissões e fixar metas também de médio prazo. (
Liderar desta forma? Com metas tão a longo prazo?)

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, assegura que os países emergentes estão dispostos a colaborar. O Brasil, no entanto, é contrário à fixação de metas por setores da economia, como a siderurgia – isso implicaria uma mudança profunda na economia das nações em desenvolvimento.

"Não queremos que seja uma mesma meta para um setor no mundo inteiro", frisou o chanceler. "A prioridade do desenvolvimento dos países pobres é muito forte", afirmou.

(Envolverde/Agência Brasil)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

A água nossa que vai embora

Vinícius Carvalho - redacaojbeco@terra.com.br - JB - 06/08/2006

Novo conceito joga luz sobre a água utilizada no processo de produção, que é exportada e ainda desconhecida pelo consumidor brasileiro

O Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de água. Ela não sai em garrafas, tonéis e em gigantescos navios-tanque. Segundo uma nova classe de especialistas, trata-se da água incorporada ao processo produtivo de qualquer bem industrial ou agrícola e que é indiretamente comercializada. Trata-se da "água virtual", embutida especialmente nas commodities agrícolas e que, na maioria dos casos, não é contabilizada nos custos de produção.

Cada quilo de soja, por exemplo, exige em média dois mil litros de água para ser produzido. Já o quilo da carne bovina exige 43 mil litros de água. Neste cálculo entram não só a água consumida diretamente pelo animal, mas também a água utilizada na produção de alimentação do gado, no tratamento (serviços como limpeza), no abate e ainda os volumes necessários para o processamento dos produtos finais. Para se ter uma idéia, uma refeição com 250 gramas de carne de boi e 250 gramas de arroz demandaria, em média, mais de 11 mil litros de água. Por sua vez, se a refeição for de batata e carne de frango, na mesma quantidade, o total demandado cai para cerca de mil litros de água.
O levantamento apresentado no último encontro da Anppas (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ambiente e Sociedade) por pesquisadores da Unicamp, utiliza os dados de exportação de cada produto de acordo com o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e de volume de água virtual contida em cada produto a partir de estimativas da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura).
A partir deste conceito, os pesquisadores podem saber o quanto de água virtual os países exportam ou importam e buscar maneiras sustentáveis da utilização deste recurso. "A concepção de água virtual está relacionada ao conceito de pegada ecológica, pois é necessário perseguir os passos e etapas do processo de produção avaliando cada elemento, os impactos e os usos dos recursos naturais envolvidos no processo como um todo, desde sua matéria-prima básica até o consumo", explica Ricardo Ojima, pesquisador do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp (Nepo) e um dos autores do trabalho.
Segundo Ojima, o Brasil é hoje o sétimo exportador mundial de água virtual, especialmente por conta da produção de soja e carne bovina. Dados do MDIC mostram que a soja foi responsável, em 2005, por mais de 58% das exportações do grupo de commodities de maior participação na balança comercial brasileira (soja, carnes e açúcar). No mesmo ano, considerando apenas a soja, a China apresentou-se como um dos principais importadores da água virtual brasileira, tendo levado 16,1 bilhões de m3. Isto é, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP), o equivalente a quatro vezes o consumo médio diário de toda a Região Metropolitana de São Paulo.

Passivo hídrico

Dados do MDIC indicam ainda que a exportação de água virtual vem crescendo ao longo dos últimos anos. Tomando como referência a água utilizada para a produção da soja, da carne e do açúcar, em 2002 o país exportou 52,2 bilhões de metros cúbicos (m3) de água virtual, em 2003 foram 65,5 bilhões m3 e no ano seguinte este número subiu para 73,8 bilhões. Em 1997, esse valor não chegava a 30 bilhões de m3 de água. "O peso da produção de carne também aumentou muito no período, sendo que o aumento do rebanho brasileiro sinaliza no sentido do país se consolidar também como maior exportador mundial de carne", ressalta o trabalho.
Segundo as contas da Agência Nacional de Águas (ANA), cerca de 11% da água consumida no país destinam-se ao abastecimento animal, nada menos que a mesma proporção destinada ao abastecimento urbano. O rebanho bovino brasileiro, de acordo com o último censo agropecuário, já soma mais boi do que gente: 193 milhões de cabeças de gado contra 186 milhões de habitantes.
Além disso, a exportação de água virtual tende a crescer se confirmado o potencial do país para irrigação. Houve um crescimento das áreas irrigadas no Brasil de 2,3 milhões de hectares, em 1990, para 3,1 milhões. O potencial para o desenvolvimento da irrigação, que já usa quase 70% do total da água consumida no país é estimado em nada menos que 29,5 milhões de hectares.
"É necessário que os tomadores de decisão saibam o que é necessário internalizar para a produção de um produto que eles tentam exportar. É um passivo ambiental pesado para o país", avalia o professor Demetrios Christofidis, doutor em Gestão Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB). A preocupação cresce se considerada a desigualdade na distribuição de água do Brasil.
Apesar de possuir 12% das reservas de água doce do planeta, sua distribuição pelo país é desigual e já aponta para situações de escassez. A região hidrográfica Amazônica, segundo levantamento da ANA, detém 68% dos recursos hídricos superficiais em uma área equivalente a 44% do território nacional. No entanto, é ocupada por apenas 4,5% da população brasileira. O oposto ocorre em outras regiões, a exemplo da região hidrográfica do Atlântico NE Oriental, onde estão cinco capitais nordestinas, que ocupa 3,4% da área do país, concentra 12,7% da população e apenas 0,5% da água.
Segundo Christofidis, por exemplo, a tendência brasileira é de redução na área total de pastagens até 2015 para o conjunto do país, mas com crescimento na região Norte, onde está a Amazônia, as terras são mais baratas e a água está concentrada. "E temos de estar atentos não só a quantidade de água utilizada, mas também à qualidade da água que é devolvida aos mananciais", alerta.

Cobrança e uso

Entre os seis instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos está a cobrança pelo uso da água. Ojima salienta a necessidade de associar a discussão da água virtual à da cobrança, especialmente no caso do setor agropecuário. Hoje a cobrança está implementada apenas na Bacia do Vale do Paraíba.
"Esta discussão não chegou à esfera da cobrança, que, aliás, ainda está só no âmbito das águas superficiais", reclama Ojima. Para se ter uma idéia, o Brasil exportou, segundo o MDIC, 86,8 bilhões de m3 de água virtual apenas em soja, carne e açúcar em 2005. Se o preço dessa água fosse R$ 0,02 por metro cúbico, que é o valor cobrado para o uso da água no Paraíba do Sul, teriam sido arrecadados nada menos que R$ 1,7 bilhão no ano passado para reaplicação nas bacias do país.
Contudo, a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) já sinalizou que discorda da cobrança pelo uso da água, alegando riscos para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional. "O setor ainda está na expectativa e como muitas dúvidas com relação à cobrança. Será que o pagamento pelo uso [da água] é mesmo um instrumento de gestão? Iremos fazer esta discussão", promete Jairo dos Santos Souza, representante da CNA no Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). A discussão também deve ser intensificada nas próximas revisões do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH).
O Instituto para a Educação da Água da Unesco e o World Water Council alegam que o comércio de água virtual alivia a pressão sobre os países que possuem poucos recursos hídricos, mas alerta que esse comércio deve vir acompanhado de uma política de conscientização para o uso de produtos que demandem uma quantidade menor de água. "Um plano consistente de educação ambiental e conscientização pode ter mais efeito que a própria cobrança", diz Christofidis.

Mudança no cardápio

Nos próximos 50 anos, a população mundial deve se estabilizar em torno de nove bilhões de pessoas. Segundo estimativas da ONU, em 2025, haverá mais de três bilhões de pessoas vivendo em países com escassez de água. A América Latina é depositária de 25% do estoque mundial de água, colocando-a como uma região com relativa abundância de água superficial.
O problema, segundo os pesquisadores da Unicamp, é que o consumo de produtos que necessitam de muito água para sua produção é alto no mundo, como é o caso da soja e do arroz. Já os produtos como o milho e a batata, que necessitam de menos água para a produção, são menos consumidos. Ojima argumenta que uma das sáidas para um planajamento sustentável da utilização dos recursos hídricos pode ser,no médio e longo prazo, a reestruturação do próprio cardápio.
"Grande parte do impacto ambiental do século XX veio da explosão do consumo e nem tanto da explosão demográfica. Temos que ter consciência deste comércio virtual para saber quanto isso pode afetar nossos ecossistemas", alerta.

Governo federal e Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis assinam termo de compromisso

04/07/2008 - 12h07 - Por Kamila Almeida, do MDS

A ministra em exercício do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Arlete Sampaio, participou nesta quinta-feira (03), da assinatura do Termo de Compromisso entre órgãos do governo federal e o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). O documento estabelece o compromisso com o MNCR para construção de uma política pública no reconhecimento do trabalho dos catadores e desenvolvimento de ações para inclusão social e econômica do trabalhador. Serão investidas verbas para construção de galpões, implementação de projetos, aquisição de materiais e equipamentos, cursos técnicos em reciclagem, entre outros.

Além dos investimentos, a Unesco vai relançar o edital para projetos de apoio à organização de catadores. O edital permitirá fazer uma pesquisa sobre custo da coleta seletiva realizada pelos catadores em comparação com a coleta realizada pelas Prefeituras e pelas empresas para verificar o impacto dos trabalhos dos catadores para a cadeia produtiva da reciclagem. “Temos o compromisso de realizar ações para reconhecer os catadores”, reforçou Arlete Sampaio.

Participaram da assinatura representantes dos ministérios do Desenvolvimento Industrial e Comércio Exterior, das Cidades, da Saúde, do Trabalho e Emprego, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e da Educação, da Caixa Econômica Federal, Subsecretaria de Direitos Humanos, BNDES, Casa Civil, Fundação Banco do Brasil e Petrobrás.

Crédito de imagem: André Carvalho/MDS

(Envolverde/Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

Ecojogos

De forma lúdica "ecojogos" informam as pessoas sobre problemas ambientais e sociais enfrentados pela humanidade.

Falar sobre os problemas que afligem a sociedade e introduzir novos conceitos não é tarefa fácil. Mesmo quando os assuntos em questão são de interesse de todos, como acontece com os temas ambientais e relativos à sustentabilidade das atividades humanas no planeta. Para tornar mais suave a lição, a moderna pedagogia ensina que buscar formas originais de comunicar o conteúdo pode ajudar, e muito, na aprendizagem. Tornando o processo mais rápido, eficiente e por que
não, divertido!

Por outro lado, para que jogos e brinquedos comercializados no mercado continuem atrativos é preciso que se mantenham antenados com o perfil do consumidor contemporâneo. Assim, o desafio é duplo. É necessário facilitar a compreensão de conceitos modernos, aproveitando maneiras lúdicas de transmitir o conhecimento e fomentar a crítica. Ao mesmo tempo, é preciso conseguir fazer isso conquistando e prendendo o interesse dos que estão sendo educados.
Uma das soluções encontradas pelos fabricantes e criadores de jogos, brinquedos e materiais didáticos de apoio é investir nos
chamados "ecojogos", que divertem e transmitem mensagens em prol do meio ambiente e de atitudes sustentáveis.

Nessa linha, a Estrela, tradicional fabricante de jogos e brinquedos, acaba de lançar o "Banco Imobiliário Sustentável", versão ambientalmente correta do consagrado jogo de tabuleiro, criado em 1944. Na versão renovada, a mecânica do jogo está
totalmente ligada ao tema da sustentabilidade. Em vez de bairros e ruas importantes, as casas do tabuleiro representam reservas
naturais como Pantanal, Rio São Francisco, Chapada dos Veadeiros e Serra da Mantiqueira. "A dinâmica do jogo foi desenvolvida para ser um processo pedagógico, que premia quem tem preocupação ecológica e pune quem não tem", explica Aires Leal Fernandes, Diretor de marketing da Brinquedos Estrela.

A preocupação ambiental não fica só por conta dos jogadores, o próprio jogo físico é ecologicamente mais correto. As peças
plásticas são feitas com o chamado "plástico verde", fabricado com um polímero derivado de cana de açúcar. O material além de ser biodegradável ainda contribuiu para a redução do efeito estufa ao absorver e fixar CO2 (gás carbônico) da atmosfera, durante o
crescimento das plantas. O tabuleiro, a embalagem e as cartas são feitos com papel reciclado.

Ainda, no Banco Imobiliário Sustentável, as companhias de transporte foram substituídas por empresas como Companhia de Reciclagem Energética, Companhia de Reflorestamento, de Agricultura Orgânica, de Reciclagem Mecânica. As cartas de Revés ou Sorte trazem, como exemplo, a mensagem de revés "sua empresa foi multada por poluir demais", ou a mensagem de sorte "você protegeu suas terras do desmatamento e faturou com o turismo ecológico".

O novo "ecojogo" chega ao mercado em julho, mas em edição limitada. Serão 10 mil unidades comercializados exclusivamente na rede de lojas do Wal-Mart Brasil, Parceiro Estratégico do Akatu, que também desenvolve um amplo programa interno de sustentabilidade. "Só teremos escala de produção para ampliar as vendas a partir de 2010, quando a Braskem (empresa responsável pela confecção do "plástico verde") terá concluído a linha de produção do novo polímero", explica Fernandes. A partir desta data, a empresa pretende ampliar gradativamente o uso do "plástico verde" em seus produtos. "A idéia é fazer carrinhos e bonecas com o material, além de novos jogos", conta o diretor de marketing da empresa.

Na linha dos "ecojogos", que além de utilizar o "plástico verde" em sua fabricação também abordam temas ambientais, a Estrela já tem programado o lançamento do "Mundo Novo", jogo direcionado aos pré-adolescentes e adolescentes e que aborda o aquecimento global. "No jogo os participantes vão trabalhar para salvar os continentes dos problemas causados pelo aquecimento do planeta", conta Fernandes.

Ecojogos on line - Além do novo Banco imobiliário estão também disponíveis na web diferentes jogos que tratam os temas ambientais e o conceito de sustentabilidade de forma lúdica. Maurício Gibrin, game designer, parceiro no desenvolvimento dos jogos cooperativos utilizados nas capacitações do Akatu, é um dos criadores do Greenpeace WeAther, jogo colaborativo em que o objetivo é salvar a Terra dos desastres ambientais. "É um jogo 100% cooperativo. O mundo está cheio de poluição e crises devido ao aquecimento global, entre outros fatores, e todos os jogadores precisam se unir para resolver os problemas do mundo. Se não conseguirem, todos perdem o jogo", explica Gibrin.

O WeAther, ganhador do Leão de Bronze na edição 2008 do Festival de Cannes, foi desenvolvido para o Greenpeace, em parceira com a AlmapBBDO, pela colmeia (produtora especializada na realização de projetos em novas mídias, como games, celular e internet ) e pelos game designers Fabiano Onça e Maurício Gibrin. O jogo está disponível on line, no endereço www.greenpeaceweather.com.br.
Para jogar é preciso reunir de 2 a 4 jogadores na internet. Um protótipo da versão de tabuleiro já está pronto e aguarda patrocínio para ser fabricado em escala.

O game designer Maurício Gibrin leva na bagagem o reconhecimento internacional pela criação do jogo "Ilha de Waka Waka", premiado no concurso de criadores de Boulogne-Billancourt em 2004, um dos mais importantes do setor. Ele acredita que tratar de temas complexos e importantes como sustentabilidade e aquecimento global usando jogos é uma maneira agradável de aproximá-los do dia-a-dia das pessoas. "Espero que os jogos ajudem as pessoas a abrirem os olhos. O jogo alerta as pessoas e as faz reavaliar seu modo de pensar", conclui.

Decisão do mercado – Muito além do idealismo, no entanto, investir a temática ambiental passou a ser também uma importante estratégia para quem pretende se manter alinhado com o que pensa e quer o consumidor contemporâneo. O diretor de marketing da Brinquedos
Estrela acredita que, embora não existam pesquisas quantitativas no país que comprovem o crescimento da demanda por "ecojogos", investir no tema da sustentabilidade vai ao encontro dos desejos do consumidor. "A indústria de brinquedos nada mais é do que um espelho daquilo que a sociedade está discutindo no momento", explica.

E sustentabilidade, acredita Fernandes, já está na pauta dos brasileiros. Ele explica que a Estrela realiza periodicamente
pesquisas qualitativas (com os chamados Focus Groups) para avaliar quais os assuntos e temas de interesse da população e, dessa forma, manter seus produtos em dia com o mercado. "E a questão da sustentabilidade já é um assunto recorrente nessas pesquisas", conta.

Mas se no Brasil a tendência de criação dos "ecojogos" está apenas começando, ela já é uma realidade na Europa, em especial na Alemanha e na França. "Fora do Brasil existem inclusive empresas que só fazem `ecojogos', tanto no que diz respeito aos materiais, quanto aos próprios temas abordados", conta Gibrin. Segundo o game designer, na França, os desenvolvedores de jogos ecológicos têm especial fascínio pelos temas relacionados à Floresta Amazônica e investem pesado no setor.

No Brasil, porém, a maioria dos "ecojogos" ainda está disponível apenas nas páginas da web. E como descobrir novidades com qualidade na internet nem sempre é fácil, Maurício Gibrin destaca algumas características que podem servir de pistas para identificar um "ecojogo" com mais facilidade. Confira a seguir:

- O "ecojogo" sempre passa uma mensagem (relacionada às questões ambientais e de sustentabilidade);

- Ajuda o jogador a pensar sobre o tema ou mensagem e a analisar seus próprios pontos de vista sob uma nova ótica;

- São, em geral, cooperativos, ou seja, todos os jogadores trabalham juntos para atingir o mesmo objetivo e ganham ou perdem, em equipe, embora alguns ainda sejam competitivos;

- São fabricados com materiais ecologicamente corretos;

Gibrin, alerta, no entanto, que os "ecojogos" embora cumpram um papel importante ao transmitir conhecimentos e auxiliar na difusão de novos modos de pensar, ainda são, acima de tudo, uma forma de entretenimento. "Todo jogo tem que continuar a ser divertido, senão perde sua razão de ser", ensina o especialista.

Para jogar on line

WeAther

O "WeAther", do Greenpeace, trata dos problemas causados pela emissão de gases poluentes e pelo aquecimento global. Site em português.

http://www.greenpeaceweather.com.br/

Energyville – O jogador precisa providenciar energia em quantidade suficiente para abastecer uma cidade de 3,9 milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, mantê-la limpa, segura e economicamente viável. As escolhas dos jogadores têm impactos econômicos, tecnológicos e ambientais sentidos pelos moradores locais. Versão em inglês.

http://www.willyoujoinus.com/energyville/

Honoloko

O jogo acontece na Ilha de Honoloko, que é muito semelhante ao nosso mundo e onde as nossas ações impactam o meio ambiente onde vivemos.
O objetivo do jogador é tomar decisões que melhorem a saúde dos habitantes e o ambiente de Honoloko. O jogo é direcionado a jovens e adultos. O jogador pode escolher entre 26 idiomas, inclusive uma versão em português.

http://honoloko.eea.europa.eu/Honoloko.html

Para as crianças:

Eco Kids – Site feito sob medida para a criançada. Propõe-se a transmitir aos pequenos, por meio de jogos e entretenimento,
conhecimentos básicos sobre cidadania e meio ambiente. O público-alvo são crianças entre 4 e 7 anos. Site em português.

http://www1.uol.com.br/ecokids/

Ecoagents – Special Units

Os jogadores podem se tornar Ecoagentes, da Agência Européia do Ambiente (AEA), encarregada de recolher informações sobre o ambiente em toda a Europa. Como ecoagentes podem ajudar a proteger o meio ambiente e os recursos naturais. O público-alvo são jovens e crianças de 7 a 14 anos, mas o site é inglês.

http://ecoagents.eea.europa.eu/
(Envolverde/Instituto Akatu)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

União Européia defende "soberania responsável" para Amazônia

GENEBRA - O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, defendeu ontem que os países assumam " soberania responsável " para resolver grandes questões internacionais, a começar pelo combate às mudanças climáticas. Indagado pelo Valor se esse conceito deveria se aplicar à Amazônia, Solana retrucou: " Soberania responsável é um termo pelo qual se tem que pensar que o que acontece num país, em mudança climática, afeta todo o mundo. Por isso, a idéia de se reunir juntos para resolver globalmente. "

O chefe da diplomacia européia vem progressivamente colocando o conceito na mesa, sinalizando na prática que o mundo enfrenta antigos e novos desafios de segurança que são mais complexos dos que as instituições multilaterais e nacionais são capazes de administrar. Ontem, em Genebra, num debate sobre necessidade de cooperação global, ele argumentou: " Todo mundo tem que ser responsável com o que acontece com seu próprio país, mas também com as conseqüências no resto do mundo. "

Logo depois da questão sobre a Amazônia, Solana tratou de avisar que de jeito nenhum falava em " intervenção, nada disso " , pedindo aos repórteres para não o colocarem nessa situação. De seu lado, reiterou que a União Européia quer assumir responsabilidades como " catalisadora para uma solução " para o combate à mudança climática.

Ele insistiu que é " hora de assumir compromissos " para a redução de gases de efeito-estufa. Indicou que a Europa tem novas idéias para o encontro de cúpula do G-8, no mês que vem, para discutir com os cinco grandes emergentes - Brasil, China, índia, África do Sul e México.

A posição européia, explicou Solana, é que todos devem assumir compromissos obrigatórios de redução de emissões, mas levando em conta a diferenciação. Ou seja, diferentes países tendo diferentes responsabilidades com base no tamanho do que já poluiu e atual desenvolvimento.

Para revitalizar a cooperação global, Solana defende inclusive logo um acordo na Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio (OMC), estimando que, se isso não acontecer, será um péssimo sinal para a negociação sobre o clima no ano que vem.
Questionado sobre uma taxação global do poluidor, ele respondeu que as emissões de C02 " não podem ser livres de cobrança, caso contrário será muito difícil cumprir as metas (de redução) " . Solana concordou que, sem a China, a Índia e os outros grandes emergentes, os Estados Unidos continuarão não aceitando fechar um novo acordo para reduzir as emissões.

(Assis Moreira | Valor Econômico)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Salve a Estrada Parque de Itu!!!!

Está é uma campanha urgente, peço que todos possam se engajar nessa luta de alguma maneira. Essa é a nossa primeira iniciativa de muitas que virão até que esse projeto seja totalmente vetado.
Por favor divulgue para suas listas a campanha em defesa da Estrada Parque e das corredeiras do Tietê, ameaçadas de desaparecer com a implantação de barragens. A EMAE quer implantar duas PCHs na Estrada Parque e uma delas, junto ao Jequitibá Rosa, símbolo da unidade de conservação, na Rodovia do Romeiros. No lote de concessão da ANEEL o Tietê, nesse trecho especialmente preservado pela Constituição Paulistas (artigo 196), tem potencial hidroenergético para quatro barragens. Isso acaba com as corredeiras e com capacidade natural de recuperação do maior rio paulista e inunda 120 hectares de mata atlântica, dentre outros patrimônios naturais e culturais como a Estrada Parque, conhecida como Rodovia dos Romeiros e a Gruta da Gloria, monumento geológico e turístico da região.
Para mobilizar a sociedade em defesa desses patrimônios o Blog De Repente, que reúne jovens jornalistas e voluntários que fizeram parte de grupos de monitoramento do projeto Observando o Tietê, em Itu, lançaram uma campanha eletrônica com uma petição on line, que reuniu em poucas horas 182 assinaturas. A petição on line refeita, para que entidades e cidadãos se engajem e o novo texto foi aberto agora na Rede das Águas, onde disponibilizamos mais informações a esse respeito.
Por favor assine e divulgue.
Baixe o selo do projeto
Obrigada
Malu Ribeiro e Valéria Rusticci
Rede das Águas ::

Tel.: 11 3055-7888

Fax: 11 3885-1680

Cel: 11-98352341

malu@rededasaguas.org.br

valeria@rededasaguas.org.br

Lei da Califórnia pode excluir Brasil de créditos

Na contramão da postura assumida pelo governo dos Estados Unidos, alguns estados americanos, solitária e corajosamente, começam a adotar iniciativas concretas para um maior comprometimento no combate das mudanças climáticas. Quem lidera essa caminhada é o estado da Califórnia.

Tradicionalmente conhecida nos EUA como pioneira nas discussões sobre meio ambiente, a Califórnia foi o primeiro estado americano a promulgar uma lei estadual de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEEs): Assembly Bill 32. Promulgada em 2006, a lei está ainda em fase de regulamentação e deverá entrar em vigor em 1º de janeiro de 2012. No entanto, apesar da aparente distância temporal, já está causando grande polêmica nos bastidores políticos californianos.

Isso porque a lei AB 32 determina que, até 1º de janeiro de 2009, o Conselho Estadual de Recursos do Ar (Air Resources Board), órgão responsável pelo assunto, deverá definir qual o instrumento a ser utilizado para a redução das emissões.

Alguns órgãos institucionais participarão da regulamentação da lei. Entre eles se destaca uma forte coalizão de defesa ambiental chamada Environmental Justice, que tem atribuição legal para participar e votar nas negociações e tem se posicionado contra o sistema de Cap and Trade — mecanismo de reduzir emissões, seqüestrar Carbono e negociar os respectivos créditos, que são vendidos àqueles que não conseguem atingir metas de redução.

A coalizão EJ alega que permitir um sistema internacional de compensações sobre as emissões de GEEs seria apenas uma forma paliativa de contornar o problema, uma vez que induziria os grandes emissores a comprar os créditos ao invés de investir em mudanças, por exemplo, de suas matrizes energéticas, substituindo térmicas a carvão ou diesel, por térmicas a gás natural ou bicombustíveis. Os representantes da EJ acreditam, enfim, que a saída para o problema das emissões de GEEs passa por uma regulamentação baseada em políticas de eficiência energética com investimentos pesados em fontes de energia renovável, como a solar e a eólica.

Entretanto, é necessário ponderar que não é este o espírito que deve imperar na regulamentação da lei californiana. Há um equívoco de interpretação na crítica apresentada pela EJ que enfoca o sistema Cap and Trade, somente sob o prisma do princípio do poluidor-pagador. Muitas vezes o significado desse princípio é distorcido para a errônea idéia de concessão ao direito de poluir, quando na verdade é justamente uma imposição inibitória a quem não respeita o meio ambiente. Importante mencionar que o capital investido na compra dos créditos é justamente o que fomenta pesquisas para o desenvolvimento de energias limpas.

Se analisada a questão com maior critério, será percebido que o mecanismo de venda de Créditos de Carbono tem um significado muito mais amplo e profundo do que uma "hipócrita compra do direito de poluir", como parece assim interpretar o grupo Environmental Justice. Na verdade, a comercialização de créditos de Carbono compreende uma importantíssima ferramenta de incentivo para a transição de boa parte da matriz energética mundial, há décadas baseada na queima de combustíveis fósseis de alto potencial poluidor, para uma matriz baseada na produção de energia limpa e renovável, alicerçada por uma base economicamente viável e atraente, em consonância com as regras da sustentabilidade. E se pensarmos que a tendência mundial futura é cada vez mais voltada em reduzir drasticamente as emissões gases de CO2 equivalente, a melhor alternativa e para que as economias mundiais se adaptem com o menor impacto possível é o sistema de Cap and Trade.

E o Brasil figura como candidato a um dos grandes players deste potencial mercado, caso venha ser regulado em moldes parecidos com o instrumento previsto no protocolo de Quioto chamado de emissions trading, mercado este que pode chegar a um trilhão de dólares até 2020, se os EUA como um todo adotar o sistema de Cap and Trade — segundo estudo feito e publicado em seu site pela New Carbon Finance, empresa de consultoria norte americana especializada na análise e fomento de novos negócios envolvendo o mercado de créditos de carbono. Os investidores brasileiros, que até então fixavam seus olhares somente na Europa para negociar o preço de seus certificados de reduções, poderão ter também no mercado californiano uma nova e ótima alternativa para venda de seus créditos.

Os debates que envolvem a regulamentação da lei californiana é assunto da maior relevância, pois o que for decidido na Califórnia certamente influenciará a postura política que o Congresso norte americano adotará quando abrir a discussão do tema em âmbito nacional. E levando em conta a considerável pressão que existe da comunidade mundial sobre um dos maiores emissores de CEEs do mundo, essa discussão não deve se alongar muito além das eleições presidenciais deste ano.

Assim, resta saber se o estado da Califórnia adotará a política aparentemente protecionista defendida pela EJ, ou se efetivamente abrirá as portas para que os EUA entrem de vez na corrida contra o aquecimento global. O mundo espera ansioso!

Revista Consultor Jurídico, 20 de junho de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Fiscalização retoma ações pela Operação Lagosta Legal

Brasília (21/02/08) – O Ibama iniciou no dia 18 deste mês a Operação Lagosta Legal 2008. O trabalho foi realizado no ano de 2007 em alguns estados do litoral brasileiro na tentativa de impedir a pesca predatória da lagosta. No ano de 2008, a fiscalização do estado da Paraíba, por exemplo, já conseguiu apreender um barco de pesca e um caminhão tipo baú, transportando tambores que seriam transformados em marambaias, um tipo de armadilha cuja utilização não é permitida na captura de lagostas. Tanto o proprietário do barco, como o do caminhão, foram autuados de acordo com a legislação. O barco de pesca ficou com o proprietário como fiel depositário, enquanto corre o processo e o caminhão encontra-se no pátio do Ibama/PB, à disposição da Justiça.

Em Sergipe, foi realizada uma fiscalização no mar com apoio da Polícia Federal, em que foram vistoriadas 13 embarcações. Na capital Aracaju, foi feita a vistoria de estabelecimentos comerciais. Apesar disso não foram encontradas irregularidades no estado. O trabalho continua e a próxima etapa será no mar, com o apoio da Capitania dos Portos.

Na Bahia, a Gerência do Ibama em Eunápolis também já apresentou resultados. As equipes constataram principalmente a tentativa de enganar a fiscalização com estoques declarados errados. No total foram declarados cerca de 16.400 kg, sendo que os fiscais encontraram cerca de 5.400 kg. Essa prática é usada para ‘’legalizar’’ lagostas pescadas durante o período de defeso. Na Capitania dos Portos do município de Porto Seguro, foi realizada uma ação conjunta com a Marinha do Brasil no dia último dia 18. O objetivo foi fiscalizar as licenças de pesca, petrechos proibidos, pesca ilegal da lagosta e outros ilícitos ambientais.

Ascom/Ibama

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Conheça o Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis

Queijos, carnes, geladeiras, móveis para escritório e até tintas ecológicas. Quem está em busca destes, entre outros muitos tipos de produtos, em versão de baixo impacto ambiental, já tem a disposição uma ferramenta prática, confiável e gratuita para buscar on line por opções disponíveis no mercado em sua região do país: é o Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis, da Fundação Getúlio Vargas.

A página de busca na internet foi desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (GVces), com o apoio do Banco Real ABN AMRO, Parceiro Pioneiro do Akatu, e pretende estimular a adoção de boas práticas, ao promover o consumo racional e eficiente através da divulgação de produtos e serviços sustentáveis.

“O nosso propósito é informar os consumidores institucionais, entre eles governos e empresas, e também o público em geral sobre as relações entre consumo e meio ambiente, e futuramente incorporar questões sociais. Para isso, o consumidor terá acesso através do catálogo, às informações sobre a matéria-prima, o processo produtivo, a legislação pertinente e aos impactos ambientais associados à produção e ao consumo de bens e serviços”, explica Luciana Stocco Betiol, advogada e professora, que participa da coordenação do projeto.

No ar há pouco mais de um mês, o catálogo já foi acessado 13.000 vezes. O lançamento oficial aconteceu no dia 16 de abril, durante a III Feira Brasil Certificado, evento promovido pelo FSC Brasil (da sigla em inglês que significa Conselho Brasileiro de Manejo Florestal), pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), pela Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e pelo Imazon (Instituo do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em São Paulo.

Segundo Luciana, para ser considerado sustentável é preciso que o produto (ou serviço) preencha ao menos um dos critérios pré-definidos pelos organizadores, ao longo das pesquisas. “Com o tempo esperamos que este catálogo seja um impulsionador de boas práticas produtivas, passando a ser possível exigir no mínimo dois, três, quatro ou mais critérios para a inclusão de um produto no nosso catálogo. Assim que surgirem produtos mais sustentáveis do que os que se encontram hoje no catálogo, estes produtos serão retirados dando lugar aos que respondem a critérios mais exigentes”, conta a advogada.

Os critérios utilizados para classificação até o momento são exclusivamente ambientais e estão agrupados em grandes áreas, como, por exemplo: eficiência energética; origem renovável do recurso; toxicidade; biodegradabilidade; solubilidade em água; gestão de resíduos; impactos globais; racionalização etc. A partir de agora, o centro de pesquisas pretende elaborar também os critérios que avaliem os aspectos sociais, tais como saúde, educação, emprego, comunidades tradicionais, entre outros. No site o consumidor encontra descrição em maior detalhe do processo de classificação atualmente utilizado pelo catálogo.

O projeto implantado pela FGV foi organizado pela sub-coordenadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade, Rachel Biderman, que verificou, em seus estudos sobre consumo sustentável, a necessidade de se criar um espaço imparcial, isto é, que não estivesse vinculado a promoção de marcas específicas, onde o consumidor pudesse buscar informações sobre o impacto ambiental do ciclo de vida dos mais diversos produtos e serviços – incluindo sua fabricação, consumo e descarte. “A idealização deste catálogo vem para suprir esta deficiência e auxiliar os consumidores a mudar seus padrões de consumo”, define Luciana.

A advogada conta ainda que o conteúdo inicial do catálogo sustentável foi produzido para o projeto de análise do banco de compras do estado de São Paulo, realizado pelo Centro da FGV para a Secretaria do Meio Ambiente, em 2006. Para conseguir organizar o banco de compras foram pensados critérios que permitissem identificar as opções mais sustentáveis, além de realizar uma pesquisa no mercado nacional para identificar a disponibilidade destes produtos. “Iniciou-se ai, a produção de um banco de dados de produtos mais sustentáveis, que nos inspirou a prosseguir nesta pesquisa, acrescendo aos produtos também os serviços sustentáveis, publicações a respeito do tema, bem como a sua divulgação gratuita a toda a coletividade”, descreve.

Para o consumidor consciente, interessado em maximizar os aspectos positivos de seu ato de consumo e, ao mesmo tempo minimizar os negativos, Luciana recomenda que fique atento aos critérios de sustentabilidade utilizados no catálogo na hora de escolher o que comprar, no seu daí a dia. Inclusive quando for comprar produtos tradicionais – não classificado como sustentáveis. No entanto, ressalta que a presença de um produto no catálogo não representa o mesmo que uma certificação. “O consumidor deve ter muito claro que não somos uma instituição certificadora, tampouco temos qualquer interesse em promover comercialmente este ou aquele produto.”, explica.

O objetivo da Instituição é continuar atualizando o catálogo anualmente, de modo que, no futuro, este possa apresentar uma larga amostra de produtos e serviços disponíveis no mercado brasileiro e que preencham critérios de sustentabilidade previamente definidos, não somente na dimensão ambiental. “Hoje o que temos é a consolidação em um ambiente virtual de pesquisas realizadas nos anos de 2006 e 2007, para governos sub-nacionais, por isso a sua limitação a algumas “famílias” de produtos. Este projeto é um projeto que exige pesquisa e atualização constante e que, por estar em seu nascedouro, não teria condições de abarcar todos os produtos nacionais”, continua a advogada.

No site existem dois espaços para o consumidor consciente participar diretamente da construção da ferramenta, por meio do “faça parte”, onde é possível indicar produtos ou serviços sustentáveis, e o “fale conosco”, espaço aberto para o consumidor manifestar-se sobre o conteúdo da página. As indicações dos internautas serão analisadas e, se aceitas pelo grupo técnico de aconselhamento do projeto, passaram a fazer parte das indicações.

O Catálogo de Produtos e Serviços Sustentáveis está disponível para consulta e comentários dos consumidores no link: http://www.catalogosustentavel.com.br.

Um planeta de famélicos e obesos

Nesta semana está acontecendo em Roma uma reunião da FAO para tratar do problema da crise alimentar global que ameaça milhões de pessoas. Análises destacam que o problema vem sendo agravado pela concentração da distribuição de alimentos e matérias-primas para a sua produção em mãos de poucas, mas poderosas, empresas. Enquanto isso, são os pobres, e especialmente as crianças, que mais sofrem com a crise alimentar. Segue a matéria de Miguel Mora publicada no El País, 03-06-2008. A tradução é do Cepat.

50 chefes de Estado e de Governo, 150 ministros de Agricultura e cerca de 20 responsáveis de instituições supranacionais se reúnem desde terça-feira (03/06) até hoje [quinta-feira] na sede da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) em Roma para tratar de resolver a crise alimentar global que ameaça milhões de pessoas.

O rascunho das conclusões da reunião, ao qual os países estão dando os últimos retoques por grupos regionais, desenha um futuro “de imenso sofrimento humano, assim como de descontentamento social e instabilidade política, que ameaçam colocar em perigo o desenvolvimento econômico e social”.

Um dado facilitado pela FAO resume graficamente a situação: do lado infeliz há 820 milhões de cidadãos passando fome; entre eles, 178 milhões de crianças desnutridas. Do lado afortunado, 1 bilhão de seres humanos sofrem de sobrepeso; desses, 300 milhões já são obesos.

No relatório que será apresentado à reunião, a FAO admite que os dados da fome não variaram desde 1990, o que equivale a assumir que as políticas desenvolvidas até agora foram um fracasso. O estudo atribui a crise à mudança climática, à escassez de cereais (a produção está no mínimo histórico desde 1983), ao aumento da demanda na China e na Índia, ao preço do petróleo, à elaboração de biocombustíveis, à especulação que domina os mercados de futuros de sementes e matérias-primas, e a uma política agrícola e comercial protecionista e não solidária.

Muitos problemas diferentes que, se não forem resolvidos rapidamente, podem piorar o panorama. Segundo a Oxfam, se os países continuarem investindo em biocombustíveis e não em alimentos para o consumo humano, em 2025 haverá 600 milhões a mais de esfomeados no mundo.

Um fenômeno recente começa a preocupar os especialistas: junto com a desnutrição que grassa uma parte do mundo, a má alimentação começa a causar estragos na outra metade. No México, o número de pessoas obesas e com sobrepeso duplicou entre a população mais pobre entre 1988 e 1998, e chega hoje a 60%.

A culpa, destacam diversas ONGs que participam da reunião, não é tanto dos países mas de um modelo liberal em que mandam as multinacionais e os intermediários. Segundo Antonio Onorati, da Crocevia, “os preços agrícolas são decididos pelos grandes distribuidores, cadeias como Auchan ou Wal-Mart que compram diretamente dos produtores e ganham a fatia maior do preço final”.

Marco de Ponte, secretário-geral italiano da Ajuda e Ação, tornou pública a lista das cinco empresas que controlam mais de 80% do mercado de cereais, com os lucros de 2007: Cargill (36%), Archer Daniels Midland (67%), ConAgra (30%), Bunge (49%) e Dreyfuss (19% em 2006).

Outro setor em expansão é o dos produtores de sementes, herbicidas e pesticidas: Monsanto, Bayer, Dupont, Basf, Dow, Potashcorp… “A globalização alterou a relação comercial da agricultura”, explica Alberto López, representante espanhol na FAO. “O capital que antes especulava em imobiliárias está hoje na compra de futuros de matérias-primas. A demanda cresceu muito rapidamente e é necessário conter o impacto facilitando a distribuição, a eficácia produtiva e o consumo responsável”.

A FAO propõe soluções a curto, médio e longo prazos: mais dinheiro, mais ajuda aos países pobres, um comércio mais justo, melhor coordenação entre as instituições e as ONGs, potencializar a produção em pequena escala, orientada ao consumo local e regional.

Entretanto, os preços cada vez mais altos dos alimentos estão agravando o problema para a parte mais frágil da cadeia, a infância. A organização Médicos sem Fronteiras exige em Roma ajuda imediata para as 20 milhões de crianças que sofrem de desnutrição aguda. “Nas últimas semanas vimos um aumento brutal de casos na Etiópia, onde já há 120.000 crianças em situação de emergência médica”, lembra Javier Sancho.

(www.ecodebate.com.br) publicado pelo IHU On-line, 05/06/2008 [IHU On-line é publicado pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Para Marina Silva:"política sem teologia é puro negócio"

Por Leonardo Boff (22/05/2008) - A saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente representa uma pesada perda de qualidade política do governo Lula. Por qualidade política entendo a competência do governante de manter a unidade dos contrários, contrários esses, inerentes a todo convívio social e democrático, que confere dinamismo e vida à sociedade. Marina Silva representava um pólo decisivo no governo e fundamental para uma política responsável pelo futuro da vida e da integridade do Planeta: o cuidado com o ambiente inteiro e com as condições ecológicas que garantem a vida em toda sua imensa diversidade. No outro pólo estão outros, em maior número, que perseguem um projeto, que nos remete ao século XIX, de crescimento material acelerado e a todo custo, sem considerar a mutação das consciências ocorrida no Brasil e no mundo face principalmente às perigosas transformações negativas do estado da Terra, ocasionadas, em grande parte, por aquele projeto. Missão do governante é ser um homem de síntese, capaz de articular os pólos e ter a sabedoria suficiente para decisões estratégicas, mesmo difíceis, que garantam o futuro de nossa existência neste pequeno Planeta. O atual presidente mostrou essa capacidade de síntese. Mas desta vez, parece-nos, se operou desastroso desequilíbrio. Com a ausência de Marina Silva, há o risco do pensamento único e da obsessão furiosa pelo crescimento fazendo crescer nossa dívida para com a natureza e as gerações futuras.

A ex-ministra Marina Silva mantinha tenaz coerência com a missão que se propôs de introduzir a partir de seu Ministério a transversalidade do cuidado ecológico em todas as instancias do poder, no esforço de conferir uma direção inovadora e à altura dos desafios contemporâneos ao desenvolvimento sócio-ambiental sustentável. Foi vista como obstáculo ao crescimento e como empecilho à modernização. E efetivamente era e precisava se-lo. Não é possível com tudo o que sabemos da história e da experiência recente continuar com o tipo de crescimento retrógrado que visa a acumulação à custa da devastação da natureza e do aprofundamento das desigualdades sociais. Há que se estigmatizar essa modernização conservadora e socialmente criadora de tantas vitimas no campo e nas cidades. As pressões contra a ministra vindas do interior do próprio governo e do exterior, de grupos poderosos ligados à pecuária e ao agronegócio solaparam a sustentação política e a viabilidade de seu trabalho, especialmente, com referência à preservação da floresta amazônica. Retirou-se do ministério pela porta da frente, com elevado espírito público e ético, protestando lealdade e fidelidade ao presidente.

Marina Silva era uma das reservas éticas do governo, uma referência de credibilidade para o Brasil e para o mundo. Mas ética era pouco para ela. Movia-a uma inspiração espiritual, de serviço à vida e de proteção a todo o Criado. Ela me faz lembrar a frase de um dos grandes pensadores da escola de Frankfurt que foi um rigoroso marxista e materialista: Max Horkheimer. No final de sua vida escreveu um instigante livro:"Saudade do totalmente Outro". Ai, como marxista e não como cristão, diz:"uma política, sem teologia, é puro negocio". E explicava:"teologia significa aqui, a consciência de que o mundo não é a verdade absoluta, que não é o fim; teologia é a esperança de que tudo não se acabe na injustiça que tanto marca o mundo, que a injustiça não detenha a última palavra". Estimo que Marina Silva mostrou em sua vida e prática a verdade desta sentença. Por isso todos lhe somos agradecidos e devedores.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Marina Silva: "A Amazônia está acima de nós"


Marina Silva: o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não deve aceitar pressões do governador Blairo Maggi

Altino Machado
De Rio Branco (AC)

A magricela Marina Silva, 50, senadora petista do Acre, já perdeu três quilos desde que entrou no olho do furacão, após surpreender ao presidente Lula na semana passada com o pedido de demissão do cargo de ministra do Meio Ambiente.

- Estou só a tala - diz com exclusividade a Terra Magazine.

Ao deixar o ministério, a ex-seringueira e ex-empregada doméstica alfabetizada aos 17 anos, conseguiu gerar, dentro e fora do País, uma repercussão que suplantou aquelas que ocorriam eventualmente com a queda de algum titular do Ministério da Fazenda.

Ela espera do sucessor Carlos Minc, como demonstração de continuidade da política ambiental, que resista à pressão do governador Blairo Maggi, do Mato Grosso, que atua contra a manutenção da resolução do Conselho Monetário Nacional que, a partir de 1º de julho, obriga o sistema financeiro a exigir regularidade ambiental como condição para o crédito rural na Amazônia.

- Além da manutenção da implementação da resolução do Conselho Monetário Nacional, que lute firmemente contra a alteração do código florestal, que levaria a mais desmatamento na Amazônia. É necessário manter e fortalecer as operações de combate ao desmatamento - insiste a ex-ministra.

Marina Silva disse que quando se ocupa um espaço de poder, mesmo sendo algo pequeno, como uma coluna de jornal, sofremos a tentação de querer olhar as pessoas de cima para baixo.

- Aprendi, e não foi agora, mas com muitas pessoas ao longo da vida, como Chico Mendes e dom Moacir Grechi, que a gente tem que olhar de baixo para cima. De baixo para cima a gente consegue enxergar o que está acima de nós. A Amazônia está acima de nós. E com esse olhar a gente é capaz de enxergar que, para fazer algo que seja bom, é preciso se colocar numa perspectiva de serviço, que também pode ser o gesto de abrir o caminho para que outro ocupe o seu lugar. Eu já disse que é melhor ver o filho vivo no colo de outro a vê-lo jazer no próprio colo.

A partir de hoje a senadora passa a cumprir licença de 10 dias para descanso. Vai passsar o final de semana no seu "Acre querido", mas nega a disposição para ser candidata a governadora do Estado.

- Temos bons nomes: Binho Marques, Jorge Viana e Tião Viana. Não estou pensando nas próximas eleições, mas naquilo que será o futuro das próximas gerações.

Leia a entrevista a seguir:

Terra Magazine - Como explica que a sua demissão do Ministério do Meio Ambiente tenha repercutido bem mais, dentro e fora do país, do que a demissão de nosso último ministro da Fazenda?
Marina Silva - O tema está no coração da agenda do mundo e do País, que é uma potência ambiental. A maior audiência mundial em termos de meio ambiente é o Brasil. O que está acontecendo é como se a sociedade brasileira estivesse criando um novo acordo político para dar sutentação ao rumo que precisa ser decidido por nós.

Como assim?
Eu diria que é como se fosse um encruzilhada histórica, civilizatória, entre permanecer no modelo de desenvolvimento do século 19 ou transitar mais rapidamente para o modelo que necessita o século 21. Nesse sentido, toda essa audiência interna que nós temos, configurada na mudança do Ministério do Meio Ambinete, se situa na grande possibilidade de estabelecimento de um novo acordo políticio. Isso permite, tanto ao Lula quanto ao ministro do MMA, consolidar as grandes conquistas dos últimos cinco anos e evitar retrocessos, como baixar a guarda do Plano de Combate ao Desmatamento. Nunca uma mudança de ministro do Meio Ambiente levaria a tanta repercussão, embora eu sempre tenha dito que não faria pirotecnia.

Há quem diga que o movimento social sente-se "mordido" com o tratamento que lhe foi dispensado pelo governo e com a sua saída. Acabou a trégua entre o governo e os ambientalistas?
Eu tive o apoio da academia, das ONGs sérias, de vários segmentos do setor privado e hoje até existem empresas que fazem doação para colaborar com a política ambiental do governo. As pessoas começaram a ver credibilidade no trabalho e a fazer coisas que a gente só via acontecer em outros países. O que fiz foi transformar as boas idéias em politicas públicas.

A Amazônia vai ficar mais tensa ou divertida com Carlos Minc no ministério?
Espero que todos possamos ajudar o novo ministro. A pressão do outro lado é grande, mas já existe uma estrutura que é altamente importante. Ele pode consolidar a base que está encontrando e não permitir retrocesso, como o pretendido pelo governador Blairo Maggi, no sentido de revogar as medidas tomadas recentemente no Plano de Combate ao Desmatamento. É necessária a manutenção da implementação da resolução do Conselho Monetário Nacional que a partir de 1º de julho obriga o sistema financeiro a exigir regularidade ambiental como condição para o crédito rural na Amazônia. Mas existem outras questões como a redução da reserva legal, da criminalização da produção de áreas embargadas. Essas coisas não podem ter retrocesso. É necessário, no âmbito do Plano de Combate ao Desmatamento, fazer com que as ações de desenvolvimento sutentável, como a Operação Arco Verde, possam ser efetivadas.

São bandeiras do movimento social.
Sim. O movimento social sempre reivindicou que não fosse concedido crédito para quem desmata ilegalmente e que não se fizesse dos dados do desmatamento um mistério, que se deveria ter um espaço para discutir as medidas em relação ao desmatamento, a criação de unidades de conservação na frente da expansão predatória, fazendo paredão para impedir a grilagem. Nós criamos 24 milhões de hectares de unidades de conservação. São quase 50% de todas unidades de conservação federais criadas no Brasil. Houve aumento de 59% na área em Unidades de Conservação na Amazônia em cinco anos. Mais que dobrou a área de Reservas Extrativistas, de 5,1 milhões para 10 milhões de hectares. Houve aprovação da Lei da Mata Atlântica, da Lei de Gestão de Florestas Públicas, Dispositivo da Limitação Administrativa Provisória, além de reposicionamento de obras para atender os aspectos ambientais da BR-163, do rio São Francisco, Paiquerê, usinas do Madeira.

Havia pressão dos ambientalistas para se avançar mais?
As pessoas sabiam que muita coisa estava sendo feita em muitas áreas e que em outras precisávamos avançar mais, mas que também sabiam que isso não dependia apenas da Marina Silva. Houve aumento de 50% no total de licenciamentos ambientais entre 2003 e 2006, que passou de 145 empreendimentos licenciados por ano para para 220 licenciamentos de qualidade, sem nenhuma judicialização. Pouca gente sabe que em 2003 havia 45 hidrelétricas judicializadas. Foi criada uma diretoria específica para o licenciamento no Ibama com três coordenações gerais: de petróleo e gás, de energia e transporte e de mineração e obras civis. A equipe técnica era formada por 7 servidores públicos efetivos e 71 contratados temporariamente. Hoje são 149 efetivos, ou seja, 31 temporários, num universo de 180 funcionários.

O que considera ainda como avanços significativos?
A Instrução Normativa nº 65 do Ibama que estabeleceu, pela primeira vez, os procedimentos necessários para a solicitação, análise e emissão de licenças ambientais para usinas hidrelétricas e pequenas centrais hidrelétricas. A disponibilização na internet de todas as informações relativas aos licenciamentos de competência do Ibama, por meio do Sistema Informatizado de Licenciamento Ambiental, como por exemplo: relatórios de impacto ambiental, pareceres técnicos e editais de convocação de audiências públicas. Hoje existe o Portal do Licenciamento, que permite o acesso às informações sobre processos conduzidos pelos órgãos ambientais dos 26 estados e do Distrito Federal. Em quatro anos, o Ibama concedeu licença para 21 hidrelétricas, o que representa mais de 4.690 MW, todas sem judicialização.

O que espera do novo ministro como demonstração de continuidade da política ambiental?
Além da manutenção da implementação da resolução do Conselho Monetário Nacional, que lute firmemente contra a alteração do código florestal que levaria a mais desmatamento na Amazônia. É necessário manter e fortalecer as operações de combate ao desmatamento integrando IBAMA, Polícia Federal, Forças Armadas. Dar continuidade ao processo de criação de unidades de conservação, especialmente das reservas extrativistas do Xingu e do Jauaperi-Rio Branco (Roraima), dentre outros, que aguardam decisão na Casa Civil. Lançar e implementar o Plano Nacional de Comunidades Tracionais e investir 1,5 bilhão em ações de apoio ao desenvolvimento das comunidades tradicionais de todos biomas do Brasil. Finalizar e lançar o sistema de pagamento por Serviços Ambientais especialmente para manutenção da floresta em pé. Terminar a implantação do Fundo Amazônia e manter o rigor e ampliar os investimentos no setor de licenciamento para ampliar a qualidade e eficiência no licenciamento ambiental. Minc vai assumir num contexto onde a sociddade quer crescer, mas também quer proteger a nossa riqueza natural.

Não é exigir demais, senadora, sobretudo sabendo que seu mandato estará vigilante à pauta ambiental do país?
Essas coisas todas precisam ser consolidadas e ampliadas, especialmente porque já conta com o grande apoio da sociedade brasileira. Espero que se constitua um novo acordo, que sejam consolidadas todas as conquistas, que não haja retrocesso e que se estabeleça a agenda do desenvolvimento sustentável, que é feita dentro do núcleo denso do governo.

E o seu "querido Acre"?
No momento em que se sente doído, a primeira coisa que se pensa é em estar ao lado dos seus, no aconchego da casa. Estarei no Acre na próxima sexta-feira. Desde o dia que pedi demissão já perdi pelo menos três quilos. Estou só a tala. Do Acre, voltarei para Brasília, para descansar um pouco. A partir de hoje passa a vigorar meu pedido de licença do Senado por razões particulares. Deve durar uns 10 dias, no máximo.

E o governo do Acre?
Não serei candidata ao governo do Acre. Temos bons nomes: Binho Marques, Jorge Viana e Tião Viana. Já sou por demais grata ao povo por me eleger duas vezes para o Senado e por ter sido ministra. Não estou pensando nas proximas eleições, mas naquilo que será o futuro das próximas gerações.

Quais lições aprendeu nestes cinco anos no Ministério do Meio Ambiente?
Quando a gente ocupa um espaço de poder, por mínimo que seja, incluindo uma coluna de jornal, a gente sofre a tentação de querer olhar as pessoas de cima para baixo. Aprendi, e não foi agora, com muitas pessoas ao longo da vida, como Chico Mendes e dom Moacir Grechi, que a gente tem que olhar de baixo para cima. De baixo para cima a gente consegue enxergar o que está acima de nós. A Amazônia está acima de nós. E com esse olhar a gente é capaz de enxergar que, para fazer algo que seja bom, é preciso se colocar numa pesrpectiva de serviço, que também pode ser o gesto de abrir o caminho para que outro ocupe o seu lugar. Eu já disse que é melhor ver o filho vivo no colo de outro a vê-lo jazer no próprio colo. Além disso, aprendi que é muito importante contar com uma equipe diversificada, com competência de todos os setores, naquilo que alguém já disse que "o conhecimento não está com os homens, mas entre os homens". Aprendi, ainda, que a melhor forma de ajudar aos governos é fazendo política de país, porque ela perpassa a vários governos. E eu espero que o plano de combate ao desmatamento se estabeleça e que seja algo que vá além do governo.

Terra Magazine

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nas margens do Rio Jundiaí, biodiversidade ameaçada

Obras de canalização ameaçam aves e fragmentos de mata-ciliar

As obras de canalização do Rio Jundiaí no trecho entre a Vl. Lacerda e o Pq. Shangai, começam a alterar as margens, numa área até então relativamente calma e preservada.

Afastado da avenida Latorre e sem casas por perto, este trecho do rio tem pequenos resquícios de mata e aves como garças e paturis.

É um trecho que recebe as águas limpas do Córrego do Mato e do Córrego Walquírias e tem muitas pedras no leito. Essa combinação de oxigenação e diluição dos poluentes melhora a qualidade do rio Jundiaí e as condições para a fixação da vida silvestre.

Numa ilhota, um banco de areia, pedras e lixo, bem próximo do local onde deságua o córrego Walquirias, é possível observar um casal de irerês (paturis) e pelo menos duas espécies de garça, em vários períodos do dia. Também há pegadas de capivaras na ilha e margens.

Neste mesmo local, que fica próximo das quadras de futebol Umbro Center, há terrenos baldios nas duas margens e uma pequena mata em regeneração, que começa a ser derrubada pelos tratores.

A presença das garças, irerês, capivaras, indica que toda uma cadeia de vida está ali instalada.

Infelizmente, essa biodiversidade que resiste heroicamente no poluído rio Jundiaí, vai desaparecer com a canalização do trecho.

As margens e o leito serão concretados e a vida vai dar lugar ao "crescimento".

Não haverão outras alternativas? Não é possível conciliar desenvolvimento e sustentabilidade?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Votorantim é a que mais polui em SP e ainda quer usina no Vale do Ribeira - Graziano e Capobianco assistem tudo

E ainda querem nos convencer de que o projeto de construção da Usina
Hidrelétrica de Tijuco Alto é a "melhor coisa do mundo" p/ o
desenvolvimento do Vale do Ribeira!!! Grande falácia!!!!! Basta ver o que
fizeram c/ o Rio Juquiá! Qual é o IDH da cidade de Juquiá mesmo?


Incrível é ver o "famoso" ambientalista Sr. João Paulo Ribeiro Capobianco,
ex-coordenador do Instituto Sócio Ambiental (ISA), ex-presidente da
Fundação SOS Mata Atlântica, atual Presidente Interino do Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e atual
Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), assistindo tudo
de camarote, bem caladinho na sua poltrona reclinável!!! Por que será hein?
Você pode nos responder Sr. Capobianco? Uma palavra ao menos!!! Ou continue
calado e entregue o Vale do Ribeira ao Sr. Antonio Ermírio de Moraes!!! Ah,
e não vale renunciar dizendo que "não suportou a pressão de outros setores
pela sua luta em favor do meio ambiente no Governo Federal". Esse golpe nós
já conhecemos de outros tempos e se o fizer não sairá como herói, mas como
grande vilão que entregou o Rio Ribeira de Iguape ao homem mais rico do
Brasil!!! Seja ético e faça valer a sua história de luta pela Mata
Atlântica usando o "poder" que tem p/ trazer esse assunto a mídia nacional
e colaborar efetivamente p/ que a CBA/Votorantim não consiga a licença
prévia do IBAMA!!!!! Faça valer o decreto-lei nº 99.556/90 que define em
Art. 1º que "As cavidades naturais subterrâneas existentes no território
nacional constituem patrimônio cultural brasileiro, e, como tal, serão
preservadas e conservadas de modo a permitir estudos e pesquisas de ordem
técnico-científica, bem como atividades de cunho espeleológico,
étnico-cultural, turístico, recreativo e educativo", ou seja, a
CBA/Votorantim NÃO PODE ALAGAR CAVERNAS NO VALE DO RIBEIRA!!!!!! Por que
está calado, Sr Capobianco? Dê-nos, ao menos, a sua opinião...


Do Sr. Xico Graziano, ex-Deputado Federal, ex-Secretário de Agricultura de
São Paulo, ex-Presidente do Incra, ex-Chefe de gabinete pessoal do
ex-Presidente Sr. Fernando Henrique Cardoso e atual Secretário de Meio
Ambiente de São Paulo, nenhum movimento diferente do que era esperado, pois
afinal agora é moda pular de um lado a outro até se chegar no "negócio
ambiental"!!! Vide a recente história da criação da "Fundação Amazonas
Sustentável" criada e apoiada pelo Banco Bradesco, que por sua vez é
importante parceiro do Grupo Votorantim. Sobre essa fundação, circula a
informação de que já conta c/ mais de R$ 20 milhões de investimentos e é
presidida pelo empresário Sr. Luiz Fernando Furlan, ex-Ministro o
empresário e ex-Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
do Governo Lula. Um empresário que pula do desenvolvimentismo p/ o
ambientalismo de um instante a outro!!! Que lindo, fico emocionado!!! É
mole ou quer mais?!?!?!?!?! Dá-lhe "Banco do Planeta"!!!


Ah, vale jogar no ventilador o veto do Sr. José Serra ao projeto de lei nº
394/07 do Deputado Estadual Raul Marcelo que propunha "declarar como
Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Estado de São Paulo o rio
Ribeira de Iguape". Tal projeto foi aprovado em todas comissões por qual
passou e aprovado pela Assembléia Legislativa de SP. Contudo, o compadrio
entre esse governador e o Deputado Estadual Sr. Samuel Moreira, figura
carimbada aqui do Vale do Ribeira, fez c/ que uma canetada passasse por
cima de todo um processo democrático. Quem perde, o Rio Ribeira e a
população do Vale que continua a mercê desses pseudo-representantes da
sociedade!!! A quem diga que o Sr. Samuel Moreira tem suas campanhas
financiadas pelo grupo Votorantim!!!!! Se realmente o for, era de se
esperar...


Creio que essas relações são confusas de entender e por isso tomei a
decisão de passar adiante minha indignação (mesmo conhecendo os riscos!) c/
a situação que vivemos aqui no Vale do Ribeira, um lugar aonde natureza e
cultura vivem em harmonia até o presente. Sobre o futuro, bem o futuro
dizem que a Deus pertence, mas sinceramente convém passar a acreditar que
muitos dos senhores citados acima querem assumir o papel de "Deuses" do
negócio "meio ambiente"...


Fora Votorantim! Fora Sr. Antonio Ermírio!!!! Nós não queremos vocês
aqui!!! Nós já dissemos isso nas cinco audiências públicas realizadas aqui
no Vale do Ribeira!!!!!!!!!!!!!!!


E parem com essa falsa campanha de "democratização cultural" que promovem
através desse tal "Instituto Votorantim". Querem democratizar a cultura?
Sugiro que vocês comecem pelo respeito a opinião das comunidades
tradicionais do Vale do Ribeira que já disseram não a Tijuco Alto!!! A
máscara cai, a cada dia...


Quer saber mais sobre a resistência contra Tijuco Alto:
http://terrasimbarragemnao.blogspot.com/


Quer ajudar? Assine a petição on-line contra a construção de barragens no
Rio Ribeira: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/635


Quer ver e ouvir nossa opinião? Assista o programa "Bola & Arte" da
emissora FizTV: www.fiztv.com.br/bolaearte (clicar no linque "vídeos",
depois, entre os quadrinhos que aparecem, clicar no programa 7.Está
dividido em duas partes! Os quadrinhos do programa que participamos são os
dois primeiros de cima, da esquerda p/ a direita, começando pelo segundo).


Quer ouvir um som em defesa do Rio Ribeira de Iguape? Depois de tanta
cólera, clique e relaxe:


Esquadrão Preto Velho - Música: MeioAmbienteMeioDeserto
http://www.myspace.com/esquadraodopretovelho


Abraços de um cidadão indignado e c/ energia de sobra p/ continuar...


Oxalá meu pai, vamos vencer!!!


Fernando Oliveira Silva.

A cada ano que passa, o consumo da humanidade supera mais rapidamente a capacidade de regeneração do planeta

Em 2007, no dia 6 de outubro, faltando quase três meses para o Reveillon, a humanidade já havia consumido todos os recursos naturais que o planeta seria capaz de repor naquele ano. Como estamos gastando cada vez mais rápido os recursos naturais, esse dia "D" acontece cada vez mais cedo. Em 1987, o ano do primeiro Ecological Debt Day, como é chamado o dia em que a humanidade passa a estar em débito em relação ao meio ambiente, ocorreu no meio de dezembro. Em 1995, ele pulou para o dia 21 de novembro. E no ano passado, chegou à marca histórica de 6 de outubro.

A pegada ecológica permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que consumimos e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc.. Todo esse conjunto é chamado de "biocapacidade" do planeta, ou seja, a habilidade dos sistemas ecológicos de gerar recursos e absorver resíduos em um determinado período.

Em termos globais, hoje, precisaríamos de 1,3 planetas Terra para manter os atuais padrões de consumo, sem comprometer a capacidade de renovação da natureza. Naturalmente, o grande problema é que vamos continuar a ter apenas um, enquanto as demandas de consumo e a própria população não param de crescer.

No ano 2000, por exemplo, gastou-se no nosso planeta em compras de produtos ou serviços domésticos, mais de 20 trilhões de dólares, quatro vezes mais do que em 1960, quarenta anos antes. Porém, nesse mesmo período a população da Terra dobrou, o que significa que cada pessoa, em média, passou a consumir duas vezes mais.

Não é possível prever até que ponto a Terra será capaz de resistir aos avanços consumistas da humanidade, diz Brooking Gatewood, gerente da Global Footprint Network, responsável pelos cálculos da Pegada Ecológica da Humanidade. "Nós não temos uma estimativa de quanto tempo levará até um 'colapso ecológico' ou a exaustão da capacidade da Terra de regenerar os recursos. Isso é impossível dizer, mas nós podemos afirmar que nossas analises mostram que, se a humanidade continuar adotando o modelo de desenvolvimento e consumo atuais, nós precisaremos de 2 planetas Terra em 2050, para prover os recursos que demandaremos", afirma Gatewood.